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No Limite volta com direito a repescagem
Domingo, 28 de outubro de 2001, 14h57
Escalar montanhas íngremes, atravessar rios caudalosos e degustar banquetes indigestos. Os 12 participantes da terceira edição de No Limite, que estréia neste domingo, dia 28, após o Fantástico, vão ter de enfrentar esses e outros desafios para conquistar o prêmio final de R$ 300 mil. Mas o maior desafio mesmo vai ser enfrentado pelo diretor Boninho. Ele tem a tarefa de resgatar o carisma e a audiência da primeira edição, que alcançou memoráveis 50 pontos em agosto de 2000. A segunda edição, dirigida por Fernando Gueiros em janeiro de 2001, teve realidade demais e show de menos. Conclusão: a audiência caiu para 35 pontos. Por isso mesmo, Boninho volta a assumir a direção de No Limite e promete uma versão mais "light" que a anterior. "Ninguém quer ver gente passando fome no programa. Vou dar mais ênfase ao relacionamento humano do que ao sofrimento dos participantes", previne Boninho. Se a Globo decidiu mudar o diretor de No Limite, a apresentação do programa continua a cargo de Zeca Camargo. Desde que começou a apresentar o "reality show" da Globo, o apresentador do Fantástico teve o título do programa incorporado ao nome. "Hoje em dia, as pessoas me chamam mais de 'Sr. No Limite' do que de Zeca Camargo", diverte-se. Aos 38 anos, o "Sr. No Limite" é o primeiro a admitir que não esperava que o programa virasse mania nacional ao atingir picos de 62 pontos. Quando sai às ruas, a pergunta que mais ouve é: "Como faço para me inscrever no programa?". "Ouço essa pergunta todos os dias. Desde a pessoa que faz o 'check in' no aeroporto até o guardador de carros. Respondo sempre que não tenho nada a ver com isso", esquiva-se, brincalhão. De fato, Zeca Camargo não participa do processo de seleção dos candidatos. Os doze integrantes de No Limite 3 foram escolhidos entre 100 candidatos pré-selecionados. Até o diretor Guel Arraes e o autor Manoel Carlos opinaram na escolha. A intenção da Globo, segundo o autor de Laços de Família, era selecionar "tipos carismáticos". Afinal, além da parca comida e das provas extenuantes, a alta cúpula da Globo acredita que a falta de carisma dos integrantes prejudicou a audiência da segunda edição. "Como se fosse uma novela, os integrantes seguem tipos evidentes, como a antipática, a feia, a gordinha e assim por diante. Assim como os atores de novela, eles têm de ter carisma para o público torcer por eles", ensina. O cenário escolhido para ambientar o que a emissora denomina de "novela da vida real" é bastante paradisíaco, com direito a praias, rios e igarapés. A terceira edição de No Limite vai ser gravada na Ilha Marieta, no balneário de Salinópolis, a 250 quilômetros de Belém, no Pará. Lá, na fictícia Praia dos Coqueiros, os participantes vão dispor de muita água-de-coco e pouca comida nas nove semanas de competição. A fome, garante Boninho, vai deixar de ser um dos "pratos principais" do programa. "Ninguém mais vai sofrer por causa disso. Se eles precisarem de mais comida, terão", avisa. Embora pretenda atenuar o sofrimento dos integrantes, Boninho ressalva que a prova em que o candidato é obrigado a comer iguarias exóticas vai continuar. Segundo ele, o tradicional banquete indigesto já virou uma das marcas do programa. "Mesmo assim, não pretendemos matar ninguém", enfatiza, irônico. Uma das novidades de No Limite 3 é a repescagem. Na primeira fase, os quatro primeiros eliminados saem da ilha e voltam para casa com um Palio zero km e R$ 1 mil no bolso. Já os próximos seis excluídos vão ser levados para o Vale dos Exilados, onde vão ter direito à barraca, ducha e comida. Lá, eles vão disputar uma prova entre si para definir o primeiro finalista do programa. Na última fase, o vencedor da repescagem vai disputar o prêmio máximo com os outros dois finalistas na Praia dos Coqueiros. O vencedor da terceira edição de No Limite só vai ser revelado ao vivo, nos estúdios da Globo, no Rio, no dia 23 de dezembro. "As pessoas gostam de bisbilhotar o quintal do vizinho e pensar: 'Eu poderia estar no lugar dele. E, se estivesse, o que faria?' Não há quem não resista a dar uma olhadela pelo buraco da fechadura", arrisca Zeca Camargo.
André Bernardo TV Press
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