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Thaisa se reinventa e brilha na Superliga feminina de vôlei

Bicampeã olímpica supera a marca de 1.000 pontos de bloqueio e quer ajudar sua equipe a alcançar a semifinal da competição

26 mar 2019
04h47
atualizado às 19h14
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A central Thaisa, bicampeã olímpica, precisou se reinventar após uma grave lesão no joelho esquerdo. Ela teve de reaprender a bloquear, usa uma joelheira especial na perna para proteger o local a cada salto que dá, seja no jogo ou em treino, e agora colhe os frutos de todo esforço. Nesta terça-feira, às 19 horas, ela quer ajudar o Hinode Barueri a se classificar para a semifinal da Superliga feminina de vôlei diante do Osasco-Audax, em casa - a série está empatada por 1 a 1 e quem vencer avança.

A tarefa é complicada, mas ela entrará na quadra do ginásio José Correa motivada por um recorde: superou a barreira dos mil pontos de bloqueio na história da competição. "Essa marca representa até muito mais do que se eu não tivesse passado pela situação que passei. Foi com muito treino, tentando manter a cabeça no lugar para conseguir ajustar. Talvez essa marca dos mil bloqueios antes não tivesse tanto significado como agora", festeja.

Thaisa explica que seu joelho é valgo, ou seja, vai um pouquinho para dentro nos movimentos de salto. "E minha lesão foi justamente por esse movimento, ele foi para dentro e estourou meu menisco e fez um buraco na minha cartilagem", relembra a atleta, que precisou passar por uma cirurgia em junho de 2017. Foi um período de sacrifício e dificuldades, mas ela sabia que tinha condições de retomar a carreira em alto nível.

"Voltei a jogar a Superliga com muita dificuldade de deslocamento. A mecânica do meu corpo mudou completamente e estava muito difícil de ajustar. Teve jogos que eu saía chorando para o vestiário e falava: 'Eu não sei o que está acontecendo, acho que estou bem, mas algo está errado'. Aí via que estava protegendo a perna. Fico feliz pela dificuldade que passei, com a ajuda de todos, mas também me dedicando, matando um leão por dia, para conseguir voltar a ser quem eu era", diz.

Aos poucos, Thaisa foi conseguindo evoluir e melhorando nos fundamentos. O ataque já está muito bom e os bloqueios vêm sendo aprimorados, até pela dinâmica diferente para completar a ação. "O bloqueio você depende de ter velocidade e conseguir ajustar a corrida. No ataque você tem um movimento mais cadenciado. No bloqueio você vai na velocidade da bola. Eu não conseguia perceber, mas estava protegendo minha perna, tentado sempre cair com a outra. Só consegui ver isso no vídeo, a gente não tem noção, porque o corpo faz isso automaticamente. Foi duro, mas aos poucos estou conseguindo ajustar para chegar lá."

Perfeccionista, Thaisa acha que pode render ainda mais. A marca superior a mil pontos de bloqueio na Superliga é só um estímulo a mais para a atleta. "Aos poucos eu venho ganhando confiança. As pessoas falam: 'Você está bem'. Eu falo: 'Ainda falta, tem de melhorar'. Sempre fui assim. Se saio com 28 pontos, lamento não ter feito 30, fico pensando na bola que errei. A tônica do atleta de alto rendimento é assim: nunca estar satisfeito com o próprio desempenho", admite.

Uma peça que ajudou a mudar sua vida após a lesão é a joelheira que utiliza para proteger o joelho operado. "As meninas falam que já faz parte do meu corpo, que é um pedaço de mim. Eu corro e faço aquecimento sem, mas no treino e jogo, para saltar, preciso usá-la. E ela é super confortável. É leve, quase não sinto. As pessoas acham que pode incomodar, mas não, muito pelo contrário. Ela me dá uma estabilidade, joga meu joelho para fora, protegendo, e isso me dá uma segurança absurda. Além disso ela não limita movimento. Tem de levantar um troféu para ela. Se não tivesse essa joelheira, não sei se eu conseguiria voltar ao mesmo nível que estou agora", revela a central.

Com a cabeça na partida contra o Osasco-Audax, Thaisa quer ajudar o Hinode Barueri a avançar. O time não tem a tradição do adversário, mas em quadra e com a força da torcida, pode surpreender. "O favoritismo está lá com elas. O Hinode está apenas no segundo ano na Superliga e o Osasco já está há muito tempo, esteve em muitas finais, eu mesma já disputei quando atuei lá. Disputar os playoffs é isso aí, sempre jogo duro", diz.

Estadão

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