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Gómez e Korda em Roland Garros, décadas depois dos pais jogarem ali também

Emilio e Sebastian mantêm o tênis como um esporte familiar no Grand Slam francês

30 set 2020
10h10
atualizado às 10h29
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O tênis continua sendo um esporte familiar, e os cinco filhos do ex-campeão de Roland Garros, Andrés Gómez, tornaram-se bons o suficiente para jogarem tênis universitário nos Estados Unidos. Apenas um se tornou bom o suficiente para seguir o caminho do pai e jogar no Grand Slam francês, e quando Emilio Gómez foi à Quadra 3 na segunda-feira para sua estreia no torneio, Andrés Gómez estava novamente em casa em Guayaquil, Equador, assistindo à partida em uma TV cedo pela manhã e com o estômago embrulhado.

Seu filho chegou perto, muito perto, forçando Lorenzo Sonego, da Itália, a um quinto set, mas não haverá segundo round para o Gómez mais jovem em Paris. Sonego venceu por 6-7 (6), 6-3, 6-1, 6-7 (4), 6-3 em pouco mais de quatro horas. "É assim que funciona o tênis", disse Andrés Gómez por telefone. "Ainda estou feliz. Obviamente, eu gostaria de um resultado diferente hoje, mas o saibro não é a melhor superfície dele. Coisas boas estão vindo para ele, eu acho."

Chegar à categoria principal foi uma jornada e tanto para Emilio Gómez, ex-jogador universitário da Universidade do Sul da Califórnia. Ele tem 28 anos e quase desistiu do esporte em 2018 após uma série de resultados decepcionantes, decidindo apenas seguir em frente depois de vencer dois eventos satélites no Equador. Mas nesta temporada estranha e desconexa, ele finalmente se destacou em Paris, passando por três rodadas de qualificação e salvando dois match points na rodada final contra Dmitry Popko.

Trinta anos depois que seu pai venceu o Aberto da França em 1990, derrotando Andre Agassi, Emilio chegou à chave principal, caindo em lágrimas. "Estar nas quadras onde meu pai venceu é algo especial", disse Emilio, 155º no ranking. "Não sou um jogador de primeiro nível como ele, mas gosto disso."

Escolher o mesmo caminho de um pai campeão tem seus perigos. "Emilio teve que carregar o nome nas costas, e era uma carga pesada, às vezes até mais pesada porque ele achava que era pesada", disse Andrés Gómez. "Mas acho que o Emilio começou a gostar de ser meu filho. Todo mundo é filho de alguém, e sempre há expectativas e às vezes elas são um pouco mais difíceis para alguns. O mesmo aconteceria com um filho ou filha de um neurocirurgião, que talvez não obtenha o reconhecimento ou a exposição de um atleta, mas, com certeza, nessa família haverá uma bagagem muito grande para carregar."

Emilio Gómez não é o único filho de um campeão do Grand Slam fazendo sua estreia na chave principal de Roland Garros deste ano. Há também Sebastian Korda, um americano de 20 anos que enfrentará John Isner na segunda rodada de simples masculinos na quarta-feira.

O pai e treinador de Korda é Petr Korda, campeão do Aberto da Austrália em 1998, pela República Tcheca, que também chegou à final de Roland Garros em 1992, perdendo para Jim Courier. Andrés Gómez disse que ele e Petr Korda trocaram figurinhas a respeito da arte de criar filhos e treinar. Mas os Kordas da próxima geração não são apenas jogadores de tênis.

Peter Korda e sua esposa, Regina, que também foi uma jogadora tcheca de destaque, também têm duas filhas mais velhas: Jessica, 27 anos, e Nelly, 22 anos, que são duas das principais jogadoras profissionais de golfe feminino. Cada uma ganhou vários títulos LPGA Tour, com Nelly empatando em segundo lugar no ANA Inspiration, um campeonato importante realizado no início deste mês. "Elas estão tendo um bom ano em 2020, então estamos sempre em contato e sempre conversando sobre o que podemos fazer melhor e como estamos", disse Sebastian em relação às irmãs. "Mas,sim, elas são um grande apoio e eu as amo muito."

Sebastian, apelidado de Sebi, começou com uma paixão por hóquei no gelo, mas decidiu se concentrar no tênis aos 9 anos, depois de viajar para o Aberto dos Estados Unidos em 2009 com seu pai, quando Petr treinava o jogador tcheco Radek Stepanek. "Ele jogou com Djokovic em Ashe por volta das 10h30 da noite", disse Sebastian sobre Stepanek. "Estava completamente lotado e eu achei a coisa mais legal depois disso. Fui para casa e disse, isso é exatamente o que eu quero fazer, apenas meio que me apaixonei por isso."

Sua casa era Bradenton, Flórida, que também abriga a IMG Academy, a ampla academia poliesportiva onde suas irmãs desenvolveram seus talentos no golfe e onde ele aprimorou suas habilidades no tênis.

Os pais ensinaram a Sebastian os fundamentos do tênis, que incluíam um backhand com duas mãos, que se tornou sua melhor jogada e é um grande contraste com o de uma mão do pai. Petr é canhoto. Sebastian, como sua mãe, é destro.

Mas pai e filho são altos e magros, e desde que ganhou o título júnior masculino do Aberto da Austrália de 2018, Sebastian cresceu alguns centímetros a mais que Petr. Ele agora tem 1,96 e está começando a fazer incursões no circuito principal. Como Emilio Gómez, ele se qualificou aqui para seu primeiro Roland Garros e, no domingo, derrotou Andreas Seppi, um italiano de 36 anos com muito mais experiência no saibro e em todas as outras superfícies.

Sebastian está na posição 213 do ranking, mas não por muito tempo. Seu próximo obstáculo: Isner, o servidor estrondoso que ainda é o americano mais bem classificado aos 35 anos. O próximo desafio para o Gómez que começou a brilhar mais tarde: participar da chave principal em outro torneio do Grand Slam em uma superfície mais adequada para seu jogo apertado, embora isso possa não ser tão simbólico para ele, sua família e outros que se lembram do que aconteceu em Roland Garros em 1990.

"Estar aqui e passar pela qualificação já foi um privilégio para mim", disse ele. "É a história do meu pai e do nosso país. Eu não posso ser muito duro comigo mesmo. É algo que significa mais agora. Se tivesse acontecido antes, eu não teria sido capaz de apreciar tanto."

TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Estadão
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