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Após melhor ano da carreira, Soares quer top 10, Slam e ATP Finals

13 nov 2012
05h00
atualizado às 08h52

O mineiro Bruno Soares encerrou em 2012 uma temporada dos sonhos no circuito profissional de tênis, mas já traça planos ambiciosos para o próximo ano. O duplista dobrou o número de títulos de sua carreira, venceu a chave de duplas mistas do Aberto dos Estados Unidos e ainda participou da volta do Brasil ao Grupo Mundial da Copa Davis. Agora, os objetivos são mais audaciosos.

Soares quer aproveitar a boa fase vivida ao lado do austríaco Alexander Peya, seu parceiro desde julho, para realizar os sonhos de praticamente todos os tenistas: entrar no top 10 do ranking mundial, conquistar um torneio de Grand Slam nas duplas masculinas e se classificar para o ATP Finals, último torneio do ano e que reúne as oito melhores parcerias da temporada.

"Para o ano que vem, começando já com um parceiro que conheço, dá para traçar metas ainda maiores", disse o mineiro, 30 anos, analisando sua temporada.

Após quebrar a parceria com o amigo Marcelo Melo, Soares iniciou o ano jogando com o americano Eric Butorac, com quem conquistou o ATP 250 de São Paulo. Mas a dupla não engrenou e o brasileiro recorreu ao austríaco Alexander Peya. Rapidamente, eles se tornaram um dos times mais consistentes do circuito.

Mas mesmo jogando sem o europeu, o tenista mineiro conseguiu demonstrar que vive a melhor fase da carreira. Com Melo, foi às quartas de final das Olimpíadas de Londres 2012, garantiu a vitória do Brasil sobre a Rússia na Copa Davis, recolocando o País no Grupo Mundial da competição, e conquistou o ATP 250 de Estocolmo.

Quando formou dupla com a russa Ekaterina Makarova para disputar a chave de duplas mistas do Aberto dos Estados Unidos, entrou para a história do tênis nacional ao vencer um dos quatro torneios mais importantes do mundo, feito alcançado apenas por Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten e Thomaz Koch.

Confira a entrevista na íntegra com Bruno Soares:

Você conquistou cinco títulos em 2012, jogou as Olimpíadas, ganhou o Aberto dos Estados Unidos de duplas mistas. Dá para dizer que esta foi a melhor temporada de sua carreira?
Bruno Soares: Com certeza, sim. Essa minha temporada não foi a mais sólida. Teve uma parte do ano em que não joguei tão bem, mas com certeza no balanço final foi a minha melhor temporada.

Essa fase em que você não atuou tão bem teve influência na troca de parceiro?
Bruno Soares: Teve com certeza. Os resultados não foram os esperados com meu outro parceiro, mas isso é uma coisa normal no esporte. Às vezes as coisas não vão do jeito que você estava imaginando. Trocar e tentar alguma coisa diferente é natural. O Alex Peya é um cara que desde o ano passado gostaria de jogar com ele. Atrasou seis meses, mas estou feliz com a parceria nova e os resultados já apareceram.

Quando começaram os treinos para este ano, dava para imaginar que seria tão positivo? Você ganhou cinco títulos, mesma marca que tinha em toda sua carreira.
Bruno Soares: Quando a gente começa uma temporada, traçamos nossas metas e planos. O objetivo é sempre conquistar, mas cinco títulos e o Aberto dos Estados Unidos na mesma temporada era difícil de imaginar. Fazer isso é muito complicado. Mas venho treinando e trabalhando muito nos últimos anos. Essa temporada pode ter sido o resultado uma combinação de todo esse trabalho e esforço. Como o pessoal fala: se você trabalha duro, uma hora o resultado chega.

Outra marca importante que você alcançou este ano foi superar 1 milhão de dólares em premiação. Representa um estágio importante na vida de um tenista?
Bruno Soares: Na carreira de um atleta, que na maioria das vezes não é tão longa, é importante cada um na sua época conseguir juntar o seu dinheiro e se preparar para a próxima etapa da vida. O pessoal gosta de dar importância para esse lance de "Ah, chegou a 1 milhão". O importante é o quanto sobra na conta. Houve vários anos em que investi muito mais do que juntei. Agora, estou conseguindo juntar um pouco desse dinheiro. Mas o mais importante é que consegui continuar correndo atrás das coisas, porque o dinheiro é consequência dos resultados.

Você encerra a temporada como 18º colocado do ranking mundial, uma posição atrás do Marcelo Melo. Está satisfeito com essa posição?
Bruno Soares: Muito satisfeito. É mais um ano terminando entre os 20 melhores do mundo, era um dos meus objetivos. Para o ano que vem, começando com um parceiro que eu já conheço, dá para traçar metas ainda maiores.

Apesar de um ano tão positivo, sua melhor posição no ranking ainda é de 2009, quando foi o 14º colocado. O que aconteceu naquele ano que você conseguiu uma colocação tão boa?
Bruno Soares: Aquele foi um ano em que consegui resultados muito grandes. Foi uma mistura dos resultados de 2008 com o início da minha parceria com o Kevin Ullyet. Fiz semifinal em Roland Garros, quartas de final no Aberto dos Estados Unidos, semifinal de dois Masters 1000. Foi uma série de coisas para chegar a esse ranking. Esses resultados do final do ano agora me igualam um pouco à série de torneios daquela época e dão condição de poder brigar por posição parecida ou ainda melhor.

Tem algo que você mudou no seu jogo ou na sua preparação para este ano que possa explicar essa ascensão tão grande nos resultados?
Bruno Soares: Uma coisa que evoluiu muito foi meu jogo na rede. Desde a pré-temporada do ano passado, foi algo que priorizei muito aperfeiçoar. Sempre tive uma noção muito boa na rede, me movimento bem e tenho bons voleios, mas quis realmente levar essa área do meu jogo para um nível acima. Isso foi algo que me ajudou demais.

Você tem 30 anos, uma idade em que alguns esportistas já começam a ser considerados veteranos, mas ainda é jovem se levarmos em conta outros duplistas de sucesso. O Mike e o Bob Bryan têm 34, o Daniel Nestor tem 40, o Leander Paes está com 39...
Bruno Soares: Por enquanto estou extremamente tranquilo em relação a isso. Meu físico está muito bom. Mentalmente, que é um fator muito importante na vida de um atleta pelo desgaste da competição e viagens, estou tranquilo e motivado a cada temporada. Encerro esta preparado para começar a próxima. Espero poder jogar por mais várias temporadas e no mais alto nível possível.

E para estes próximos anos de sua carreira, quais são as principais metas?
Bruno Soares: Tenho três objetivos: ganhar um Grand Slam, estar entre os dez do ranking e participar do ATP Finals. São três coisas que gostaria de ter no meu currículo. O  mais difícil é ganhar um Grand Slam. São só quatro chances por ano e com a elite do tênis. Das três, a menos difícil é jogar o Finals. Se em 2013 conseguirmos ter um ano sólido de bons resultados, com certeza vamos estar na briga. Para entrar no top 10 e ganhar um Grand Slam, já precisaria alcançar o mais alto nível possível, a elite da elite.

Seus resultados te credenciam como um dos melhores atletas brasileiros de 2012, mas acha que o fato de jogar duplas acaba diminuindo um pouco a atenção recebida pelo público e a mídia?
Bruno Soares: Hoje em dia, nossa visibilidade na dupla vem crescendo e isso vem aumentando a cada ano. O público que acompanha o tênis de longe fica muito acostumado apenas com os jogos de simples. O cara senta para ver um campeonato na TV e está sempre passando o simples. Ele está acostumado com Djokovic, esse tipo de gente. Agora, com o nosso sucesso, está mudando um pouco. O cara começa a ver "O Bruno ganhou lá, o Marcelo ganhou aqui". O US Open foi uma etapa bacana disso. Muita gente que não tem relação nenhuma com o esporte veio me parabenizar. Gente que acompanhou pelo fato de a mídia ter mostrado mais. Aos poucos, isso vai melhorando e se a gente continuar esse caminho de sucesso essa visibilidade melhorará bastante.

Essa atenção da mídia é do público é importante para você?
Bruno Soares: Considero importante não para minha carreira pessoal, mas para o tênis brasileiro em geral. Quanto mais a gente conseguir mostrar nossos jogadores e o esporte crescer é importante também para incentivar as crianças a entrarem no esporte e as empresas a apoiarem.

Você iria jogar o Aberto dos Estados Unidos com a Jarmila Gojdosova, mas por causa do ranking dela acabou formando parceria com a Ekaterina Makarova e deu certo. Para o Aberto da Austrália de 2013, manterá a dupla com a russa?
Bruno Soares: Ainda não defini. Vou conversar com ela. Eu tinha marcado de jogar com a Jarmila, mas ela perdeu um pouco de ranking. Teve o fato do título com a Makarova. Vou bater um papo com elas agora em dezembro para ver se a gente decide.

As duas são consideradas musas do circuito profissional. Como sua mulher reage a você treinar e jogar com elas?
Bruno Soares: É sossegado. Minha esposa conhece as duas. Ela viaja para vários torneios comigo e é extremamente tranquila quanto a isso.

O brasileiro Bruno Soares elegeu a temporada 2012 como a melhor de sua carreira
O brasileiro Bruno Soares elegeu a temporada 2012 como a melhor de sua carreira
Foto: Bruno Santos / Terra
Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva

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