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Aberto de Roma indica os favoritos Iga Swiatek e Djokovic para conquistar o título em Roland Garros

Em polos opostos de suas carreiras, tenistas, números 1 do ranking de simples, foram campeões na Itália e parecem fortes para Paris

19 mai 2022 20h10
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Em breve saberemos se o que aconteceu no Aberto de Roma foi um prenúncio. A chave principal de Roland Garros, o único torneio de Grand Slam disputado em quadras de saibro, começa no domingo. Mas os triunfos de Iga Swiatek e Novak Djokovic em Roma certamente solidificaram dois temas para Paris. Swiatek continua irresistível e Djokovic parece totalmente revitalizado.

Ambos estão no primeiro lugar do ranking de simples e jogando como tal. Nenhum dos dois perdeu um único set no caminho para os títulos do Aberto de Roma. E ambos terminaram suas campanhas de forma convincente contra adversários top 10. Swiatek derrotou Ons Jabeur, detendo a sequência de 11 vitórias de Jabeur e ampliando a sua própria série para 28. Djokovic seguiu seu exemplo e derrotou Stefanos Tsitsipas.

Swiatek e Djokovic estão em polos opostos de suas carreiras. Swiatek, 20 anos, agora está aproveitando toda a potência de seu jogo, entendendo que ela pode ser não apenas uma campeã em série, mas também uma intimidadora que domina as adversárias com seu forehand pesado e acrobático.

Djokovic, que completará 35 anos no dia de sua estreia em Roland Garros, estabeleceu-se anos atrás como um dos maiores jogadores do esporte. Ele é o tenista mais velho a vencer o Aberto da Itália em simples na era dos Open: um pouco mais velho do que seu rival de longa data Rafael Nadal era quando derrotou Djokovic para conquistar o título aos 34 anos, no ano passado.

Djokovic resistiu o suficiente para não ser o único Djokovic a disputar um título no domingo. Enquanto ele estava vencendo em Roma, seu filho de 7 anos, Stefan, estava ganhando o título no seu torneio de estreia em um clube da capital sérvia, Belgrado. "Acabei de receber essa notícia: felicidade dupla hoje", disse Djokovic com um de seus maiores sorrisos da semana.

Mencionei a Djokovic que dizem que a única coisa mais mentalmente desafiadora do que ser um jogador de tênis é ser pai de um jogador de tênis. "Nem um único dia eu disse para ele: você tem que fazer isso. É realmente o desejo dele de pisar na quadra", disse Djokovic. "Ele é realmente apaixonado pelo esporte. Ontem à noite, quando falei com ele, ele estava acordado até tarde. Estava me mostrando o forehand e o backhand, mostrando como ele vai jogar amanhã, brincando com a raquete. Foi muito engraçado de ver. Eu fazia isso quando era criança. Dava para ver a alegria dele, a pura emoção e o amor pelo esporte".

Djokovic, assim como Nadal e Roger Federer, seus pontos de referência ao longo da carreira, reforçou sua paixão demonstrando excelência duradoura e ignorando persistentemente os sinais de que seus anos de auge tinham ficado para trás.

Para Djokovic, esta foi uma temporada desafiadora como nenhuma outra: sua decisão de não se vacinar contra o coronavírus gerou um impasse com as autoridades australianas que terminou com sua deportação na véspera do Aberto da Austrália deste ano e o deixou de fora dos eventos Masters 1000 em Indian Wells, na Califórnia, e Miami Gardens, na Flórida, em março.

Mas, com os protocolos de saúde agora relaxados na Europa, Djokovic voltou à ação no saibro no mês passado. Embora tenha sofrido nas partidas iniciais com seu timing e sua resistência, ele voltou lenta mas convincentemente a acertar seus alvos e ganhou impulso bem a tempo de Roland Garros.

"Sempre tento usar esse tipo de situação e adversidade a meu favor, para me alimentar para o próximo desafio", disse ele sobre a Austrália. "Por mais que eu sempre tenha sentido pressão na minha vida e na minha carreira, foi uma coisa de um nível totalmente diferente. Mas sinto que já ficou para trás. Estou me sentindo muito bem em quadra. Mentalmente também, estou bem. Estou afiado".

Contra Tsitsipas, a estrela grega que enfrentou Djokovic por cinco sets antes de perder a final de Roland Garros do ano passado, Djokovic controlou a maioria dos ralis com brio e paciência. Quando Tsitsipas não conseguiu confirmar o serviço no segundo set, Djokovic provou ser a força mais confiável no tie-breaker, perfeitamente satisfeito, ao que parecia, em esperar até que Tsitsipas entregasse os pontos. "Em certa medida, é um alívio, porque depois de tudo o que aconteceu no começo do ano, era importante ganhar um grande título", disse Djokovic.

Poderia ter sido ainda mais tranquilizador se seu título tivesse vindo contra adversários mais fortes. Mas Carlos Alcaraz, o espanhol de 19 anos que tem sido a revelação da temporada, optou por descansar e pular o Aberto de Roma depois de vencer Nadal e Djokovic para conquistar o título em Madri. Nadal, o maior jogador de saibro da história, perdeu nas quartas de final, mancando e estremecendo no último set de sua derrota contra o canadense Denis Shapovalov, mais uma vez sofrendo com a dor crônica no pé esquerdo que ameaçou sua carreira na adolescência e agora a põe em perigo mais uma vez, aos 35 anos.

Nadal venceu o Roland Garros treze vezes, Djokovic apenas duas. Mas, por mais contraintuitivo que seja cortar Nadal de Paris, parece certo tirá-lo da lista de favoritos deste ano, ainda mais porque talvez ele nem chegue a competir. "Neste momento, é Carlos Alcaraz ou Novak Djokovic", disse Tsitsipas, que perdeu para os dois neste mês. "Ambos jogam muito, são grandes tenistas. Eu os apontaria como favoritos".

É tentador se inclinar para Djokovic, considerando que Alcaraz tem pouca experiência no formato de melhor de cinco sets e nenhuma experiência em gerenciar o estresse que pode advir de se ver na lista de finalistas de Grand Slam. Mas ele se manteve surpreendentemente bem em Madri, apesar de toda a pressão dos golpes de fundo de Djokovic e dos primeiros saques oportunos na reta final.

Alcaraz sem dúvida é especial. A questão é: quanto especial? A mesma pergunta também se aplica a Swiatek. Ela estava em alta antes mesmo de Ashleigh Barty se aposentar repentinamente em março, quando era a número 1 do ranking. Mas Swiatek preencheu o papel com verdadeira empáfia, enfrentando todos os desafios com facilidade.

Desde que sua sequência de vitórias começou em fevereiro, ela perdeu apenas cinco sets e chegou perto de perder um set apenas uma vez em Roma, impondo-se sobre Bianca Andreescu, campeã do US Open de 2019, no tie break do primeiro set nas quartas de final antes de vencer o segundo por 6-0.

Jabeur, tunisiana de táticas variadas, conquistou o título no saibro de Madri este mês, na ausência de Swiatek. Mas o domingo representou um grande passo à frente, pois Swiatek não apenas caçou a maioria dos drop shots de Jabeur, mas também lidou com a maioria das fuziladas nos cantos da quadra. Nos poucos momentos de verdadeiro perigo, Swiatek estava preparada. Com 4-2 no segundo set, mas perdendo por 0-40 no seu serviço, Swiatek salvou três break points e depois salvou um quarto com um voleio de backhand.

Pouco depois ela estava chorando no fundo da quadra após garantir seu quinto título consecutivo. Claramente, vencer é mais desgastante do que Swiatek está fazendo parecer. Mas, depois de enxugar as lágrimas, ela voltou a sorrir ao sol romano, levantando mais um troféu para acompanhar os conquistados em Doha, Indian Wells, Miami Gardens e Stuttgart. "Hoje vou comemorar com muito tiramisù, sem arrependimentos", disse ela, de repente se mostrando muito mais normal do que quando estava esmagando sua oponente. Não será surpresa se Paris lhe reservar mais um doce final. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

Estadão
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