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Foto: Marcos Bezerra / Futura Press

São Paulo

'Quando o São Paulo acordou no jogo, já estava 2 a 0 pra nós'

Protagonista da última vitória palmeirense no Morumbi, Alex conta como Luxemburgo usou notícias da época para motivar time

6 out 2018
05h11
atualizado às 05h11
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Enquanto o Palmeiras não acabar com o jejum de vitórias sobre o São Paulo no Morumbi, não tem jeito: Alex será procurado para falar mais uma vez sobre como foi a noite daquele 20 de março de 2002, quando fez um gol antológico, com direito a chapéu no zagueiro Emerson e no goleiro Rogério Ceni antes de balançar as redes, e ajudou sua equipe a derrotar o rival por 4 a 2, pelo extinto Torneio Rio-São Paulo. "Lembro de tudo, porque todo ano tenho de falar sobre esse jogo", brinca o ex-meia.

Confira a entrevista exclusiva que o ex-jogador concedeu ao ESTADO.

É impossível falar desse confronto sem citar o tabu no Morumbi. Como jogador, você se ligava nisso, em números, estatísticas?

A gente não se liga nisso, mas a imprensa não deixa passar batido. Tenho certeza de que ninguém dentro do São Paulo ou do Palmeiras se preparou nesta semana em cima de tabu.

?Mas esse tipo de coisa é usado no vestiário, pelos treinadores, como motivação?

É São Paulo x Palmeiras. Não são esses mesmos jogadores. Se você pegar o Dudu, por exemplo, que está há mais tempo, talvez o retrospecto dele tenha mais vitórias do que derrotas. Aí, você pega e trabalha em cima apenas das derrotas do Palmeiras, sendo que o Dudu talvez tenha retrospecto favorável? A partir do momento da reapresentação das equipes, o Felipão passa: 'Somos líderes e vamos enfrentar quem pode nos tirar a liderança'. Não vai se falar em tabu de tanto tempo sem vencer. Isso é legal pra imprensa, pra torcedor brincar com o outro.

E sobre aquele jogo específico, do que você mais se lembra?

O São Paulo era um time de meninos, a geração do Kaká, do Júlio Baptista, do Simplício. Eles tinham um ataque com Reinaldo e Luís Fabiano, um time fortíssimo, ganhavam de três, quatro naturalmente dos adversários. E nós, o Vanderlei (Luxemburgo) estava tentando achar um time para o Brasileirão de 2002. Tínhamos dificuldades, ganhávamos jogos apertados por 1 a 0, 2 a 1. A imprensa esculachou o nosso time, tratou até com falta de respeito. E o Vanderlei era mestre nisso, de usar esse componente. E começa o jogo de uma maneira como imaginávamos, o São Paulo era tecnicamente superior. Mas as coisas foram dando certo, marcamos bem. Quando o São Paulo acordou no jogo, já estava 2 a 0 pra nós. Eles tentam igualar, mas aí sai o meu gol, não adianta, desmoraliza. Foi uma noite em que o São Paulo era mais time, mas o Palmeiras foi superior.

Como avalia os momentos dos dois neste campeonato?

Após um momento de desequilíbrio com o Roger (Machado), o Palmeiras só ascendeu, o Felipão mudou algumas coisinhas que imaginava em termos defensivos, ele faz muito bem isso. O São Paulo montou um time pra fazer melhores competições do que nos últimos anos. O time encaixou, teve uma queda nos últimos jogos, mas é normal.

Há algum favorito para o jogo de sábado?

Não, nenhum. Os dois têm bons times, jogam de forma equilibrada, em cima daquilo que os treinadores desejam, brigam cabeça a cabeça por pontos, vão se encontrar num momento muito bacana.

O que destacaria taticamente do Felipão e do Aguirre?

O Aguirre é um treinador bem diferente. O Felipe tem ideia mais pragmática, um sistema defensivo bem definido. O Aguirre vai fazer uma alteração, mas nessa envolve duas, três peças. Tem gente que não gosta. Quando dá certo, fala que é sorte. Quando dá errado é um prato cheio pra criticar.

Estadão

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