1 evento ao vivo

Exemplos mostram que Rogério Ceni deu 'salto com vara curta'

4 jul 2017
11h23
  • separator
  • 0
  • comentários

Atropelar etapas pode ter sido o grande erro de Rogério Ceni e do São Paulo ao escolhê-lo como técnico – ele foi demitido nessa segunda-feira (3). A história mais recente do futebol dá vários exemplos de ídolos de clubes, que se destacaram como jogador, e que tiveram uma preparação especial antes do desafio de assumir um posto tão importante. Há dois casos clássicos mundo afora que comprovam isso: os de Josep Guardiola e Zinédine Zidane.

Após deixar os campos, Rogério Ceni fez um curso para treinadores na Inglaterra e, em seguida, assumiu o São Paulo, sem nenhuma experiência prévia como técnico
Após deixar os campos, Rogério Ceni fez um curso para treinadores na Inglaterra e, em seguida, assumiu o São Paulo, sem nenhuma experiência prévia como técnico
Foto: Érico Leonan/São Paulo FC

O primeiro é admirado pelo torcedor do Barcelona por sua trajetória de mais de uma década no clube, por onde jogou 384 vezes. Quando largou a carreira de jogador, Guardiola comandou o Barcelona B por um ano e conquistou o título da Terceira Divisão da Espanha. Somente depois disso é que recebeu o convite para dirigir o Barcelona dos sonhos, com o qual ergueu duas vezes o troféu do Mundial de Clubes.

A transição de Zidane foi muito parecida. Deixou as chuteiras de lado em 2006, quando era um patrimônio do Real Madrid. Em 2013, iniciou a nova caminhada como auxiliar de Carlo Ancelotti no próprio clube. Um ano depois, estreava como técnico no Real Madrid B. Os resultados o credenciaram a subir rapidamente e, em janeiro de 2016, já estava dando instruções a Cristiano Ronaldo, Benzema e Sérgio Ramos, entre outros.

Em poucos meses, Zidane conseguiu os títulos da Liga dos Campeões da Europa e do Mundial de Clubes.

No Brasil, alguns podem argumentar, Dunga não fez nenhum curso preparatório e já pegou logo a Seleção Brasileira para treinar. Foi assim entre 2006 e 2010, seis anos depois de encerrar no Internacional sua carreira vitoriosa como jogador. Ganhou a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009.

Capitão em duas Copas (1994 e 1998), Dunga acabou sendo escolhido como técnico da Seleção Brasileira em 2006 sem experiências anteriores como treinador
Capitão em duas Copas (1994 e 1998), Dunga acabou sendo escolhido como técnico da Seleção Brasileira em 2006 sem experiências anteriores como treinador
Foto: Getty Images

Mas, no Mundial da África do Sul veio o fiasco e a eliminação nas quartas de final. De todo modo, alguns críticos podem contra-argumentar, difícil seria para qualquer um fazer feio num time com Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Daniel Alves, todos em boa forma técnica e física.

Quis o destino que Dunga também fosse dirigir o Inter, clube que o projetou. Foi só por um período, em 2013, sem sucesso. Saiu de lá após a 25ª rodada do Brasileiro, com o time na 10ª posição.

Também ídolo da torcida, o ex-lateral Júnior teve ascensão meteórica, assim como Rogério Ceni. Deixou o futebol em 1993 e no mesmo ano ocupou a vaga de Evaristo de Macedo como técnico do Flamengo. Sem nenhuma preparação especial. Manteve-se no cargo até 1994 e ainda voltou ao Rubro-Negro, com a mesma função, por alguns meses em 1997. Nada mais. A experiência não lhe rendeu frutos e desistiu da atividade. Preferiu se firmar como comentarista.

Júnior é outro exemplo de ídolo que assumiu o comando de um time grande sem ter passado por outras equipes
Júnior é outro exemplo de ídolo que assumiu o comando de um time grande sem ter passado por outras equipes
Foto: João Miguel Júnior / Globo/João Miguel Júnior

Precavido para não expor a relação construída com o clube, Zico, o maior nome da história do Flamengo, decidiu ser técnico cinco anos depois de se aposentar como jogador, no Kashima Antlers, do Japão. Isso foi em 1999. Desde então, já trabalhou em vários países, como Turquia, Grécia e Rússia, entre outros. 

No Brasil, abriu exceção para comandar o CFZ, clube do qual é dono. Não foi além disso. Já declarou várias vezes que só pode abraçar um outro clube no País – o Flamengo. Caso contrário, vai continuar com seu permanente aprendizado no exterior. Diante das evidências, há uma certeza. Se vier a ser chamado um dia para ser o treinador do Rubro-Negro, terá uma bagagem extensa e consolidada.

 

Fonte: Especial para Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade