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Foto: Marcos Bezerra / Futura Press

São Paulo

Em estreia pelo Goiás, Ney Franco reencontra "desafeto" Rogério Ceni

11 mai 2018
09h02
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Quis o destino, ou os "deuses do futebol", que o confronto entre Fortaleza e Goiás, válido pela quinta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, reservasse mais que uma partida de dois times em situações completamente distintas na tabela de classificação. À beira do campo, Rogério Ceni comanda o Leão em busca da retomada da liderança, enquanto o Esmeraldino estreia seu novo treinador, Ney Franco. E aí está o "tempero especial".

O banco de reservas da Arena Castelão terá lado a lado dois treinadores que, apesar dos discursos mais recentes sugerirem um clima amistoso e arestas aparadas, foram "desafetos" declarados quando conviveram nas dependências do São Paulo. A história mostra que, depois de 2012, mais precisamente após o dia 25 de outubro, a relação que nunca foi boa entre Rogério Ceni e Ney Franco, na época goleiro-capitão e treinador, ganhou um elemento público originado por uma responsabilidade que hoje remete aos dois, substituir.

O São Paulo jogava no Morumbi para pouco mais de 15 mil pessoas pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana de 2012. Depois de empatar fora de casa por 1 a 1 contra a LDU de Loja, os comandados de Ney Franco não saíam do 0 a 0 dentro de seus domínios, mas garantiam a classificação. Ao longo dos minutos, a partida foi ganhando contornos dramáticos diante da pressão que o time equatoriano exercia, apostando nos cruzamentos para a área tricolor.

Sentindo a dificuldade do time na pele, dentro de campo, Rogério Ceni balançava os braços pedindo uma substituição, que Ney Franco atendeu colocando Willian José. O goleiro, contrário a entrada do atacante, questionou pedindo a entrada de Cícero, que poderia ajudar na bola aérea defensiva pela alta estatura e na criação de algum possível contra-ataque. Sentindo-se afrontado, o treinador questionou o capitão. Resultado final: classificação conquistada dentro de campo, mas fora dele o "estopim".

"O Rogério (Ceni) pediu para colocar o Cícero de referência, e eu preferi colocar o Willian José. Foi isso que aconteceu. Não aprovo o pedido dele e o jeito que falou. Eu sou o treinador, quem decide sou eu. Amanhã teremos a conversa com o grupo, que ocorre após todas as partidas, e vamos falar sobre isso", revelou o comandante depois do jogo.

A continuidade na Copa Sul-Americana e o título conquistado na partida marcada pelo apito final no intervalo amenizaram o ambiente caótico. Meses depois, com a eliminação precoce na Copa Libertadores, Ney Franco deixou o comando do time do São Paulo e não fez questão nenhuma de guardar para si suas opiniões sobre o goleiro, seu desafeto declarado a partir de então. Ceni, por sinal, também não optou por colocar panos quentes.

Foi o goleiro quem deu início ao toma lá, dá cá de desavenças, ao afirmar que o recém-demitido comandante havia deixado "zero" de legado no clube do Morumbi. A resposta veio em uma entrevista concedida por Ney ao jornal O Globo, onde acusou o ex-comandado de "minar" seu trabalho e algumas contratações como a de Paulo Henrique Ganso e Lúcio, além de ter extrapolado seus limites como atleta.

"Não sei se ele leva isso (prolemas de relacionamento) até hoje (um mês depois da demissão). O tempo dirá quem está certo", disse na época o técnico. "Em 2013, não tive nele o capitão de que precisava. Havia a preocupação de quebrar marcas individuais. Até em contratações (interferia): Se está bom para o Rogério, este profissional vai bem. Se não, a tendência é ser minado. E isso chega aos contratados, como Ganso, Lúcio", completou.

O ponto final das desavenças públicas veio com o posicionamento enfático do ídolo são-paulino durante o desembarque do time em São Paulo, após uma excursão por Europa e Ásia. Em sua versão, Rogério contestou as declarações sobre uma possível influência dentro do clube na tomada de decisões.

"Não tenho muito para falar do Ney Franco, para ser honesto, nem o momento acho que cabe muito. Mas para vocês (jornalistas) não ficarem sem nada, é que se eu tivesse toda a influência no São Paulo que ele acha que eu tenho, ele (Ney Franco) estava no olho da rua há muito tempo", comentou. "Eu não esperaria, se eu tivesse o poder de decisão. Então, eu sou apenas um funcionário do clube, eu não decido, eu não mando", finalizou.

Desde então, Rogério Ceni e Ney Franco não deram mostras de ter reavido uma possível boa relação e muito menos uma amizade. Apesar disso, ambos voltaram a falar do tema como algo "do passado". O reencontro, programado para este sábado, se dá sob um novo cenário na vida dos dois: adversários nas mesmas condições, em seus respectivos bancos de reservas, em busca de três pontos e com a autonomia para promover substituições em seus respectivos times.

*Especial para Gazeta Esportiva

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