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Zlatko Dalic virou técnico da seleção croata por 'emergência'

Trajetória do treinador 51 anos já se transformou em uma espécie de conto de fadas; seu salário é sete vezes menor ao de Deschamps

15 jul 2018
05h12
atualizado às 05h12
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O técnico da Croácia, Zlatko Dalic, tem contrato com a Federação Croata de R$ 2,4 milhões por ano. Por mês, ele ganha R$ 200 mil. Isso representa mais ou menos sete vezes menos do que recebe o seu rival deste domingo, 15, Deschamps, que tem rendimento anual de R$ 16 milhões (ou R$ 1,3 milhão por mês). Dalic não tem trabalhos expressivos no currículo e foi escolhido como treinador emergencial que deu certo.

A trajetória do croata de 51 anos já se transformou em uma espécie de conto de fadas dos treinadores mundiais. O presidente da federação, Davor Suker, demitiu o técnico Ante Cacic por causa da má fase da seleção nas Eliminatórias Europeias para a Copa. Para o seu lugar, chamou Dalic, que seguia fazendo bom trabalho no Al-Ain, já tinha sido auxiliar da seleção de base da Croácia e estava dando sopa por Zagreb.

O trato era o seguinte: ele comandaria os croatas no jogo contra a Ucrânia. Caso a seleção fosse eliminada, o interino voltaria ao seu trabalho. Vida que segue. Em caso de conseguir o milagre da vaga na repescagem, Dalic teria mais dois jogos de teste. O treinador falou com os jogadores pela primeira vez no aeroporto, dois dias antes do jogo. A Croácia venceu a Ucrânia, foi à repescagem e conseguiu a vaga para a Rússia. O interino, então, estava efetivado.

Foram apenas duas datas da Fifa e quatro ou cinco treinos até a preparação dos dias que antecederam o Mundial da Rússia. Neste domingo, ele é finalista.

Dalic era volante do Hadjuk Split, e foi emprestado ao Varteks, clube onde encerrou a carreira como jogador para se tornar assistente técnico de Miroslav Blazevic, técnico na Copa de 1998. Depois de cinco anos trabalhando na Croácia e na Albânia, Dalic passou a maior parte de sua carreira no Oriente Médio. Seu último clube antes da seleção foi o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos.

Ele tem um estilo diferenciado, mais espontâneo e distante das amarras dos cursos de media training de outros treinadores. "Nosso resultado é um milagre. Daqui a três meses, vamos jogar contra Espanha e Inglaterra pela Liga das Nações e não temos um estádio apropriado para atuar."

Ele aproveitou para reclamar também do preconceito dos clubes europeus em relação aos técnicos croatas. "Nós não somos respeitados na Europa. Temos grandes técnicos croatas e eles são subestimados. Eu comecei por baixo. Me dê o Barcelona ou Real Madrid e eu vou ganhar títulos", prometeu o finalista da Copa do Mundo da Rússia.

Estadão
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