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Antes de "virar santo", Marcos foi segurança e estudou contabilidade

5 jan 2012 - 08h10
(atualizado às 10h07)
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A incerteza do futuro no futebol fez Marcos Roberto Silveira Reis apostar no serviço em outras áreas quando era adolescente. Antes de se consagrar como "São Marcos" do Palmeiras, o agora ex-goleiro se aventurou como segurança de boate e até iniciou o estudo de contabilidade.

»Saiba mais sobre a carreira de Marcos e eleja o melhor goleiro da história do Palmeiras

"Foi por pouco que ele não se tornou um técnico em contabilidade. Naquela época, havia a obrigatoriedade de todos os atletas das categorias de base (do Lençoense) de frequentarem a escola. E o Marcos iniciou o curso, mas, felizmente, por conta da ida ao Palmeiras, foi obrigado a trancar", recorda o advogado Glauco Temer Feres, que era ponta-esquerda da equipe do interior no início da década de 1990.

As aulas em Lençóis Paulista foram apenas uma das tentativas de Marcos de garantir seu futuro. Antes do curso, quando ainda morava em Oriente, o ex-goleiro desempenhou a função de segurança em uma casa noturna, o que gerou brincadeiras de seus amigos.

Evaldo Gomes Teixeira, o Tom, também era goleiro do Lençoense e foi convidado pelo amigo a passar um fim de semana prolongado em Oriente. Durante o passeio, Marcos contou suas aventuras na tentativa de garantir a tranquilidade dos frequentadores da festa noturna.

"Achei engraçado quando ele me disse que foi segurança e até mostrou a boate (risos). Acho que Oriente tinha 5 mil habitantes na época, e o público da boate era de 30 pessoas, nem precisava de segurança", provoca Tom, com bom humor.

Mas as aventuras em outras atividades acabaram no início de 1992, quando o Lençoense acertou a transferência de Marcos e outros quatro jogadores (Itamar, Tom, Beto e André) para o Palmeiras.

Exemplo de amor à camisa no futebol moderno

A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.

Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.

Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.

Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.

As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.

Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.

FICHA TÉCNICA

Nome: Marcos Roberto Silveira Reis
Posição: Goleiro
Cidade de nascimento: Oriente (SP)
Nascimento: 4 de agosto de 1973
Altura: 1,93 m
Camisa preferida: 12
Jogos pelo Palmeiras: 530
Jogos pela Seleção Brasileira: 29
Clubes: Palmeiras
Títulos: Campeonato Brasileiro (1993 e 1994); Campeonato Paulista (1994, 1996 e 2008); Copa do Brasil (1998); Copa Mercosul (1998); Copa Libertadores (1999); Torneio Rio-São Paulo (2000); Copa dos Campeões (2000); Campeonato Brasileiro Série B (2003).

Pela Seleção: Copa América (1999); Copa do Mundo (2002) e Copa das Confederações (2005)

Antes de ganhar alcunha de "São Marcos", ídolo alviverde estudou contabilidade e foi segurança
Antes de ganhar alcunha de "São Marcos", ídolo alviverde estudou contabilidade e foi segurança
Foto: Gazeta Press
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