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Suzuki quebra silêncio e diz que "discute com Dorna possibilidade" de deixar MotoGP em 22

Depois de dias de silêncio, a montadora de Hamamatsu aproveitou as vésperas do GP da França para finalmente se manifestar e culpou a necessidade de mudanças na indústria automotiva pela intempestiva decisão de deixar a MotoGP

12 mai 2022 06h29
| atualizado às 08h44
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Joan Mir foi campeão com a Suzuki em 2020
Joan Mir foi campeão com a Suzuki em 2020
Foto: Suzuki / Grande Prêmio

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A Suzuki, enfim, falou oficialmente sobre a saída da MotoGP. Depois de dias de silêncio, a casa japonesa emitiu nesta quinta-feira (12) um comunicado à imprensa onde afirma que discute com a Dorna, promotora do Mundial de Motovelocidade, a "possibilidade de encerrar a participação na MotoGP no fim de 2022".

O BRASIL EM DUAS RODAS

A Suzuki pegou funcionários de surpresa com decisão de saída (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Após dias no mais absoluto silêncio, a Suzuki se manifestou apenas às vésperas do GP da França, mas com um comunicado um tanto ambíguo, já que ao mesmo tempo em que trata a saída como uma "possibilidade", dá a partida também como certa ao agradecer funcionários e fãs.

O silêncio de dez dias da fábrica japonesa coincidiu com um dos feriados nacionais mais importantes do Japão, a Golden Week, [semana dourada, no português], que reúne quatro datas comemorativas: dia do Showa, da Constituição, do Verde e Das Crianças, que acontece entre 29 de abril e 5 de maio.

"A Suzuki Motor Corporation está discutindo com a Dorna a possibilidade de encerrar a participação na MotoGP no fim de 2022", começou. "Infelizmente, a atual situação econômica e a necessidade de concentrar esforços nas grandes mudanças que o mundo automotivo está encarando nestes anos está forçando a Suzuki a direcionar custos para desenvolver novas tecnologias", justificou.

"Gostaríamos de expressar nossa mais profunda gratidão à nossa equipe Suzuki Ecstar, a todos aqueles que apoiaram as atividades de corrida de moto da Suzuki por tantos anos e todos os fãs que nos deram seu apoio entusiasmado", encerrou.

O comunicado, porém, não dá detalhes sobre a tomada de decisão. De acordo com o site italiano GPOne, a decisão de deixar a MotoGP foi do Conselho de Administração da Suzuki e contra a vontade do atual presidente, que foi voto vencido.

Segundo o britânico The Race, o contrato entre a Dorna e a Suzuki prevê uma multa "astronômica" para saída da montadora após apenas um ano de vigência do vínculo, que foi renovado no ano passado e é válido entre 2022 e 2026. Ainda de acordo com a publicação, esta penalidade vai caindo ano a ano.

A decisão de deixar a MotoGP afeta diretamente os destinos de Joan Mir e Álex Rins, que vinham não só negociando a renovação dos atuais contratos, mas inclusive próximos de assinar um novo vínculo. Agora, assim como todos os demais funcionários, os dois precisam buscar recolocação profissional.

Agente do campeão de 2020, Paco Sánchez revelou em entrevista ao site italiano GPOne que, no dia anterior ao comunicado feito em Jerez, a equipe tinha procurado Mir para acalmá-lo e dizer que as negociações com o empresário dele estavam correndo bem. De acordo com o espanhol, Joan ficou em choque com o anúncio.

Tão logo a Suzuki se manifestou, os pilotos foram às redes sociais para também se manifestarem. Com uma foto do ano do título, Mir escreveu: "Vocês são os melhores! Sempre no meu coração!".

Álex Rins optou por um carrossel com três fotos de comemorações com a equipe e uma legenda mais simples, apenas um coração azul, cor da equipe.

Frankie Carchedi, chefe de equipe de Joan Mir, usou o Twitter para enviar uma mensagem aos fãs da Suzuki: "Vamos pressionar até a última corrida e lutar até o fim! Aos amigos, colegas e competidores, obrigado pelas mensagens e amor", encerrou.

Se confirmada, esta não será a primeira vez que a Suzuki abandona a classe rainha. Em 2011, a montadora deixou o Mundial onde corria desde 1974 e acumulava títulos com nomes como Barry Sheene, Marco Lucchinelli, Franco Uncini, Kevin Schwantz e Kenny Roberts Jr.

Na época, a Suzuki responsabilizou a crise financeira de 2008, mas saiu prometendo voltar, o que efetivamente fez em 2015. A primeira vitória desta nova era chegou no ano seguinte, pelas mãos de Maverick Viñales, mas o jejum de títulos caiu apenas em 2020, com Mir.

Em 2022, graças a uma GSX-RR mais competitiva, Rins e Mir são protagonistas e lideram o Mundial de Equipes com 125 pontos, 16 a mais do que a Aprilia de Aleix Espargaró e Viñales.

Em 11 de maio, a Suzuki anunciou os resultados financeiros do ano fiscal de 2021 ― entre abril de 2021 e março de 2022. De acordo com o documento divulgado no site da empresa, "as vendas líquidas aumentaram, o lucro operacional diminuiu, principalmente devido ao aumento dos preços das matérias-primas". Porém, "no ano fiscal de 2022, espera-se que as vendas líquidas e o lucro operacional aumentem".

"De abril de 2021 a março de 2022, as vendas líquidas aumentaram ¥ 390,2 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões) ― 12,3% ― para ¥ 3.568,4 bilhões (aproximadamente R$140,4 milhões) em relação ao ano anterior, quando o desempenho dos negócios diminuiu devido à pandemia de Covid-19. O lucro operacional diminuiu ¥ 2,9 bilhões (R$ 114,1 milhões) ― 1,5% ― para ¥ 191,5 bilhões (R$ 7,5 bilhões) ano a ano (YoY), principalmente devido ao aumento nos preços das matérias-primas. O lucro ordinário aumentou ¥ 14,6 bilhões (R$ 574,5 milhões) ― 5,9% ― para ¥ 262,9 bilhões (R$ 10,3 bilhões) A/A, principalmente devido à melhora da receita financeira. O lucro atribuível aos proprietários da controladora aumentou ¥ 13,9 bilhões (R$ 546,9 milhões) ― 9,5% ― para ¥ 160,3 bilhões (R$ 6,3 bilhões) A/A. A Companhia programa dividendos anuais de ¥ 91 (R$ 3,58) por ação ― aumento de 1 iene (R$ 0,03) ano a ano", diz o resumo dos resultados financeiros para o ano fiscal de 2021.

Olhando separadamente para os negócios da Suzuki, o balanço indica que o negócio automobilístico enfrenta mais problemas.

"Em meio ao impacto contínuo da queda na produção, as vendas líquidas caíram ¥ 21,4 bilhões (R$ 842 milhões) ― 2,3% ― para ¥ 893,4 bilhões (R$ 35 bilhões) A/A, e o lucro operacional diminuiu ¥ 8,3 bilhões (R$ 326,6 milhões) ― 18,2% ― para ¥ 37,1 bilhões (R$ 1,4 bilhão) A/A, principalmente devido ai aumento no preço das matérias-primas", apontam os resultados operacionais divididos por segmentos.

No caso do negócio de motocicletas, o texto indica que "as vendas líquidas aumentaram ¥ 8,7 bilhões (R$ 342,3 milhões) ― 14,1% ― para ¥ 69,8 bilhões (R$ 2,7 bilhões) A/A, principalmente devido à expansão das vendas de modelos de gama mais alta, como a Hayabusa. No entanto, o lucro operacional diminuiu ¥ 2,3 bilhões (R$ 90,5 milhões) ― 59,5% ― para ¥ 1,7 bilhão (R$ 59 milhões) A/A, principalmente devido ao aumento nos preços das matérias-primas".

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