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"É difícil liderar sendo lento": Dovizioso ri da classificação da MotoGP

Piloto da Ducati reconheceu que não conquistou resultados expressivos na primeira metade da temporada 2020, mas garantiu que segue empenhado em encontrar uma solução para a dificuldade de performance

21 set 2020
12h25
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Andrea Dovizioso lidera com apenas um ponto
Andrea Dovizioso lidera com apenas um ponto
Foto: Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

Andrea Dovizioso admitiu que também estranha ser o líder da classificação da MotoGP em um ano de performance tão irregular. Com uma vitória e um terceiro lugar em 2020, o italiano de Forli soma 84 pontos, apenas um a mais que Fabio Quartararo e Maverick Viñales, segundo e terceiro, respectivamente.

Vice-campeão nos últimos três anos, o piloto de 34 anos foi automaticamente promovido ao posto de favorito ao título quando Marc Márquez fraturou o braço direito no GP da Espanha, primeira etapa de uma temporada que começou atrasada por conta da pandemia do novo coronavírus. Até aqui, porém, a performance do mais experiente entre os pilotos da Ducati não correspondeu.

Dovizioso venceu apenas o GP da Áustria, uma corrida tradicionalmente dominante para a fábrica de Bolonha. Além disso, soma só um terceiro lugar na Espanha. Nas outras cinco corridas, o melhor resultado foi o quinto lugar do GP da Estíria.

Ainda assim, Dovi assumiu a liderança da classificação na semana passada, em San Marino, e conseguiu manter apesar do oitavo lugar no GP da Emília-Romanha de domingo (20).

Andrea Dovizioso admitiu que estuda os dados de Pecco Bagnaia
Andrea Dovizioso admitiu que estuda os dados de Pecco Bagnaia
Foto: Ducati / Grande Prêmio

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"Olhar para a classificação me faz rir", admitiu Dovizioso. "É difícil liderar a classificação sendo lento, mas é isso que está acontecendo. É engraçado, mas fomos bem em algumas corridas para somar pontos. Continuamos trabalhando para melhorar e aprender a nos adaptar onde ainda não estamos sendo bem sucedidos", seguiu.

"Estamos na metade do campeonato, mas seria melhor lutar pelo pódio nas próximas corridas do que ficar na frente sem realmente ter a velocidade para liderar o Mundial. É frustrante, pois estamos trabalhando muito duro para nos adaptarmos ao novo estilo de frenagem que precisamos", discursou. "Pelos dados, fica claro o que é necessário, mas é difícil aplicar tudo de fato. Fui um pouco mais consistente do que em Misano 1, mas ainda não tenho a velocidade para melhorar a situação. Não estamos em condição de realmente lutar pelo campeonato. Com certeza, estamos na posição certa para fazer isso e não vamos desistir, pois sei que cada pista pode ser uma história diferente. Em Barcelona, tudo será diferente, e temos de estar preparados", sublinhou.

Questionado se concorda com aqueles que falam em um baixo nível do campeonato na ausência de Marc Márquez, Andrea respondeu: "É errado dizer isso. É só olhar para quão próximos todos os pilotos estão. Isso significa duas coisas: ou todos os pilotos da MotoGP são ruins ou são particularmente fortes. Estamos sempre próximos, tanto na classificação quanto em ritmo de corrida. Existe uma diferença de alguns poucos décimos entre o primeiro e o 15º".

"Como você pode dizer que o nível é baixo se estamos falando dos mesmos pilotos que venceram em temporadas anteriores? O nível naquela época também era baixo? Para mim, só os pilotos podem fazer em baixo e alto nível, pois vocês não sabem todos os detalhes se não estão na moto, então, deveriam focar em outros detalhes e não falar nessas coisas", opinou.

Andrea, então, foi indagado sobre como acredita que seria o campeonato com Marc Márquez na pista, mas avaliou que esta é uma análise sem sentindo.

"Fico curioso para ver Márquez com esses pneus. Em Jerez, ele mostrou domínio, mas na realidade, isso significa pouca coisa, pois ninguém vai descobrir isso neste ano, então não faz sentido fazer nenhuma consideração", defendeu. "Claro, ele foi muito rápido em Jerez, mas se analisarmos as coisas logicamente, como ele se saiu no teste do Catar? Muito mal. Aí na primeira corrida ele foi oito décimos mais rápido que todo mundo enquanto se recuperava? Jerez pode não ter nos dado uma ideia real do potencial dele, mas a questão é que foram esses pneus que criaram essa situação. Dos testes até a primeira corrida. É lógico para mim, todos podem pensar o que quiserem, mas essas são informações objetivas", discorreu.

O italiano de Forli voltou a dizer que os pneus deste ano se comportam de uma maneira muito diferente do que faziam nas últimas temporadas da MotoGP. A Michelin introduziu neste ano uma construção diferente do pneu traseiro.

"Digo isso há muito tempo: esses pneus não funcionam da maneira como pilotei nos últimos três anos. O acerto da moto que usávamos até aqui também não funciona, então, tudo é diferente", indicou. "É preciso um acerto diferente e também pilotar de forma diferente. É necessário realmente pilotar contra o instinto, o que não é uma coisa fácil de fazer quando você pilota uma MotoGP. Eu tento, mas acabo não me sentindo bem. Acontece com todos os pilotos da Ducati que eram fortes na freada em 2019", lembrou.

Entre os seis pilotos equipados com motos Ducati ― Dovizioso, Danilo Petrucci, Jack Miller, Francesco Bagnaia, Johann Zarco e Tito Rabat ―, quem vem se destacando é o italiano da Pramac, que mesmo ainda em recuperação de uma fratura na perna, subiu no pódio no GP de San Marino e chegou perto de vencer na Emília-Romanha, mas caiu na reta final da disputa, quando sustentava mais de 1s de vantagem para Maverick Viñales.

"Sigo estudando os dados do Bagnaia, que pilota esta moto, com esses pneus, de uma maneira diferente dos outros. Ele freia menos e mais tarde, aplica menos pressão e entra rápido nas curvas. É uma coisa diferente do que fizemos antes. Ele está indo muito bem e está fazendo a diferença", elogiou Andrea.

Na semana passada, a MotoGP fez uma sessão de testes coletivos em Misano, onde Dovizioso aparentou ter encontrado algumas soluções. O italiano, porém, reconhece que positividade resultante foi apenas uma manifestação do comportamento esperado de um competidor.

"Um piloto deve sempre dizer as coisas de uma determinada maneira. Quando você é chutado e se joga no chão, você não pode ser um piloto. Você tem de seguir lutando, mesmo quando as coisas não correm bem e talvez até contar algumas histórias", discursou. "Não é só para passar tempo. Estamos trabalhando duro, mas é difícil. Para mim, tudo isso acontece por causa dos pneus. Nos últimos anos, não tínhamos esses pneus e nunca tivemos um campeonato como este. Como resultado, esses pneus estão criando altos e baixos. Viñales teve dificuldades em Misano 1 e venceu em Misano 2. O que isso significa? E temos de dizer que isso é uma questão para nós tanto quanto para os outros, então, temos de continuar trabalhando e tentando melhorar", frisou.

"Claro, sou o primeiro na classificação tendo feito poucos resultados importantes, mas esta é a situação. Não acabou. Tenho de continuar acreditando. Não posso me colocar para baixo sendo realista ou analítico demais. Não é disso que precisamos no momento", reconheceu.

Por fim, Dovizioso apontou a Suzuki e, especialmente, Joan Mir, como as principais ameaças ao sonho do título deste ano.

"As Suzuki são muito equilibradas. Pelo que posso ver, é uma moto fácil para os pilotos, que permite que eles sejam muito consistentes e também preservem os pneus para serem rápidos no fim da corrida. É por isso que eles conseguem ser rápidos no fim da corrida. Pelo menos, é o que parece vendo de fora", observou. "E Mir é um grande talento, já disse isso no passado. No momento, ele é o mais perigoso de todos para o título. Estamos vendo isso nas últimas corridas. Em Misano, ele se destacou ainda mais. Vamos ver como será em Barcelona", encerrou.

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