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Di Giannantonio é protagonista inesperado em matinê inusitada da Ducati na Itália

Novato na MotoGP, o titular da Gresini surpreendeu neste sábado (27) ao conquistar a pole-position em mais um 1-2-3-4-5 para a Ducati na temporada 2022. Casa de Bolonha vai para o GP da Itália como grande favorito à vitória

28 mai 2022 16h02
| atualizado às 16h23
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Marco Bezzecchi, Fabio Di Giannantonio e Luca Marini formam a primeira fila de jovenzinhos
Marco Bezzecchi, Fabio Di Giannantonio e Luca Marini formam a primeira fila de jovenzinhos
Foto: Divulgação/MotoGP / Grande Prêmio

HOMENAGEM JUSTA OU DESNECESSÁRIA? MOTOGP APOSENTA #46 DE ROSSI EM MUGELLO

Fabio Di Giannantonio foi a grande surpresa do sábado (27) da MotoGP em Mugello. Novato na classe rainha do Mundial de Motovelocidade, o piloto da Gresini deixou para trás os favoritos e conquistou no GP da Itália a primeira pole-position da carreira na elite do motociclismo.

Dono do melhor tempo em um Q1 de pista em condições traiçoeiras, o piloto de 23 anos repetiu a dose na fase final da sessão que definiu o grid de largada na pista da Toscana e, com 1min46s156, garantiu também a primeira pole da Gresini.

Fabio Di Giannantonio conquistou a primeira pole da carreira na MotoGP (Foto: Red Bull Content Pool)

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"Sabia que eu podia me sair bem, pois realmente amo esta pista e queria fazer um bom resultado aqui", disse Fabio. "Trabalhamos bem em todas as sessões até aqui, com exceção do TL1. Eu esperava fazer um bom trabalho, mas, com certeza, não fazer a pole-position", assumiu.

O piloto de Roma contou, ainda, que teve um momento à lá X-Men na classificação, já que assim como o Ciclope, usou a visão laser para focar apenas na pista, em nada mais.

"Fizemos um Q1 louco e um Q2 incrível", resumiu. "Estava focado como um laser, não estava sequer vendo as gotas de chuva e, no fim, veio esse momento de alegria. Gostaria de dedicar esse momento de alegria a todos que me apoiam", acrescentou.

O ex-Moto2, contudo, não foi o único jovenzinho a se destacar em um dia onde as equipes satélites brilharam. Também montado em uma Ducati GP21, Marco Bezzecchi foi só 0s088 mais lento do que Di Giannantonio e garantiu o segundo lugar, também estreando na primeira fila do grid.

"Foi um resultado inesperado, especialmente aqui em Mugello", assumiu Bez. "No início da classificação, quando vi as primeiras gotas de chuva na moto, não estava convencido de que poderia forçar 100%, também considerando que este é um circuito muito rápido. Mas fechei os olhos e tentei tudo', relatou.

Marco Bezzecchi vai largar em segundo em Mugello (Foto: VR46)

"Foi um ótimo esforço de equipe e ótima moto! Estamos trabalhando duro, a meta é permanecermos mais e mais constantemente no vácuo dos caras mais rápidos e ganharmos mais confiança pilotando", explicou. "A primeira fila de hoje é resultado do que fizemos até aqui, sessão a sessão. Para amanhã, temos de focar no ritmo de corrida. Ele não é ruim no momento, mas têm pilotos mais fortes do que nós", reconheceu.

As surpresas, todavia, não pararam por aí. A última vaga na primeira linha da grelha também ficou com a equipe de Valentino Rossi, com Luca Marini aparecendo só 0s171 mais lento do que o Di Giannantonio para ficar na terceira colocação.

O filho de Stefania Palma destacou que, por causa da chuva que começou ainda na quarta sessão de treinos livres, foi importante ler bem as condições do asfalto.

"Hoje foi uma classificação particularmente complicada: neste circuito, atingimos velocidades particularmente incríveis e, com a chuva, que começou no início da sessão, foi importante entender as condições exatas do asfalto e não correr muitos riscos nessas condições criticas", pontuou Luca.

Ainda assim, Marini destacou o dia memorável da equipe, que começou com a retirada do #46 de Valentino, que não poderá mais ser utilizado na MotoGP. O tio da pequena Giulietta, porém, admitiu que não está plenamente satisfeito com o ritmo de corrida.

Luca Marini é a primeira GP22 no grid italiano (Foto: VR46)

"Foi um ótimo dia para toda a equipe, com a aposentadoria do #46, a Ducati e os pilotos italianos diante da torcida de casa", comentou. "Amanhã será difícil, não estou 100% satisfeito com o ritmo, tenho de achar de 0s2 a 0s3 para poder ficar com os primeiros em um ranking de intervalos muito pequenos", acrescentou.

A 'rebeldia' das motos satélites, porém, não parou por aí. Johann Zarco anotou 1min46s383 e ficou com o quarto posto, abrindo a segunda fila.

"Foi uma classificação muito difícil, pois não foi fácil entender qual era o melhor pneu usar", contou o francês. "No entanto, estou muito confiante para a corrida. Fizemos um bom trabalho até aqui e nossas expectativas são boas. Está claro, no entanto, que ainda falta alguma coisa. Vamos tentar encontrar amanhã de manhã", anunciou.

Defendendo a honra das fábricas, Francesco Bagnaia vem em quinto, 0s315 atrás de Di Giannantonio, fechando o segundo 1-2-3-4-5 da Ducati no ano ― o primeiro foi no GP das Américas, com Jorge Martín, Jack Miller, Pecco, Zarco e Enea Bastianini.

"Se estou decepcionado com o resultado da classificação? Não, estou bastante contente", disse Francesco. "Estava esperando uma primeira fila, mas as condições não me permitiram atingir o alvo", comentou.

Francesco Bagnaia é a melhor moto de fábrica no grid (Foto: Divulgação/MotoGP)

"Não me senti à vontade para forçar 100%, pois estava chovendo em algumas áreas da pista. Outros tiraram mais vantagem disso", assumiu. "Tentei dar tudo de mim, mas, provavelmente, não tive a convicção certa, os outros começaram a forçar mais cedo", considerou.

No meio da segunda fila, Bagnaia, que é um dos favoritos à vitória na corrida, se mostrou confiante em um bom desempenho, mesmo sem esperar facilidades.

"Estou bem confiante nas minhas possibilidades. Pilotei tanto com o pneu médio quanto com o duro e sei que posso ser rápido em todas as condições. A minha meta será passar os pilotos na frente, mas não será fácil. Todos querem um bom resultado", frisou.

Líder do Mundial, Fabio Quartararo chega com a missão de ser a primeira não-Ducati no grid: uma honra e um pesadelo ao mesmo tempo. Afinal, se encerrar a hegemonia de motos italianas pode ser motivo de orgulho, saber que terá de encarar um paredão de Desmosedici com uma YZR-M1 que, reconhecidamente, tem déficit de velocidade não é lá uma notícia muito auspiciosa de se receber.

Fabio Quartararo defendeu a honra das motos não-italianas (Foto: Divulgação/MotoGP)

"Durante os treinos livres, não fiquei nada satisfeito com as minhas sensações com a M1. Por isso, tendo em vista a classificação, mudamos o acerto da moto", contou. "Levando tudo isso em conta, posso dizer que uma sexta colocação em Mugello com a Yamaha é quase uma dádiva, levando em conta a nossa inferioridade em termos de velocidade máxima", comentou o francês, que atingiu um máximo de 351,7 km/h no Q2 da classificação, contra 360 km/h de Enea Bastianini, o líder do Speed Trap.

"Em comparação com o ano passado, a nossa moto é muito parecida, mas sofri mais neste circuito. De qualquer forma, nas condições particulares que encontramos na classificação, vários novos pilotos entraram no topo e acho que a corrida de amanhã pode ser muito interessante, tanto para assistir quanto para disputar", previu.

Só 0s001 mais lento que 'El Diablo', Aleix Espargaró não conseguiu colocar a Aprilia nas duas primeiras filas e vê o paredão de Ducati na frente como um problema para alcançar o objetivo da vitória.

"A MotoGP é selvagem, podo acontecer de tudo e amanhã vou sair para vencer", anunciou. "É uma corrida muito importante e vou dar tudo. Tem momentos em que você não deve pensar no campeonato e este é um destes fins de semana. Óbvio que vou usar a cabeça, mas têm dias que temos de aproveitar. Sei como esta corrida é importante para a Aprilia. Vou tentar aproveitar", seguiu.

Mesmo se armando para dar combate ao poderio de Borgo Panigale, Aleix reconheceu a força do adversário.

Aleix Espargaró avaliou que jovens na ponta vão atrapalhar estratégia na corrida (Foto: Divulgação/MotoGP)

"A Ducati fez muito bem seu trabalho, tem uma moto que, seguramente, é a melhor há três anos, e fizeram um bom trabalho com os jovens. Ontem, Jorge Lorenzo disse na TV que só faltou para a Ducati um Casey Stoner ou um Marc Márquez, e ele tem razão, ou agora, com certeza, eles teriam cinco títulos", reconheceu.

Em um grid puxado por Di Giannantonio, Bezzecchi e Marini, Aleix prevê um inicio de corrida explosivo, já que prudência e jovens pilotos não são expressões que costumam compor a mesma frase.

"É por isso que eu estava muito irritado depois do Q2, pois sei o quanto me complica a vida este grid. Mas era uma situação muito perigosa e os jovens, não que eles sejam ignorantes, mas são mais inconscientes diante do perigo e dos limites. Se saíram muito bem e foram muito valentes, mas vamos ver até onde eles aguentam amanhã. Vai ser muito difícil", frisou.

A largada, aliás, é um ponto de preocupação, já que Aleix vê a RS-GP atrás da Desmosedici neste quesito.

"Melhoramos um pouco, mas não estamos no nível da Ducati neste quesito. Além disso, aqui a primeira curva está muito longe e, com a potência dessas motos, as coisas complicam muito", reconheceu.

Com cinco motos no grid, a Ducati parte como favorita, mas a chuva no TL4 atrapalhou as análises de ritmo de corrida. O que parece certo, porém, é que a vitória será de uma moto italiana. Qual delas? Veremos na bandeirada.

A largada do GP da Itália de MotoGP, em Mugello, oitava etapa da temporada, acontece neste domingo, às 9h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.

MOTOGP CUMPRE 1/3 DA TEMPORADA 2022 COM BASTIANINI E GRESINI EM EVIDÊNCIA

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