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Clima prega peça e deixa MotoGP com estratégia incerta para GP de Portugal

Depois de realizar todos os treinos livres com pista molhada, a classe rainha do Mundial de Motovelocidade viu a pista secar parcialmente para a classificação, primeira vez que os slicks conseguiram sair da garagem. Para domingo, porém, a previsão é de pista seca, o que resulta em uma questão: quem vai calçar o que?

23 abr 2022 15h19
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Johann Zarco conseguiu a primeira pole do ano em Portimão
Johann Zarco conseguiu a primeira pole do ano em Portimão
Foto: Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

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O clima preparou uma pegadinha para a MotoGP em Portugal. Depois de dois dias de frio e muita chuva, os pneus slicks deram o ar da graça pela primeira vez neste sábado (23) em Portimão, mas apenas para tocar uma pista meia úmida durante uma sessão de classificação, onde não dá tempo nem de analisar compostos e menos ainda de testar acertos.

Mas é exatamente neste cenário que a classe rainha do Mundial de Motovelocidade vai para a quinta etapa da temporada 2022. Depois de quatro sessões livres com pista molhada e pneus sulcados, a previsão do tempo indica pouca ― ou quase nenhuma ― chance de chuva para a corrida de amanhã. Sendo assim, a escolha de pneus será feita meio que na sorte: os pilotos vão depender das sensações que conseguirem experimentar durante os 20 minutos do warm-up, das orientações dos técnicos da Michelin e da experiência prévia, tanto com a pista, quanto com os calçados e com as próprias motos.

PRÉVIA MOTOGP

Todos os treinos da MotoGP foram com chuva, mas a corrida deve ser no seco em Portugal (Foto: Red Bull Content Pool)

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Dada a falta de experiência com os slicks, a Michelin espera ver os pilotos apostando na 'bola de segurança'. Ou seja, em par de pneus médios, a opção da corrida de Portimão em novembro passado.

Desta vez, porém, quem vai puxar o pelotão será Johann Zarco, que não sai da pole-position desde o GP da Alemanha do ano passado. Nas três edições anteriores da prova lusitana, o dono da pole foi sempre quem saiu para vencer a corrida, o que aconteceu com Miguel Oliveira em 2020 e com Fabio Quartararo e Francesco Bagnaia em 2021.

"A pole, para mim, não significa uma vitória no dia seguinte, mas ajuda a construir alguma confiança e é uma vantagem para o início para ficar imediatamente em um bom grupo de não ter de imediatamente luta demais ou perder tempo com as pessoas te ultrapassando ou tentando ultrapassar", disse Zarco. "É uma vantagem que preciso usar, mas o mais importante é que consegui encontrar alguma velocidade durante os 15 minutos e vou tentar seguir forçando deste jeito amanhã, então estou mais feliz com a pole por causa do que isso pode me ajudar a construir essa confiança do que pela estatística", garantiu.

O piloto da Pramac classificou a pole como "perfeita", mas reconheceu que não esperava alcançar a ponta do pelotão no traçado do Algarve.

"A minha primeira pole da temporada. Não imaginei que poderia fazê-lo aqui, mas aprendi muito", ressaltou.

0s195 mais lento do que Zarco, Joan Mir ficou com o segundo lugar no grid, a melhor posição de largada do campeão de 2020 na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Apesar do bom dia, o espanhol reconheceu que foi um treino difícil, também por ter assistido tantas quedas na primeira parte do treino.

"Acho que a classificação foi um desafio para todos, especialmente depois de assistirmos tantas quedas no Q1 e termos tantas dúvidas em relação aos pneus", disse Joan. "Me sinto contente com a posição, mas, especialmente, com confiança. Estamos fazendo a confiança em cima da moto aumentar desde a primeira corrida o Catar e, passo a passo, vou melhorando", avaliou.

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Joan Mir conseguiu o melhor grid da carreira na MotoGP em Portugal (Foto: Suzuki)

"Estou recuperando as sensações que queria recuperar, então me vejo preparado", ponderou. "Me sinto mais forte do que nunca. Estou muito contente com o que fiz. Vamos ver como será na corrida de amanhã", continuou.

Quarto colocado na classificação do Mundial de Pilotos, Mir avaliou que fez um bom início de temporada, mas sente que está ficando ainda mais forte com o passar das corridas.

"Acho que tivemos um bom começo de temporada, mesmo que não tenha sido espetacular. Mas me faltava algo, e desde Austin aprendi que cada vez vou melhorando com esta moto, então o importante é que os passos à frente que vamos dando sejam firmes", alegou Joan. "Vamos largar na primeira fila, o que tira muito trabalho de cima. Você só precisa ser capaz de gerir bem a corrida. Vai ser uma experiência mais calma. Saber que não precisa recuperar tantas posições acalma, ainda que não possa relaxar, pois isso é a MotoGP", completou.

Dono de uma vitória na temporada, Aleix Espargaró colocou a Aprilia no terceiro posto do grid e reconheceu que também ficou preocupado com as condições da pista durante o treino.

"Estou realmente feliz, pois estas condições são sempre difíceis para mim e fiquei até um pouco preocupado com todas as quedas que vimos, especialmente pensando que estamos só na quinta corrida da temporada", disse Aleix. "Então eu fui para a pista com calma, querendo usar os primeiros minutes para entender a pista e aí forçar", explicou.

O catalão destacou que será um desafio acertar na escolha de pneus e também no preparo da moto, já que ninguém treinou nas condições que enfrentarão no GP de Portugal.

"Para amanhã, vamos ver. Primeiro e antes de mais nada, temos de ver o que vai acontecer com o clima", alertou. "Eu fui competitivo na chuva, cheguei no top-10, mas também me sinto confiante no seco. Me sinto bem na moto e poderemos lutar pelo pódio com as condições certas", completou.

Aleix Espargaró fecha a primeira fila da MotoGP em Portugal (Foto: Aprilia)

Uma das grandes surpresas do dia foi Marco Bezzecchi. Novato na MotoGP, o italiano ficou com o sexto lugar no grid. Na primeira visita de Valentino Rossi ao paddock desde a aposentadoria, o pupilo do italiano foi 0s713 mais lento que o dono da pole.

"Estou realmente feliz com a classificação e com a sensação tanto no molhado quanto em condições intermediárias, uma das minhas características nas classes menores", disse Marco, que lamentou uma forte queda na manhã deste sábado. "É uma pena a queda desta manhã, estava um pouco acima do limite. A equipe fez um grande trabalho e ter Vale na garagem me deu motivação extra. Podemos dar um último passo com os dados para sermos competitivos mesmo se estiver seco", ponderou.

Quem deu azar mesmo foi Marc Márquez. O hexacampeão da MotoGP ficou perto da pole-position, mas acabou tendo a melhor marca cancelada por conta de uma bandeira amarela causada por um tombo de Pol Espargaró.

"Hoje a sorte também não nos acompanhou, mas isso faz parte do jogo. A minha volta foi cancelada por causa de uma bandeira amarela e amanhã será a de outro", disse Marc. "O importante é que a velocidade estava lá e, quando quis forçar, saiu. Amanhã teremos de ter um pouco de sorte em termos de acerto base com que vamos sair para o warm-up e com a escolha de pneus. São nesses detalhes que todos nós temos de ter um pouquinho de fortuna se quisermos optar por algo na corrida", comentou.

"Largando na nona colocação, tudo será mais difícil, mas as primeiras voltas vão nos dizer onde podemos chegar", previu.

A volta cancelada na classificação, porém, não foi o único revés de Marc Márquez no dia. Durante o terceiro treino da manhã, o espanhol sofreu uma forte queda, inclusive com um impacto na cabeça que acabou por danificar a viseira do capacete.

"Estou bem, tenho um pouco de dor na cervical e estou mais rígido do que o normal, mas sem problemas", contou.

Apesar do susto, Marc viu um ponto positivo na queda, já que na sentiu nenhum outro efeito colateral, como a diplopia.

"Nenhuma queda é necessária, mas quando fui para Austin, a primeira coisa que perguntei ao médico foi o que poderia acontecer se eu caísse outra vez e batesse a cabeça. E ele me disse que o risco era o mesmo agora ou daqui um ano", relatou. "Hoje eu bati a cabeça, mas foi uma queda mais normal, mais padrão, como quando você cai e bate o ombro ou o capacete, que é para isso que uso. Vocês viram como eu levantei na Indonésia, meio tonto, e como fiz hoje, correndo para a moto e voltando para os boxes", comparou.

Com treinos na chuva e previsão de um GP no seco, Marc destacou que é impossível fazer previsões, mas frisou que, claro, vai para a pista pensando em vencer.

"Amanhã, não dá para largar com um resultado na cabeça. Depois do warm-up, dá para intuir um pouco mais onde você pode acabar, se não chover. Mas é muito difícil intuir agora em uma corrida em pista seca", comentou. "Depois de ter feito todos os treinos no molhado, chegar na corrida de repente no seco é muito difícil intuir onde podemos terminar. Então não dá para ter um objetivo claro. Acho que ninguém tem", observou.

"Logicamente, vou largar aspirando pelo melhor, que significa ganhar. Isso significa fazer uma boa largada, tentar recuperar posições e me posicionar entre os ponteiros, o que quer dizer entre os cinco primeiros", detalhou. "A partir daí, veremos onde podemos chegar. É um pouco um improviso. Vamos largar com a moto com que terminamos a última corrida, acho que todo mundo fará a mesma coisa, e veremos o que acontece. Não temos referências aqui com esta moto. Vamos ver se temos sorte e se a moto funciona como em Austin, que, até agora, foi onde me senti melhor", comentou.

Líder do Mundial, Enea Bastianini também sofreu um revés. O italiano da Gresini caiu no fim da classificação, ainda no Q1, e, com 1min50s618, vai largar apenas em 18º.

"Levamos um golpe grande e é uma pena", lamentou Enea. "Fomos para a pista com a ideia de marcar tempo com pneus de pista molhada e fizemos isso. Aí vimos que a pista estava secando e decidi tentar de novo, mas com slicks. Não consegui aquecer os pneus o suficiente e fui longe demais", reconheceu.

"O punho direito está doendo um pouco, mas tenho certeza de que não tenho nada quebrado. Então estamos prontos para atacar amanhã", concluiu.

A largada da MotoGP para o GP de Portugal, em Portimão, acontece no domingo, às 9h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da quinta etapa do Mundial de Motovelocidade 2022.

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