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Rafaela Silva associa doping a uma brincadeira com bebê

Campeã olímpica testou positivo para substância usada no tratamento de asma durante o Pan

20 set 2019
16h20
atualizado às 16h39
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A judoca Rafaela Silva acredita que o resultado analítico adverso para fenoterol, substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada), detectado durante os Jogos Pan-Americanos de Lima pode estar relacionado a uma brincadeira com um bebê. Nesta sexta-feira, ela defendeu sua inocência em coletiva na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

A carioca contou que, no dia 4 de agosto deste ano, teve contato com Lara, de sete meses, filha da judoca Flavia Rodrigues. Ela teria deixado a criança chupar seu nariz, uma brincadeira que costuma fazer com seus sobrinhos. Essa pode ser a chave para explicar o problema. O fenaterol tem efeito broncodilatador e é utilizado no tratamento de doenças respiratórias, como a asma. É o caso da menina.

Rafaela Silva deu sua versão para o caso de doping em coletiva no Rio de Janeiro (Foto: Jonas Moura/Lance!)
Rafaela Silva deu sua versão para o caso de doping em coletiva no Rio de Janeiro (Foto: Jonas Moura/Lance!)
Foto: LANCE!

A substância é vetada pela Wada pois provoca aumento de performance, uma vez que permite melhor troca gasosa entre o sangue e o pulmão. O teste que trouxe dor de cabeça para a judoca foi feito no dia 9 de agosto, quando ela conquistou o ouro no evento continental, na categoria até 57kg.

- Eu tenho a mania de deixar as crianças chuparem meu nariz. Descobri que uma delas com quem tive contato fez o uso (da substância), então pode ser um dos motivos - disse Rafaela em coletiva, ao lado do ex-judoca Flávio Canto, do Instituto Reação.

A judoca contou que ficou sabendo do resultado um dia antes de entrar no tatame do Campeonato Mundial, que aconteceu em Tóquio, no final de agosto. Ela voltou a ser testada no evento, no dia 29 de agosto, e todos os exames deram negativo. Na ocasião, levou dois bronzes, um no individual e outro por equipes.

- Tudo isso me fortaleceu. Coloquei na cabeça que tinha de subir no pódio para ser sorteada para o antidoping e, assim, provar que não tive culpa. Isso é mais uma batalha na minha vida e isso me fortalecerá - disse a campeã olímpica.

O bioquímico Luis Claudio Cameron, que compõe a equipe de defesa da atleta, afirmou que a tese é perfeitamente plausível e tranquila de ser defendida.

- Como o fenoterol tem meia vida bastante curta, não há nenhuma incompatibilidade em relação aos dois resultados. É um broncodilatador, extremamente usado no dia a dia, é muito tranquilo considerar que uma criança que acabou de fazer nebulização levou à exposição. Como houve o contato com as vias aéreas, é plausível. As janelas de tempo e as quantidades que temos ate agora, parecem ser coerentes com a tese. Ela é tranquila de ser defendida - disse Cameron.

Rafaela não sofreu até o momento nenhuma suspensão e está livre para competir. O advogado Bichara Neto explicou que cabe agora à Federação Internacional de Judô (IJF) analisar o caso e aplicar ou não uma suspensão.

- É uma substância especificada, então a suspensão não é obrigatória. Sustentaremos que ela não deve ser suspensa preventivamente. Ela vai mostrar que não usou com culpa. No momento, o único processo iniciado foi perante o Pan. Aguardaremos a IJF abrir o prazo para ela se defender - disse.

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