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Paulo Autuori é apresentado no Botafogo: 'Tudo que sou no Brasil devo ao clube'

Treinador retorna ao Alvinegro, destaca gratidão pelo clube de General Severiano, mas garante que é preciso esquecer o passado e focar em cuidar do futuro

13 fev 2020
15h52
atualizado às 16h58
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O Botafogo apostou em um rosto conhecido para assumir a equipe após a saída de Alberto Valentim. Nesta quinta-feira, Paulo Autuori foi apresentado oficialmente na sala de imprensa Sandro Moreyra, no Estádio Nilton Santos. O novo comandante, que vem para a quarta passagem no Glorioso, destacou a gratidão pelo clube.

- É uma satisfação estar ao lado do Espinosa. Mais do que campeão, é campeão da vida, sempre nos mostrou conhecimento de bola, que é possível ganhar com naturalidade e caráter. É uma honra para mim estar ao seu lado. É um orgulho estar no Glorioso. Tudo que sou como profissional aqui no Brasil devo ao Botafogo, foi o clube que me abriu as portas com duas pessoas muito corajosas, o Antônio Rodrigues e o Montenegro, em 1995 - afirmou.

Paulo Autuori sendo apresentado no Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
Paulo Autuori sendo apresentado no Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
Foto: Lance!

Autuori foi campeão brasileiro em 1995. Durante a entrevista coletiva, inclusive, tal conquista foi lembrada diversas vezes. O treinador faz questão de vibrar pelo passado, mas afirma que a única preocupação na sua quarta passagem no Botafogo será cuidar do futuro.

- Só puderam estar abertas pela oportunidade que o clube me proporcionou. Foi emblemático para mim (1995). Se eu fosse torcedor (naquela época) teria a mesma atitude: "Quem é esse cara?". Por ter encarado as coisas com muita naturalidade que tudo fluiu. Mas é preciso ressaltar que eu não vou mais me referir a esse tempo (1995). Já passou, já foi. Eu quero criar um solo fértil para o futuro, criar uma atmosfera no futuro, temos que olhar para frente - analisou.

MAIS FRASES DE PAULO AUTUORI

Retorno ao Botafogo
- Há um orgulho muito grande de poder estar aqui. Meu objetivo é contribuir nesse momento para que o clube possa ganhar tranquilidade no seu núcleo de futebol. Eu posso trazer aquilo que sempre fui ao longo da minha trajetória pessoal e profissional. A mim me incomoda um pouco ouvir a frase "Eu nasci para ganhar". Ninguém nasceu para perder. Alguns ganham e outros perdem, vivemos entre o sim e o não, o nosso desafio é buscar esse equilíbrio.

Keisuke Honda
- Foi uma contratação muito bem feita. É um profissional exemplar e nós precisamos de referências assim, tanto dentro quanto fora de campo. Em termos técnicos vai agregar muitíssimo ao grupo. Foi uma tirada de mestre do grupo a contratação dele em todos os sentidos.

Atual momento do futebol brasileiro
- Falei isso em 2013, antes da Copa do Mundo. Não tem a ver com defasagem em relação a conhecimento. O futebol brasileiro perdeu coisas que tinha antigamente. Por exemplo, a possibilidade de viajar para a Europa de viajar para torneios de verão. Isso, por si só, já permitia de alguma maneira você ver o que acontecia por lá e a tendência que ocorria em áreas distintas da nossa. O calendário brasileiro não permite. Ele é o grande vilão do nosso futebol.
- Você joga a cada três, mas isso não ocorre em algum momento do ano, é no ano todo. Eu não vi ninguém fazer três perguntas aos profissionais que aqui estão no Brasil, o Sampaoli, o Jesualdo e o Augusto Inácio, se eles em algum momento iniciaram alguma competição com 12 dias de trabalho. Não vi. Queria saber a resposta deles. Não vi perguntá-los se já iniciaram a competição com uma equipe alternativa. Eu já sei a resposta.

Passagem pelo Santos
- Em relação ao Santos foi algo que eu iria ferir completamente meus valores e princípios, mas é um clube que tenho mais orgulho de ter passado como dirigente. Saí com muito orgulho da maneira como esse ambiente foi criado e como ele se prolonga fora das instituições.

Compromissos do calendário
- O calendário brasileiro te obriga a estar focado só aqui, a jogar. Isso gera um atrofia no repertório de treino e ideias de jogo. Ele exige que a gente esteja focado apenas na nossa realidade e nos impediu de ficar ligado nas transformações no mundo do futebol. Disse isso em 2013. Hoje nós estamos a pagar o preço por isso.

Botafogo S/A
- Minha visão é completamente sistêmica. Vou sempre me referir aquilo que tenha a ver com o futebol. Uma coisa é informação, outra é conhecimento. Vivemos a era da informação, as pessoas têm a informação, mas isso não quer dizer que possuem conhecimento.

O que mudou do Autuori de 1995 para o de 2020
- Chego com 63 anos. A essência do futebol não mudou e não vai mudar nunca, que é a qualidade técnica do futebol. Antigamente os jogadores falavam comigo "E aí, bicho?", agora é "E ai, bro?". Se alguém me chamar de bro eu vou entender. Ser idoso faz parte da idade, mas ser velho é quando você joga a âncora. São contextos diferentes. Prefiro não expressar por palavras, mas sim com hábitos e gestos no dia a dia.

O que acha que vai fazer a passagem dar certo
- Nada me faz acreditar nisso a não ser coragem de enfrentar desafios. A mesma coragem do dia que entrei no Caio Martins. Só que agora, além de agora, eu tenho um rastro. Isso tudo me traz muita tranquilidade. Eu não consigo mais analisar futebol sem três vertentes antropológicas: filosófica, antropológica e sistêmica. Quem faz o futebol são as pessoas. Falar em pressão no futebol é a coisa mais vulgar do mundo, acontece e é cruel.

Possibilidade de jogar na quarta-feira, pela Copa do Brasil, contra o Náutico
- Essa é realidade do treinador brasileiro. É o "privilégio". Essa indefinição de datas é algo que sou extremamente crítico. Por isso que acho que temos que entender que, quando não tiver uma ideia que os intervenientes do futebol, é para ter coesão dificilmente vamos desfrutar no Brasil aquilo que vemos no futebol da Europa. Começar e já ter que jogar é a coisa mais natural e nefasta no futebol brasileiro.

Elenco com jovens e experientes
- Temos outra referência aqui como profissional aqui, que é o Diego Cavalieri. Acho que tem espaço para todos. Tem horas que você tem que conversar pessoalmente, se você não tiver capacidade de gerir pessoas você não consegue colocar o seu conhecimento. Em outros momentos você não sabe tanto, mas consegue gerir pessoas e aí acaba conseguindo chegar aos objetivos.

Como lidar com o elenco nesse começo
- Primeira coisa que vou perguntar é o que eles sentem que conseguiram achar de sólido das ideias do Valentim. Vamos dar continuidade nisso. É claro que adicionando algumas novas ideias. O que se descreve para mim é dar motivação. Em um grupo jovem, é interessante. É preciso o equilíbrio, também ter jogadores com experiência é fundamental, desde que preencham aquilo que a gente precisa.

Atual momento do futebol brasileiro
- A coisa mais linda é a diversidade, entender as minorias. É extraordinário, a essência da vida. O que me preocupa é a ditadura da maneira como você tem que jogar. As pessoas exigem que você jogue de uma única maneira: pressionando alto e jogando de trás. O jogo de futebol pode ser interpretado de outras formas. Não vou permitir essa ditadura de maneira nenhuma. Minhas equipes sempre tentaram jogar futebol, faz parte da minha essência. Não me permito ficar acuado esperando agir.

Lecaros e análise do elenco
- Sou bem sincero, não conheço o peruano, até pedi informações sobre ele. Como todo profissional do futebol, é dever nosso estar à parte. Em função da globalização e da facilidade de obter imagens. Tenho conhecimento em relação a quem são os jogadores e amigos que trabalharam aqui, um deles é o Barroca, terá uma brilhante carreira. Seguramente vou falar com o Alberto, que já teve relação com o grupo. Normalmente, não deverá ser um problema.

Passagem de Valentim
- Eu peguei uma frase de um amigo peruano, que dizia: "O futebol é dinâmico". Ele permite que quem não fez nada para ganhar, ganhar e quem fez tudo não levar nada. Acredito que o Alberto fez tudo para ganhar. Me lembro da Inter de Milão quando o presidente era o Moretti, gastava milhões e não conseguia ser vitoriosa. Também vi outra pessoa que sempre renovava o grupo: Alex Ferguson. Ele ganhava dois, três anos e renovava parte do grupo. O oposto disso, o Milan, que espremeu aquela geração vitoriosa até onde deu e paga o preço disso até hoje.

Lance!
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