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Opinião: o que podemos aprender com a convocação do contestado Marcinho?

Lateral-direito do Botafogo vem atuando como ponta e conviveu com as críticas de forma constante nos últimos dois anos. O que o levou a vestir a camisa amarela?

27 set 2019
19h12
atualizado às 21h30
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A surpresa pela convocação de Marcinho se justifica. O lateral-direito do Botafogo, que vem atuando também como ponta-direita, tem mais vaias do que aplausos desde que estreou pelo time profissional, em 2017. Mas o que explica o chamado de Tite?

Marcinho tem 23 anos e é titular da equipe de Eduardo Barroca (Foto: Divulgação/Botafogo)
Marcinho tem 23 anos e é titular da equipe de Eduardo Barroca (Foto: Divulgação/Botafogo)
Foto: Lance!

A lógica contra teorias da conspiração nos faz olhar para o mapa. A lateral direita é a posição mais carente da Seleção Brasileira atual. Desde o ano passado, na verdade. Tanto que o titular é o quase quarentão Daniel Alves e o outro jogador de confiança era Fagner, de 30 anos.

Diante da renovação difícil - a Seleção Olímpica tem Emerson, do Betis (ESP) e Guga (Atlético-MG), que não são titulares - a consistência como titular do Botafogo naturalmente passa a pesar. Mesmo que não atinja nível tão mais alto, Marcinho, de 23 anos, chegará na Copa do Mundo do Qatar com idade próxima do auge físico. É possível imaginar esperança em Tite.

Tanto que o treinador já elogiou publicamente do atleta botafoguense, que já esteve cotado em outras oportunidades. Os problemas defensivos dele são conhecidos. Chegam a ser normais para quem até os últimos anos de categorias de base era ponta. Explicam as vaias da arquibancada.

No Botafogo, Marcinho foi o escolhido como alvo de sonoras críticas desde antes da longa má fase ter início, na metade da temporada passada. E ela durou... até meados deste 2019. Mas passou. E o volume ofensivo, comum a pontas (como ele já foi), mas raro a laterais, lhe faz ganhar pontos, de certa forma, no time e na Seleção.

Os treinos com a comissão técnica nacional e o tempo dirão se a aposta de Marcinho se justifica ou se a piada cibernética desta sexta-feira se prolonga. Na prática, o que se vê é o torcedor botafoguense assistir ser valorizado um jogador revelado na base do clube, e que poderá gerar retorno financeiro.

Ironia do destino: o convocado para o lugar de Danilo não é o único, mas é mais um patrimônio de clube endividado que foi desvalorizado, mas poderá, a partir de agora, ajudar a minimizar os problemas financeiros da instituição. Não foi o primeiro, nem será o último.

Quantos ainda jovens são "queimados"?

Felippe Rocha é repórter do LANCE!, atualmente setorista do Vasco, mas cobriu o Botafogo entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018.

Lance!
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