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No adeus, Diniz critica Celso Barros: 'Foquei em quem remava junto'

Treinador agradeceu ao presidente Mário Bittencourt pela confiança no trabalho, a quem considera um amigo. Quanto ao vice geral, o ex-técnico do Flu nem pronunciou o nome

19 ago 2019
19h35
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Poucas horas após a demissão, Fernando Diniz concedeu as primeiras palavras como ex-treinador do Fluminense. O técnico avaliou que o trabalho foi positivo, demonstrando uma certa frustração em sair do clube. A coletiva deixou claro que a sua saída passou diretamente pelo vice geral Celso Barros, que não foi citado em seus agradecimentos.

Fernando Diniz se sentiu fritado pelo vice geral Celso Barros (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Fernando Diniz se sentiu fritado pelo vice geral Celso Barros (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Foto: Lance!

- Vou fazer um agradecimento especial ao Pedro Abad, ao Fabiano (Camargo, ex-vice presidente de futebol) e ao Mário Bittencourt que é um cara muito humano, excelente presidente, um cara jovem que trabalha incessantemente pelo clube e deu uma contribuição gigantesca. Saio daqui com muito carinho e admiração.

Questionado sobre a ausência do homem forte do futebol em suas palavras, Fernando Diniz foi taxativo e mostrou descontentamento em ter sido criticado publicamente pelo dirigente em entrevista concedida na semana passada.

- Eu agradeço as pessoas que merecem ser agradecidas. Essas três eu agradeço reiteradamente. Tive uma conversa muito profunda com o Mário, que é um amigo que fiz. Eu não acho (coletiva do Celso Barros) que abalou o desempenho porque os jogadores são muito maiores do que aquele tipo de entrevista que foi dada. Coisas aconteceram porque tem que acontecer.

Desde o início da gestão, Celso Barros dava a entender que não gostava tanto do trabalho de Fernando Diniz e deixou bem claro que em caso de derrota para o CSA, o treinador poderia ser demitido. O técnico entendeu da mesma maneira, tanto que alfinetou o dirigente afirmando que ele não "remava junto".

- Ele não atrapalhou o meu trabalho. Só é atrapalhado quando o jogador é afetado com algo de fora e isso não aconteceu. A gente continuou jogando bem, então não teve influência no trabalho. Agora, frontalmente sobre as declarações, para quem entende de futebol, ficou nas entrelinhas para todo mundo de que talvez fosse um desejo que o trabalho fosse interrompido logo na chegada dele. Mas quem pode responder isso é ele. Eu procurei focar claramente em quem estava remando junto e o Mário remou e conseguiu pagar em 60 dias, três meses de salário. Ele quer ajudar o Fluminense, sem vaidade individual. Eu torço muito para que ele faça um grande trabalho - disse Diniz que completou.

- Não tenho mágoa, absolutamente. Eu tenho que ter mágoa com quem eu gosto e gosta de mim. Eu não tenho nada, absolutamente nada.

Fernando Diniz foi contratado no início do ano e comandou o Fluminense em 44 jogos, somando 18 vitórias, 11 empates e 15 derrotas. Levou o Tricolor até a semifinal do Carioca, oitavas de final da Copa do Brasil e quartas de final da Copa Sul-Americana, competição em que o Tricolor segue vivo. Já no Campeonato Brasileiro, não conseguiu um bom desempenho. O time ocupa a 18ª posição com apenas 12 pontos.

Confira outros tópicos da entrevista:

Usar e base e recuperar Paulo Henrique Ganso
- Lancei o Miguel, que é um menino de 16 anos que está jogando porque tem condições de jogar. Marcos Paulo e João Pedro havia a ideia de que eles teriam que ter um tempo no sub-20 e eu os trouxe para os profissionais. A própria recuperação do Ganso, no sentido que ele é capaz de correr os 90 minutos, de dar carrinho, de ajudar a equipe e não só o Ganso talentoso que não se movimentava em campo. Esqueci de alguns fatos, mas isso são resultados muito importantes para mim. O Fluminense fica em uma boa situação.

Agradecimentos aos torcedores
- Tenho que agradecer e muito aos torcedores. Sou péssimo em fazer média, então isso vem do fundo do coração. Eu nunca vi uma torcida apoiar um time e um treinador com resultados negativos. Então tenho que tirar o chapéu para eles, que souberam torcer e muito para o time conquistar os resultados, principalmente para ganhar do jeito que a gente estava jogando.

Sem arrependimentos
- De supetão não. Eu acredito que jogando bem, a chance de ganhar é maior. Jogo contra o CSA foi quase uma aberração. Finalizamos 33 vezes e os caras deram dois chutes ao nosso gol. O VAR errar tão claramente de novo. A gente tem coisa a melhorar, mas temos que valorizar o que foi feito e saber onde melhorar. O time tem muito a melhorar. O imponderável jogou muitas vezes contra o Fluminense no Campeonato Brasileiro.

Frustração em ser demitido
- Ficar era o meu desejo. Acreditava que daria para reverter, mas não sou eu que decido. Essa é uma crença minha muito forte. Os jogadores responderam muito bem sob o meu comando, principalmente em grandes jogos, como esse que está por vir contra o Corinthians. Jogamos bem contra o Grêmio, na Arena, o Cruzeiro, em Minas, o jogo contra o Santos, na Vila. Então a gente tinha uma boa chance de jogar bem na quinta-feira e ter um bom resultado.

Mudança na mentalidade e Fluminense não cai
- Os quatro rebaixados do ano passado jogaram diferente da maneira que eu jogo. Eu acredito que o trabalho do treinador é otimizar as chances de se fazer gol e diminuir as do adversário e isso fizemos na maioria dos jogos. Mas essa mudança já está em curso. Agradeço muito aos jornalistas e ao torcedor. Futebol é alegria e não é apenas o resultado do jogo. Dificilmente o Fluminense vai cair. O grupo é muito bom. Estávamos quase em quatro meses de salários atrasados, tivemos uma logística terrível, quase 20 horas de viagem para a Colômbia, comandei um treino na véspera do jogo contra o Atlético Nacional, na chuva, no frio e acabou a atividade estavam todos sorrindo.

Legado para o sucessor
- Eu deixo um time harmonioso, que trabalhou muito. Inversamente é o número de lesões. Nossos números são baixos. A questão tática é um sub-produto do principal. A harmonia entre os jogadores tem que ser mantido. Estilo cada um tem o seu. Eu acredito que a relação com os jogadores foi o meu maior legado. O Caio Henrique por exemplo foi rebaixado com o Paraná e hoje é um dos jogadores mais queridos pelo torcedor. Isso só pelo fato de fazer ele acreditar. Talvez sozinho isso demoraria mais um pouco. Quem chegar e tocar essas coisas, vai fazer o Fluminense engrenar no Campeonato Brasileiro e também ter sucesso na Copa Sul-Americana.

Sem planos para o futuro
- Eu ainda não pensei no que vou fazer. Hoje é aniversário do meu filho. Entendo que a minha família precisar mais de mim e me consolo com isso. Vou ficar com a minha família, que é o meu porto seguro, a coisa mais importante da minha vida e depois eu vou ver. Não tenho em mente o que vou fazer daqui para a frente.

Despedida do elenco
- A despedida foi bonita para caramba, um momento marcante e emocionante porque o trabalho foi emocionante do começo ao fim. Falei como eles saem fortalecidos, do nível que eles chegaram e que estão agora. Para mim é uma satisfação muito grande. Eu cito o Daniel e o Igor Julião que nunca tiveram sequência no Fluminense e estão jogado muito bem. Então a despedida foi emocionante, marcante, profunda e um dos grandes momentos aqui no Fluminense.

Confiança em Marcão como interino
- O Marcão é querido por todos os jogadores. O Fluminense tem profissionais que têm boa gestão com os jogadores. Eles têm como seguir com esse trabalho até a diretoria escolher o novo treinador. O Paulo Angioni também está ali e eles possuem condições de desenvolver um bom trabalho.

Lance!
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