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Luis Fabiano lembra procura do Real, vê identificação 'inexplicável' com São Paulo e ainda sonha em voltar

Aos 39 anos, atacante diz que está praticamente recuperado da lesão no joelho que o mantém fora do futebol há dois anos, lembra de bons momentos e ainda pensa em jogar

28 jun 2020
16h18
atualizado às 16h30
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Luis Fabiano, que está afastado do futebol e tenta se livrar de dores no joelho direito desde que deixou o Vasco, em fevereiro de 2018, não esconde que ainda pensa em jogar no São Paulo.

Luis Fabiano na apresentação de Daniel Alves: ovacionado no Morumbi - FOTO: Rubens Chiri/saopaulofc.net
Luis Fabiano na apresentação de Daniel Alves: ovacionado no Morumbi - FOTO: Rubens Chiri/saopaulofc.net
Foto: Lance!

- Existem dois times que marcaram a minha carreira. Primeiro a Ponte Preta, onde tudo começou, tenho um carinho muito grande. Depois o São Paulo, que me fez chegar a um nível internacional, Seleção Brasileira. O carinho que tenho é muito grande, a identificação é enorme. Se tivesse que escolher (para encerrar a carreira), escolheria um desses dois. Sei que não é fácil, existem outras coisas em jogo. Não é simplesmente chegar lá e falar: "deixa eu bater uma pelada aí". O São Paulo a gente sabe da pressão, tudo o que representa, não sei se seria possível. E a Ponte Preta eu já estive, acabou não dando certo por alguns motivos e acabei saindo. Mas seriam esses dois - contou o jogador de 39 anos, em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil.

Se não tiver mais a chance de jogar profissionalmente pelo Tricolor, o Fabuloso gostaria de pelo menos um jogo de despedida:

- Seria um sonho vestir a camisa do São Paulo mais uma vez no Morumbi. Eu até sonho comigo fazendo gol no Morumbi, rapaz. Mas se não acontecer, estou satisfeito com a minha carreira.

- É inexplicável. Ninguém sabe explicar essa identificação que tenho com o torcedor, com o São Paulo. Todas as vezes que vesti a camisa acho que o torcedor percebeu o amor, a dedicação. Muitas vezes extrapolava porque não aceitava perder ou queria defender a camisa de qualquer jeito, do meu jeito estourado de ser. Isso acabou cativando o torcedor, ele acabou se sentindo representado. Essa paixão é inexplicável, todas as vezes que vou no Morumbi sou recebido de maneira espetacular. Lógico que fiz muitos gols com a camisa do São Paulo, se for ver o lado individual acho que cumpri a minha parte, mas no coletivo não saiu tão bem, não foram muitos títulos, mas mesmo assim essa idolatria e essa identificação são espetaculares - emendou ele, campeão do Rio-São Paulo em 2001 e da Sul-Americana de 2012.

Luis julga estar praticamente recuperado da lesão no joelho, restando apenas retomar a forma física e o ritmo de jogo.

- Depois de dois anos, estou 98% recuperado. Tinha a expectativa de poder voltar (em 2020), mas essa COVID-19 chinês me ferrou (risos). Em muitos momentos eu me questionei se teria condições de jogar um pouquinho. Eu não quero estender minha carreira, mas queria fazer uma despedida de alguns meses, terminar jogando. Nesses dois anos eu me questionei se vale a pena, mas todas as vezes que pensei em parar veio uma força, um incentivo, alguém falando que ainda dá, alguém me propondo algum tratamento, e isso foi me fazendo acreditar que é possível. Os problemas que eu tinha, que eram o edema ósseo e a falta de musculatura, já foram superados. Acredito mais ainda que é possível jogar 15 jogos em um Paulistão ou um Brasileiro. Agora com esse problema de COVID ficou mais difícil, mas eu acreditava que neste ano eu poderia voltar - emendou ele.

Luis Fabiano fez parte do tratamento na Ponte Preta, mas o retorno acabou não se concretizando. No fim do ano passado, ficou bem perto de aceitar um convite do amigo Elano, hoje técnico, para jogar o Estadual na Inter de Limeira.

- Acho que era o time que estava mais próximo de fechar o negócio. A ligação de amizade com o Elano é muito grande. Estava quase assinando contrato, tinha um planejamento muito bacana em volta de tudo isso, mas no momento eu achava que teria pouco tempo para chegar em um rendimento legal, precisava de um pouco mais. Como a Inter só disputa o Paulista achei melhor não arriscar, porque eu ia começar a pré-temporada, entrar em forma, e o campeonato ia estar quase do meio para o fim. São dois anos sem jogar, preciso de alguns meses para entrar no ritmo, preciso de um certo tempo de paciência que não existia na Inter. Achei melhor não encarar o projeto, mas era muito bacana - narrou.

Propostas do Corinthians e até do Real Madrid

Antes de iniciar sua última passagem pelo São Paulo, em 2011, Luis Fabiano tornou-se ídolo do Sevilla (ESP). Nesta entrevista, o atacante conta que recebeu diversas ofertas enquanto esteve na Espanha, inclusive uma do Real Madrid, entre 2006 e 2007.

- Chegaram Manchester City, Shakhtar Donetsk, Real Madrid, Milan e o Olympique de Marselha. Fiz de tudo para ir para o Real Madrid, não vou mentir, não, mas acabou não concretizando. Quando esses times vão contratar, eles têm três opções. Se não der aqui, se enrolar ali, ele parte para outra. E o presidente do Sevilla não liberava fácil. Na ocasião eles levaram, se não me engano, o Van Nistelrooy. Antes, aqui no São Paulo, chegou uma do Barcelona, que não foi para a frente não sei por quê, e do Bétis, que me fez uma sondagem enquanto estava aqui.

Meses antes de convencer a diretoria do Sevilla a vendê-lo ao São Paulo, o Fabuloso teve a oportunidade de jogar no Corinthians, mas diz que não se animou.

- Eu tive convite do Corinthians, uma proposta tentadora, em maior valor que a do São Paulo, mas no fim acabei escolhendo o São Paulo. O Juvenal na ocasião me ligou e disse: "não vai para o Corinthians, estou indo te buscar". Ele falou bem assim, e cumpriu. Mandou o diretor (Adalberto Baptista), ele ficou lá um mês, um mês de negociação com o Sevilla, uma negociação dura, abri mão de bastante coisa, fiquei ligando para o presidente falando que queria voltar, e no fim ele acabou me liberando, só que falou: "desse momento eu não vou participar, saiba que é contra a minha vontade, não vou aparecer em nenhuma reunião". E não apareceu.

- A proposta do Corinthians durou duas semanas, porque o Corinthians ficou insistindo. Não sei se eu jogaria ou não em um time rival, é difícil falar nunca, mas que eu não tinha disposição de ir, eu não tinha. Se eu quisesse eu iria. Tanto que eu falava para o Monti (diretor esportivo): "não aceita a proposta, não (risos)". Depois o São Paulo ficou sabendo, aí, obviamente, entre Corinthians e São Paulo eu nem preciso falar, né?

O Fabuloso encerrou sua terceira e mais longa passagem pelo São Paulo em 2015 - as outras foram em 2011 e de 2002 a 2004. No total, o goleador acumulou 211 gols em 351 jogos. É o terceiro maior artilheiro do clube, atrás de Serginho Chulapa (342) e Gino Orlando (235).

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