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'Lisca Doido', técnico do Náutico é personagem e destaque

15 jul 2015
13h11
atualizado às 14h45
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Sabe qual é o técnico pede para a torcida bradar seu apelido? Ou o responsável por escalar o alambrado de estádio e ir comemorar junto com a torcida do time que comanda? Que tal um treinador que "compra" a briga da torcida e dança para provocar um jogador rival? Estamos falando apenas de um profissional em questão: Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca ou "Lisca Doido", técnico do Náutico, o rival do Flamengo pelo jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil, nesta quarta-feira. Ele é destaque por seus feitos como técnico – o Alvirrubro é o quarto colocado na Série B com os mesmos 24 pontos dos demais integrantes do G4 – e... personagem do futebol, com direito a perfil fake no Twitter.

Lisca é destaque 'dentro' e fora de campo no Náutico
Lisca é destaque 'dentro' e fora de campo no Náutico
Foto: Divulgação / Náutico

Gaúcho de Porto Alegre, Lisca, de 42 anos, começou no futebol em 1996 com um estágio no Internacional, clube do coração, com apenas 18 anos. Em 1996, retornou ao Colorado, tendo passado pelas categorias mirim, infantil e juvenil. Colecionou títulos ao longo de sete anos e participou de formação de jogadores como Daniel Carvalho, Rafael Sobis, Nilmar e Alexandre Pato no Colorado. Na sequência, vieram trabalhos na base de outras equipes até se firmar como treinador de times profissionais. Passou por diversos clubes até retornar ao Juventude, em 2012, no qual já havia comandado o time B quatro anos antes.

De personalidade forte e temperamento às vezes explosivo, Lisca ganhou destaque na casamata do Juventude. O primeiro grande feito veio no Campeonato Gaúcho de 2013, quando o Alviverde eliminou o Grêmio, nos pênaltis, nas semifinais da Taça Farroupilha. Após o feito, ele não teve dúvidas: escalou um dos alambrados do Alfredo Jaconi e foi comemorar com o torcedor do Ju. Celebrar e também reger a celebração. Nascia o "Lisca Doido", apelido que remete ao mascote do clube, o Papo, ou "Papo Doido".

Lisca sabia da necessidade de resgate do Juventude, que sofria na Série D desde 2011. Ter a torcida como aliada seria fundamental para que o time, dentro de campo, continuasse correspondendo na temporada. O sonhado acesso à Terceira Divisão veio com a classificação às semifinais da competição – o Juventude seria vice-campeão – e, após o feito, Lisca, em um carro com teto retrátil, fez um desfile de apenas um veículo pelas ruas de Caxias do Sul, entrando, mais uma vez, para o folclore do futebol gaúcho.

NÁUTICO: UM CASO DE AMOR À 'SEGUNDA VISTA'

Eis que veio a primeira passagem pelo Náutico, em 2014. Lisca alcançava um objetivo na carreira: o de comandar um time que disputasse Série A ou a Série B do Brasileiro. Logo de cara, chamou a atenção da diretoria pelo conhecimento que tinha do Timbu. E ganhou a torcida alvirrubra ao repetir o feito visto em Caxias do Sul. Após o Náutico, em jogo válido pela Copa do Nordeste, encerrar um jejum de quase dez anos ou 21 partidas sem vitórias contra o Sport na Ilha do Retiro, ele levou o torcedor que compareceu ao estádio rival ao delírio com a já conhecida escalada do alambrado. Era Lisca em sua essência. Era o "Lisca Doido" versão Timbu.

– Tem amor a primeira vista né? Com a torcida do Náutico foi amor à segunda vista, pois foi no meu segundo jogo. Era um tabu que incomodava e ganhamos do Sport lá. Sempre tive um apoio muito grande do torcedor do Náutico. Nesse ano, houve uma pesquisa entre a torcida e recebi mais de 50% dos votos como o técnico ideal para voltar (substituindo o demitido Moacir Júnior). Criei uma identificação muito grande, assim como no Juventude – destacou Lisca, ao LANCE!.

A primeira passagem pelo Náutico terminou antes do imaginado e com algumas polêmicas com funcionários do clube, atletas e, principalmente, com o atacante Neto Baiano, então no Sport, e "adorado" pelo torcedor do Timbu. Ambos chegaram a discutir e precisaram ser contidos após uma vitória alvirrubra pelo Campeonato Pernambucano. Já na decisão do Estadual, conquistado pelo Rubro-Negro, o jogador provocou o técnico com declarações e um cartaz feito por um torcedor.

De volta ao Náutico neste ano, Lisca "deu o troco" no jogador após uma vitória do Timbu diante do Criciúma, atual time de Neto Baiano, em jogo da Série B do Campeonato Brasileiro, na Arena Pernambuco. O atacante passou a comemorar seus gols dançando ou "frescando". No Nordeste, a expressão popular "frescar" tem como significados brincar ou provocar, por exemplo. Lisca, a pedido dos torcedores, devolveu as provocações do então atleta do Sport e, mesmo com a cintura dura de gaúcho, "frescou" após novo triunfo alvirrubro na Segundona enquanto Neto Baiano explicava o revés do Tigre em entrevista. A torcida do Náutico, naturalmente, foi ao delírio. Mais uma vez. 

– Esse meu perfil diferente é muito de acordo com o clube. O Juventude também passava por momentos difíceis, disputando Série D... o torcedor tinha até vergonha de vestir a camisa para sair na rua. Percebi que existia a necessidade de trazer esse torcedor para junto do time, passar a energia de pequenas conquistas, isso contagiava o torcedor. O time representa a torcida. No Sampaio Corrêa (seu clube após deixar o Náutico, em 2014), não houve essa ligação, pois o time vinha de dois acessos, não tinha essa necessidade de resgate. O Náutico se assemelha ao Juventude por isso, pois em sofrendo nos últimos anos – explicou Lisca, que garante ter conversado com o jogador e colocado um ponto final na polêmica entre ambos – antes de completar:

– Quando o torcedor grita meu nome, me chama de doido, ele está aprovando meu trabalho, aprovando o desempenho dos jogadores, aprovando o trabalho de todos, não somente o meu. Já tive propostas boas para deixar o Náutico neste ano, melhores financeiramente, mas decidi ficar. Essa aprovação é importante. Estamos fazendo um bom trabalho.

O perfil "diferente" que cativou nova torcida garante muito carinho ao treinador em Pernambuco, assim como o mesmo garante. 

– É muito carinho, é demais. São crianças, senhores e senhoras de idade, torcedores em geral. Ainda sou muito criticado por esse comportamento, a imprensa daqui não entendia muito no começo. Mas sou muito respeitado aqui (Pernambuco), muito bem tratado, recebo muito carinho. O Lisca Doido virou um personagem mesmo (risos).

Esse é Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca ou o já cada vez mais famoso "Lisca Doido". Resta saber se logo mais, na Arena Pernambuco, o técnico do Náutico aumentará a sua coleção de feitos à frente do Timbu. Como treinador e personagem. 

 

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