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Léo, do São Paulo, conta caso de racismo sofrido na infância: 'A maior vergonha da minha vida'

Jogador contou a sua história para a SPFCTV e se posicionou contra o preconceito racial. Lateral está em alta no Tricolor e tem ganho minutos em campo com Fernando Diniz

21 out 2020
20h27
atualizado às 22h09
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Peça importante do São Paulo comandado por Fernando Diniz, o lateral Léo está em alta no clube do Morumbi. Titular contra o Binacional, na última terça, o jogador contou sua história de vida para a SPFCTV, citou um caso de racismo sofrido na infância e se posicionou contra o fim do preconceito racial no país.

Léo tem recebido cada vez mais espaço no São Paulo sob o comando de Fernando Diniz (Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Léo tem recebido cada vez mais espaço no São Paulo sob o comando de Fernando Diniz (Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Foto: Lance!

Nascido no estado do Rio de Janeiro, Léo teve uma infância pobre e, desde pequeno, apostou no futebol como profissão. Revelado na base do Fluminense, o hoje jogador do São Paulo relembrou do dia em que foi expulso de um shopping center por conta de sua cor. Segundo ele, aquele episódio foi a maior vergonha de toda a sua vida.

- Hoje, está muito nítido. Passei preconceito e partiu o meu coração. Ali eu pensei em desistir. Foi a primeira vez em que eu pensei em desistir e pensei que não dava mais para mim. Eu não aceito e nunca vou aceitar o racismo. Eu entrei em um shopping e eu fui mandado embora por causa da minha cor. Isso não existe. O cara virou e disse: 'você está aqui para pedir dinheiro?'. Ele começou a me ofender. Eu era menino, cara. Como que você expulsa um menino de um shopping. Eu saí dali e pensei: 'o que eu estou fazendo aqui? Eu não mereço isso'. O preconceito não é de agora, isso já vem de anos. A cor nunca pode definir o caráter de uma pessoa e uma coisa que meus pais e meus irmãos me ensinaram é ter caráter. Aquilo ali eu não desejo para ninguém. Foi a maior vergonha da minha vida. Você entrar em um local público, as pessoas te olhando e você ser expulso por causa do preconceito - contou o são-paulino.

- Eu mostro a minha indignação porque eu sou negro. Eu tenho que defender aquilo que eu sou. Eu sou negro, eu sou isso e pronto. Se você pegar, um presidente que foi exemplo foi um negro, o melhor jogador de todos os tempos é negro, os jogadores top do basquete são negros. E por que um negro não pode vencer na vida? Por que o negro é nojento? Essas pessoas não valorizam por conta de preconceito. Isso é uma vergonha - completou o lateral.

Contratado pelo São Paulo no início da temporada 2019 após boa passagem pelo Bahia no ano anterior, Léo demorou para engrenar com a camisa do clube do Morumbi. Competindo com Reinaldo pela posição de titular, o jogador teve poucas chances de demonstrar seu trabalho, mas seguiu trabalhando.

Neste ano, após conversar com Fernando Diniz e a comissão técnica, o jogador foi testado como zagueiro e ganhou a posição de titular durante algumas rodadas do Campeonato Brasileiro. Atualmente, Léo se reveza entre as funções de lateral-esquerdo e de zagueiro, mas vem sendo importante na temporada.

- O São Paulo foi uma escolha. O momento era de ir para o São Paulo. Sempre treinei, sempre trabalhei para estar no São Paulo. Sabia que uma hora o meu momento ia chegar. Fiquei quase dois anos só treinando, foram um ano e dez meses só esperando a minha vez. O mais importante era o grupo. Se eu treino bem, quem estava jogando ia jogar bem porque estaria preparado. Se os 11 estão ganhando, quem está no banco, quem trabalha na cozinha, o roupeiro, quem é o São Paulo também está ganhando. É você fazer o seu melhor porque uma hora ou outra a oportunidade vai surgir.

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