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Especialista fala sobre doping de Guerrero: 'Não sei se existem níveis seguros para o uso'

Bruno Brandão, especialista em controle de dopagem, afirma que é difícil detectar se o uso da cocaína por parte do jogador foi feita de forma recreativa ou realmente em um chá

14 mai 2018
17h21
atualizado às 18h44
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A defesa de Paolo Guerrero bateu na tecla de que a benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, encontrada no organismo do jogador foi de forma acidental, por meio de um chá. De qualquer maneira, a Corte Arbitral do Esporte, a pedido da Agência Mundial Antidoping, entendeu que jogador deveria cumprir mais oito meses de suspensão - perfazendo 14 meses, pois ele já cumpriu seis - o que o deixará fora da Copa do Mundo.

Guerrero pegou oito meses de suspensão a mais e está fora da Copa do Mundo (Luciano Belford/AGIF)
Guerrero pegou oito meses de suspensão a mais e está fora da Copa do Mundo (Luciano Belford/AGIF)
Foto: Lance!

O debate sobre a punição - considerada pela maioria na opinião pública exagerada - tomou conta das redes sociais. Assim, o Lance! procurou um especialista para explicar como funciona no organismo a benzoilecgonina e se é possível determinar se Guerrero utilizou-a para fins recreativos (consumindo cocaína) ou se foi mesmo um chá, como alegam. Em diversas oportunidades, inclusive neste domingo, o camisa 9 do Flamengo voltou a alegar inocência.Especialista em controle de dopagem e voluntário nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 na mesma função, Bruno Brandão explicou como funciona a droga no organismo e disse não saber se existe um um nível aceito para o consumo da substância, mesmo que seja para fins medicinais, como Guerrero afirma te usufruído.

- Quando você ingere a substância, seu corpo vai metabolizar para eliminar em seguida. No caso da cocaína, independentemente do uso, o corpo metaboliza essa substância e esse metabólito se chama benzoilecgonina. Não sei se é possível saber se tem níveis seguros. Se tem um determinado nível para ter certeza se foi recreativo ou através de chá - comentou o especialista.

Em relação ao teste positivo do jogador, Bruno lembrou que a amostra foi enviada e submetida a exames na Alemanha, na cidade de Colônia, local com maior respeitabilidade no assunto e com autoridade para fazer análise de qualquer substância proibida no esporte encontrada nos organismos.

- A analise em si do Guerrero foi feito lá em Colônia é o melhor laboratório do mundo em doping. Se foi detectado lá, é porque tinha algo - afirmou, contando como é feito o controle de doping:

- É feito o exame através da urina ou do sangue, no caso dele foi urina, e assim alguma substância pode ser encontrada. Seu corpo metaboliza para deixar menos tóxica a substância. Em relação ao níveis encontrados na urina do Guerrero não tem como falar, porque não vi os exames. Se foi no mundo recreativo ou uso de chá.

Por fim, Bruno lembrou que existem substâncias que são permitidas, com autorização, para fins médicos, que não afetam de forma clara o rendimento ou que possam ser enquadradas como doping. Porém o metabólito da cocaína é proibido em qualquer situação, ao que tudo indica.

- Existem alguns compostos que estão na lista de substâncias proibidas pela Wada (Agência Mundial de Antidoping), porém que possuem níveis aceitáveis de presença no organismo. Algumas dessas substâncias são utilizadas no tratamento de doenças crônicas, por exemplo, alguns medicamentos usados no tratamento da asma. Nesse caso é preciso uma autorização para o devido uso da substância. Porém, benzoilecgonina, substância que foi detectada no exame do Guerrero, não se enquadra nesse caso. Apenas a detecção da mesma já é considerada como um resultado analítico adverso. Agora, quem julga se é doping é a Corte Arbitral - concluiu.

Lance!
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