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Em alta na Seleção, Ludmila supera limites para brilhar na Europa

Após infância humilde, atleta foi a primeira brasileira na história do Atlético de Madrid. Em conversa com o L!, atacante relembrou difícil adaptação: 'Pensei até em jogar tudo pro alto'

3 out 2019
08h15
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Se tem algo que não falta na trajetória da jovem Ludmila Silva é superação. Um dos grandes nomes da nova geração do futebol feminino, a atacante do Atlético de Madrid e da Seleção Brasileira enfrentou muitos desafios até chegar ao momento de ouro nos gramados. Nascida em Guarulhos, grande São Paulo, a jogadora de 24 anos vai para a terceira temporada no futebol espanhol e vive grande fase com a equipe colchonera, mas batalhou muito para mostrar ao mundo o largo sorriso que carrega por onde passa.

E quem vê a alegria sempre estampada no rosto da atacante nem sequer imagina tamanha luta até chegar ao grande momento. A caminhada de Ludmila até a consolidação no Atlético e a vaga cativa na Seleção foi das mais difíceis, mas sempre com a cabeça erguida e o desejo de alcançar o sonho que a acompanha desde pequena.

Após o início no futebol profissional aos 16 anos, no Juventus-SP, a tímida atacante teve passagens por uma série de clubes paulistas até chegar ao São José, onde conquistou o título da Libertadores da América e impulsionou de vez a carreira. A infância humilde deu à atacante a garra e sabedoria para realizar o sonho de construir uma bela história no futebol, até que o convite para atuar na Europa coroou o esforço aos 22 anos.

- Sabia que seria difícil, mas aceitei sem olhar pra trás. Nunca tinha pensado em sair do Brasil, sempre me considerei muito dependente. Quando eu cheguei dava tudo errado, muitas vezes eu pensei em jogar tudo pro alto. Foi muito difícil. Eu ia pra casa e, às vezes, tinha que respirar fundo para não desistir de tudo e ir embora, mas eu não podia. Foi duro, mas coloquei isso como um grande objetivo na minha vida para poder chegar até aqui - revelou ao L!.

Ludmila enfrentou adaptação complicada até brilhar no Atlético de Madrid e garantir vaga cativa na Seleção Brasileira: 'Muitas vezes eu chegava em casa e pensava em desistir' | Divulgação / Fifa
Ludmila enfrentou adaptação complicada até brilhar no Atlético de Madrid e garantir vaga cativa na Seleção Brasileira: 'Muitas vezes eu chegava em casa e pensava em desistir' | Divulgação / Fifa
Foto: Lance!

Ludmila vai para a terceira temporada no futebol espanhol e é um dos destaques do Atlético de Madrid | Divulgação / Atlético de Madrid

Mas se hoje Ludmila já é considerada um espelho para jovens que sonham com o sucesso no futebol, a atacante nunca escondeu a idolatria e a inspiração em uma de suas companheiras de Seleção Brasileira: a veterana Formiga.

Uma das mais experientes com a amarelinha, Formiga é a grande referência para a atleta colchonera. Juntas na Copa do Mundo deste ano, as jogadoras fizeram parte da histórica campanha do Brasil no Mundial. Um dos grandes destaques brasileiros na competição, a atacante crê num maior crescimento da modalidade no país do futebol, que está na luta para sediar o torneio em 2023.

- A Copa do Mundo nos deu uma esperança que o futebol feminino possa crescer mais no Brasil. Que as pessoas deem mais valor para o futebol feminino, que tenham um outro olhar. É isso que a gente sonha, que o futebol feminino tenha a mesma torcida, o mesmo carinho que o masculino. Tem coisas que precisam ser ajustadas ainda, mas só de encontrar essa evolução já é um ponto muito positivo - comentou.

Titular absoluta no Atlético de Madrid, Ludmila vive fase brilhante na Europa: 'Nunca esperei sair do Brasil| Divulgação / Atlético de Madrid

Confira o bate-papo de Ludmila com o LANCE!:

Como você enxerga sua fase nos gramados?
Estou vivendo meu melhor momento. Estar na Espanha é viver coisas diferentes, ainda mais no futebol feminino, que é muito evoluído e adorado por aqui. É muito bom ver o nosso esporte avançando e acredito que ainda vem mais pela frente. Tem muito ainda pra melhorar, mas acho que vivemos já um bom momento diante do que já encontramos na modalidade no passado.

Considera que o futebol feminino vem ganhando um pouco mais de espaço no Brasil após o Mundial?
A Copa do Mundo nos deu uma esperança que o futebol feminino possa crescer mais no Brasil. Que as pessoas deem mais valor para o futebol feminino, que tenham um outro olhar. Mesmo de longe consigo ver que estamos encontrando uma evolução. Muitas meninas boas surgindo, uma rivalidade boa aparecendo também. É isso que a gente sonha, que o futebol feminino tenha a mesma torcida, o mesmo carinho que o masculino. Tem coisas que precisam ser ajustadas ainda, mas só de encontrar essa evolução já é um ponto muito positivo.

O que passou pela cabeça quando recebeu o convite de atuar no Atlético de Madrid?
Foi uma proposta muito boa pra mim, não pensei duas vezes. Sabia que seria difícil, mas aceitei sem olhar pra trás. Nunca tinha pensado em sair do Brasil, sempre me considerei muito dependente, ainda mais por ser nova, sem muito conhecimento. Então, não esperava mesmo estar longe do meu país. Mas quando surgiu essa oportunidade me deparei com a chance de mudar junto da realização de um grande sonho, então não pensei duas vezes.

Como foi a adaptação na Espanha?
No começo tudo é difícil. A gente não tem para onde correr. Pra mim foi bastante complicado. Chorava, me perguntava o que estava fazendo aqui. As meninas eram muito diferentes de mim, até mesmo na questão técnica. Mas quando eu vim para cá, era justamente para aprender. Quando eu cheguei dava tudo errado, muitas vezes eu pensei em jogar tudo pro alto. Foi muito difícil. Eu ia pra casa e, às vezes, tinha que respirar fundo para não desistir de tudo e ir embora.

Destaque do Atlético de Madrid, Ludmila é a primeira brasileira da história do clube espanhol | Divulgação / Atlético de Madrid

A diferença do futebol feminino brasileiro pro europeu foi um ponto crucial nessa dificuldade de adaptação?
Não tive um trabalho de base no futebol brasileiro e quando cheguei aqui na Europa vi uma realidade muito diferente. Encontrei uma rotina diferente, com um grupo que já tinha todo um preparo de base. Como aqui é tudo muito tático, eu tinha muita dificuldade de me adaptar ao estilo. Escutei muitas vezes que eu não sabia jogar bola, que só sabia correr. Foi duro, pensei muito em desistir, mas coloquei isso como um grande objetivo na minha vida para poder chegar até aqui.

E o que foi mais difícil para se adaptar ao novo país?
Quando cheguei, o que mais sofri era com a comida e o idioma. Muita gente fala que o espanhol é bem parecido com o português, mas não é bem assim. Foi todo um processo de adaptação. Acho que foram as duas coisas, junto com o fuso horário, que mais me complicaram nos primeiros meses longe do Brasil.

Mesmo vivendo uma fase tão boa nos gramados, o que você ainda espera conquistar no futebol?
Meu sonho é ganhar uma Copa do Mundo, uma Olimpíada. Estamos aí lutando para conseguir conquistar e dar alegrias para o meu país. Acredito que posso aprender muito com a Seleção, assim como aprendo aqui na Espanha. A gente sabe como o futebol feminino luta para se manter vivo, como é difícil a realidade em muitos lugares do mundo. Mas é o sonho de muita gente, e sempre foi assim comigo. Espero fazer muito pelo meu país e ajudar nessas conquistas tão importantes para a nossa modalidade.

Lance!
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