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Crianças? Juvenis do Vasco já lutam para dar um futuro melhor à família

Volantes Juninho e Vitinho, da equipe sub-17, tiveram a infância interrompida para se dedicarem ao futebol em prol dos parentes. L! conta a história da dupla nascida em 2001

12 out 2018
06h33
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Dia 12 de outubro, além de ser o dia de Nossa Senhora de Aparecida, também comemora-se o Dia das Crianças. E grande parte dos garotos brasileiros têm o sonho de, um dia, se tornarem jogadores de futebol. Mas, para alguns, a chance de vestir a camisa de um grande clube é mais que um desejo infantil: é uma responsabilidade enorme tratada de forma adulta mesmo antes de completar 18 anos. No Vasco, não é diferente. O LANCE! conta a história de Juninho e Vitinho, duas promessas da base que disputam posição no meio de campo e, mesmo ainda atuando na categoria sub-17, 'matam um leão por dia' para dar um futuro melhor para as crianças da família.

DAS BALAS DO SINAL À LUTA PELO IRMÃO
Alexandre Junior, conhecido como Juninho, teve pouco tempo para aproveitar a infância. Começou a trabalhar com 10 anos, ajudando o pai em uma padaria. A rotina era pesada: ia para escola de manhã, treino no Flamengo à tarde e trabalhava pela noite. Todo dia de semana. A carreira começou a andar quando os treinos passaram para o turno da manhã e o garoto precisou se mudar para Vargem Grande, no CT rubro-negro. Com o pai desempregado, Juninho teve que se virar para ajudar a família.

Juninho (esq.) e Vitinho (dir.) têm 17 anos e dedicam suas carreiras às crianças da família (Fotos: Arquivo Pessoal)
Juninho (esq.) e Vitinho (dir.) têm 17 anos e dedicam suas carreiras às crianças da família (Fotos: Arquivo Pessoal)
Foto: Lance!

- Meu pai não tinha trabalho nenhum e a gente teve a ideia de montar uma barraquinha. Todos da família foram ajudar. Eu ia pro treino, estudava e trabalhava. Mesma coisa, todo dia. Cheguei a trabalhar vendendo doce dentro do ônibus, no sinal. Cheguei a entregar panfleto na rua... Diversas coisas para poder ajudar minha família. Era o que eu poderia fazer no momento - contou ao LANCE!.

Juninho nunca desanimou e, mesmo se dedicando mais à família que ao futebol, conseguiu evoluir na profissão que ama. Até que recebeu o convite para fechar com o Vasco, clube que sempre torceu. O sonho de criança se realizou, mas, para ele, é o que menos importa. A real motivação do garoto é ajudar o irmão mais novo, que sofre na vida por conta de um câncer no olho.

- Fico muito feliz de estar no Vasco, é o meu time de coração desde criança. Graças a Deus estou aqui. Se eu virar profissional amanhã ou daqui uns anos, minha história vai ser bem bonita e vou poder mostrar e encorajar outras crianças. A maioria dos jogadores de futebol são de famílias humildes, que precisam vencer na vida. Tenho certeza que vai dar tudo certo pra mim. Mas a única coisa que quero é ajudar minha família e meu irmão, que nasceu com câncer e perdeu a visão.

Então seu sonho ganha uma responsabilidade grande...
- Verdade, sei disso. Meu sonho sempre foi ser jogador. Joguei bola minha vida toda. Depois que soube do câncer do meu irmão, é tudo que eu quero. Minha vontade é ajudar ele a ser feliz. O 'menor' já passou por tanta coisa na vida...
Meu conselho é nunca desistir dos sonhos. Ir sempre em frente. Creia que pode conseguir, com muita fé
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Com a braçadeira, Juninho é quem organiza o meio de campo do Vasco. E com a camisa 8, do Pernambucano... (Rafael Ribeiro/VASCO)

Juninho (2º da esquerda) comemora gol junto com outras promessas

DEDICAÇÃO EXTRA PELO PRESENTE DO FILHO
Vitor Hugo Silva, mais conhecido como Vitinho, chegou ao Vasco com nove anos depois de se destacar numa escolinha em Brás de Pina, ainda em 2010. A infância foi toda nas divisões de base do Cruz-Maltino, quando agradou treinadores logo nas primeiras atividades. A cabeleira e a cara de garoto denunciam a pouca idade do volante, mas a tatuagem no pescoço com o nome 'Davi' carrega muito mais que uma homenagem. Leva a certeza de dedicação até o fim da carreira.

No fim de 2017, Vitinho, ainda com 16 anos, foi surpreendido com a notícia de que seria pai de um menino. Desde então, sua vida mudou. As resenhas com os companheiros de time perderam espaço para cuidar do bebê. E a vontade de crescer no futebol aumentou bastante.

- Muda, né? Cada treino tem que matar um leão por dia e a cada jogo matar dois. E assim vai. Tenho que fazer de tudo por ele agora - afirma.

E neste Dia das Crianças... vai receber ou dar o presente?
- Eu tenho que dar o presente pro meu filho, que foi uma das maiores coisas que aconteceram na minha vida. Fiquei surpreso quando minha namorada falou que estava grávida. Mais um pra amar agora. Presente? Quem vai ganhar presente é ele, com certeza (risos).

'Um leão por treino, dois por jogo'. É assim que Vitinho encara a profissão após o nascimento do filho Davi (Rafael Ribeiro/VASCO)

No pescoço, a tatuagem em homenagem ao filho 

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Meus amores ❤️

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GERAÇÃO PROMISSORA

Além de Juninho e Vitinho, que disputam uma vaga de titular no meio de campo ao lado do volante Bruno Clevelario, o Vasco aposta em alguns talentos nascido neste século para o futuro. A geração nascida em 2001 e 2002 é atualmente uma das melhores do Brasil e vem fazendo bonito em 2018. Além de seguir vivo no Carioca da categoria, o Cruz-Maltino chegou longe na Taça BH Sub-17, competição tradicional no país.

Em julho, o Vasco chegou até a semifinal em Minas e foi eliminado nos pênaltis para o forte time do rival Fluminense. Na Copa do Brasil, disputou nesta quarta-feira o jogo de volta da primeira fase e goleou o Oeste-SP por 5 a 1 em São Januário. A geração agora enfrenta o Vitória nas oitavas de final do torneio.

No elenco, alguns nomes chamaram atenção e têm passagens pelas seleções de base do Brasil. São eles: o goleiro Lucão, o lateral Riquelme e os atacantes Talles e Brendon - o último, contratado recentemente do Palmeiras. Como diz o lema vascaíno: 'Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal'.

A torcida abraçou o time após a vitória contra o Oeste-SP na Colina

Lance!

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