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Christian dormiu no Ninho para estar na festa de aniversário de Arthur

Goleiro de 15 anos, do Flamengo e da Seleção Brasileira, foi enterrado neste domingo no Cemitério do Irája, na Zona Norte do Rio de Janeiro

10 fev 2019
11h57
atualizado às 11h57
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O corpo do goleiro Christian Esmério, de 15 anos, uma das vítimas do incêndio que atingiu o CT do Flamengo, o Ninho do Urubu, na última sexta-feira foi enterrado neste domingo no Cemitério do Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Morador da comunidade do Congonha, em Madureira, Christian dormiu no alojamento mesmo sem ter treino na sexta-feira por conta de uma festa de aniversário que estava programada para Arthur Vinicius, que completaria 15 anos no sábado e também está entre os vitimados pela tragédia no CT.

- Ele não voltou porque no outro dia (sábado) ia ser o aniversário do menino de Volta Redonda (Arthur Vinícius). Como ele estava sozinho no Rio, os meninos iam fazer uma festa surpresa para ele - disse Alan Silva, tio de Christian.Alan aproveitou ainda para agradecer ao Flamengo e defender o Centro de Treinamento Ninho do Urubu, relatando a alegria de Christian em estar lá.

- Uma coisa que queira dizer é que está todo mundo caindo de martelo em cima do Ninho. Meu sobrinho foi muito feliz no Ninho. Muito mesmo. Quando ele chegou no Ninho, carreira dele alavancou. Só tenho a agradecer ao Flamengo. Infelizmente, aconteceu uma tragédia, mas podia acontecer na minha casa, na de vocês, em qualquer uma. Só tenho agradecer ao Flamengo. Infelizmente, aconteceu isso. Perdemos um guerreiro - lamentou.

Emocionado, o tio ressaltou ainda a simpatia pela qual o jovem e recordar que o goleiro estava próximo de assinar o primeiro contrato profissional, o que, segundo ele, aconteceria março, mês em que Christian completaria 16 anos:

- Christian era uma pessoa fenomenal. Lá no Flamengo, todos gostavam dele. Foi um moleque muito sofrido. Ele e o pai dele. Para chegar onde ele chegou... Infelizmente, aconteceu uma tragédia. Ele queria atingir o sonho dele, que era tirar o pai e a mãe dele da favela e chegar à Seleção Brasileira. Em março agora, ele ia assinar o contrato profissional, estava todo bobo - disse, completando:

- Até chegar onde ele chegou, foi muita caminhada. Acordava 4h para pegar o BRT, depois pegava outro. Com muito custo, o pai conseguiu colocar ele no Ninho.

Alan contou ainda que, na última segunda-feira, Christian havia feito, novamente, a promessa de ajudar a família a melhorar de vida.

- Segunda-feira estávamos no aniversário do irmãozinho dele e ele pediu para eu levar ele ao Ninho. Eu disse que meu carro estava com defeito e ele falou: "Calma, tio. Isso vai acabar. Vamos morar em um lugar melhor". Esse era o Christian, uma pessoa irreverente.

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