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Conheça o lugar onde foi 'fabricado' o ouro de Rafaela Silva

Núcleo da Cidade de Deus do Instituto Reação demonstra orgulho pela sua menina dourada ter dado alegria nos Jogos. Sobrinha Ana Paula planeja seguir os passos da tia

10 ago 2016 08h21
| atualizado às 10h08
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"Dormi apenas quatro horas e a ficha ainda não caiu."

A frase de Rafaela Silva, em coletiva realizada ontem pela manhã retrata bem o sonho sem fim que a judoca de 24 anos vive. A primeira medalha dourada brasileira na Rio-2016 ultrapassou limites de orgulho pelo país todo. Mas foi no núcleo do Instituto Reação em Jacarepaguá, onde a menina dourada foi fabricada, que acordou com o maior sorrido do mundo.

O LANCE! esteve no espaço, que se mudou para uma universidade há cerca de um ano (antes ficava em uma academia próxima a casa de Rafaela), que foi o palco de treinos decisivos antes dos Jogos. E de muitas histórias de uma menina que vivia na Cidade de Deus, cresceu ali dentro e ganhou o mundo.

"Cada um de nós tem um pouquinho desse orgulho. Acho que o maior orgulho e causador de tudo isso é o Geraldo Bernardes. Ele sempre disse pra ela: "Rafaela, vou colocar você nas Olimpíadas". Isso eu escutei há 16 anos, ela tinha exatamente 8 para 9 anos. E esse potencial dela foi crescendo, crescendo, crescendo e hoje ela tá aí- afirmou Rosana Gracio Ribeiro, secretária do Instituto Reação e responsável pela inscrição de Rafaela no projeto."

Os futuros judocas, não só do núcleo onde Rafaela Silva treina, foram até Jacarepaguá para absorver desde já a energia dos vencedores.

"Senti orgulho porque ela veio da mesma situação que eu. Ela superou tudo o que aconteceu na vida dela. Porque senão lá na Cidade de Deus ela seria uma criança propícia para as drogas, o tráfico e outras coisas ruins do mundo. Ela até hoje me orgulha muito porque me cativa a continuar no Judô, a imaginar o meu futuro lá no pódio com uma medalha no peito", declarou Abel Júnior, de 12 anos, faixa azul do núcleo Rocinha.

O DNA Silva deverá se prerpetuar nos tatames não só pelo sucesso de Rafaela. A sobrinha Ana Clara, de 11 anos, já treina no mesmo local onde a tia iniciou os primeiros golpes:

"Eu comecei antigamente, quando era pequena. Aí eu dei uma pausa e depois voltei no ano passado. E a minha tia me influenciou muito porque eu queria continuar... como a minha mãe e a minha tia, eu quero continuar isso", afirmou a jovem, que esteve na Arena Carioca 2 torcendo pela tia.

As 300 crianças que treinam no Instituto Reação Núcleo Cidade de Deus sonham em um dia ter a mesma glória de Rafaela Silva. Sem dúvida estão no local certo e desde já são vencedores, como a menina de ouro do Brasil.

Lance!
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