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25 anos sem Dener: no drible e na lama, campeão gaúcho no Grêmio

Cedido ao Tricolor gaúcho, o eterno camisa 10 se sobressai em meio a fortes marcadores e a gramados pesados para dar volta olímpica: 'Cara muito liso, ninguém segurava'

18 abr 2019
07h18
atualizado às 07h18
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Os pés de Dener fizeram com que ele desbravasse gramados ainda mais desafiadores. O meia-atacante, que há 25 anos morreu devido a um trágico acidente automobilístico ocorrido em 19 de abril de 1994, desembarcou no Grêmio em meados de 1993, para construir uma curta e vitoriosa história.

- Neste período, o Grêmio montava times muito fortes, competitivos, mas sempre tinha um cara para ser a "chave" da equipe. O Dener veio para ser esse jogador que desequilibrava, que podia fazer a diferença para nós. E soube surpreender muita gente - recordou, ao LANCE!, Cassiá Carpes, seu técnico na época.

'ELE VIU QUE, NO GRÊMIO, A COBRANÇA É GRANDE'

'Alertei sobre os gramados ficarem mais pesados no frio, a marcação ficar mais dura', detalhou Cassiá Carpes(Reprodução)

No Tricolor gaúcho, o craque lidou com mudanças em relação à rotina do Canindé. Cassiá contou alguns dos conselhos que passou para ele:

- Dener era o "prata da casa", era tratado com um certo mimo na Portuguesa. Além disto, no Grêmio a cobrança é muito grande por títulos. Passei estes conselhos para ele no treino, também alertei sobre os gramados do Sul ficarem mais pesados no frio, pois a gente estava em maio... E ele me atendeu, me escutou bem, sempre.

Colega de ataque de Dener no Grêmio, Fabinho detalhou outro ponto no qual o meia-atacante ficou atento:

- Mostrar que era um estilo de jogo muito diferente, os zagueiros tinham uma forma de chegar junto bem mais forte, mais brigado.


O ex-atacante contou que, inicialmente, houve uma preocupação com a maneira como ele se encaixaria na equipe:

- Ele chegou aqui magrinho, né? No futebol gaúcho, tem muita força. Mas o cara tinha qualidade técnica demais, sobrava em campo. O Cassiá ajudou ele a sair desta marcação forte.

A estreia de Dener ocorreu na semifinal da Copa do Brasil, e se destacou mesmo em uma derrota por 4 a 3 para o Flamengo no Maracanã (a equipe acabou se classificando à final, mas perdeu o título para o Cruzeiro). Artilheiro do Tricolor gaúcho na época, Gilson detalhou que o entrosamento com o craque foi rápido:

- Assim que veio para cá, a gente se adaptou rápido e foi bem legal. Lembro muito de um gol que fiz pela Copa do Brasil, no qual ele fez a jogada toda e eu só empurrei para a rede. O cara era a alegria dos atacantes!

'ATÉ EM CAMPO CHEIO DE LAMA, SE SOBRESSAIU': O TÍTULO GAÚCHO

'Em campo cheio de lama, ele arrancava de uma trave para outra', detalha Caio (Reprodução)

Aos poucos, o camisa 10 (e que, em alguns momentos, usou a 7 no Imortal) foi driblando os obstáculos que vinham nas plagas gaúchas. Gilson contou como Dener surpreendia os adversários:

- Ele era muito "liso" nas jogadas. Quando vinham os zagueiros fortes para um mano a mano, ele, magrinho, girava o corpo e tirava com uma facilidade de impressionar.

Meia gremista na época, Caio recordou que o eterno camisa 10 não se deixava levar por provocações:

- Teve um jogo em que estava dois graus, um frio absurdo! Ele tomou um tapa, mas mesmo assim seguiu em frente. Não se intimidava fácil, não.

O técnico Cassiá Carpes exaltou que, com Dener, não houve tempo ruim:

- Era nosso inverno, né? E nos campos antigos do interior, tinha muita lama, chuva. Mas ele achava os caminhos, ajudava os companheiros, driblava. Com um cara como ele, foi uma barbada para nós.


Caio também detalhou que nem mesmo as intempéries tiravam o ímpeto do meia-atacante:

- Ninguém imagina, naquela época no nosso interior, com gramado todo cheio de lama. Ele dava arrancada de uma goleira (da trave) para a outra. Tinha muita pegada, muita categoria.

Naquele ano, um Octogonal Final decidiu a competição. Bastava um empate contra o Pelotas para o Imortal ser campeão gaúcho em plena Boca do Lobo. Foi quando Dener começou a ser decisivo, mesmo em meio às intempéries:

- Estava um frio, com o gramado todo cheio de lama. Mesmo assim, ele foi, deu daquelas arrancadas dele e a bola, depois do Gilson, passou por mim. Aí ganhamos o título! - disse, sobre o gol do empate em 1 a 1.

O AMADURECIMENTO DO CRAQUE

'Ele ganhou muita bagagem no Grêmio', afirma Caio (Reprodução)

Foram três meses, 15 jogos oficiais e quatro gols. Contudo, o rastro do futebol de Dener deixou muitas lembranças com quem conviveu com ele.

- Tinha uma alegria muito grande de jogar bola. Para o Dener, o futebol não era só drible sem objetividade, mas para ganhar a jogada em direção ao gol - afirmou Gilson.

Aos olhos de Caio, permanece a irreverência ao lembrar do meia-atacante:

- Um cara bem tranquilo, brincalhão. Para quem não tinha dia ruim em treinos. Um jogador que ganhou muita bagagem no Grêmio.

Cassiá Carpes crê que o Tricolor gaúcho deixou uma lição valiosa a Dener:

- Sem dúvida, ele saiu do Grêmio amadurecido. Ganhou seu primeiro título, ainda mais em um time com uma torcida exigente e superou muita coisa.

Levando na mala a conquista do Gauchão, Dener deixou o Grêmio e ainda voltou a defender a Portuguesa no restante de 1993. Porém, no ano seguinte, seu destino estava traçado para jogar no futebol carioca.

Lance!

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