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Seleção Espanhola

Eliminação da Espanha em nada lembra o 'tiki-taka'

Equipe bateu recordes com números bastante positivos e teve mais posse de bola, mas saiu de campo com uma eliminação nos pênaltis

2 jul 2018
06h04
atualizado às 09h07
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Quando Pep Guardiola assumiu o Barcelona, em 2009, um novo estilo de jogo foi criado. O controle da bola era privilegiado, e ter mais posse era quase que um sinônimo de vitória - nascia o 'tiki-taka'. A Espanha, então, conquistou seus maiores títulos com essa forma de jogar, que não é infalível e se tornou cada vez menos surpreendente ao longo dos anos. Contra a Rússia, nesse domingo, a seleção escancarou o limite entre ter mais posse e ser de fato efetiva, o que custou a queda da equipe na Copa do Mundo mesmo com números surpreendentes.

A Espanha teve mais posse de bola e passou os 120 minutos contra a Rússia dando a sensação de que tudo estava sob controle e logo o gol viria. Foram 1.114 passes, 1.006 certos, 108 errados, com um aproveitamento de 90.31%. Números bastante positivos se não fosse o grande problema desse estilo de jogo: a falta de poder de fogo. O tiki-taka' da Espanha em nada lembrava o 'tiki-taka' do Barcelona, que além da posse, tinha um forte poderio ofensivo como arma.

O próprio Guardiola diz que o que mais irrita quando tem a bola é não saber usá-la. Em outras palavras, rodar, trocar passes e não conseguir agredir o adversário. O 'tiki-taka' é mais que ter a bola sob controle, mas também girar o jogo em busca de espaço, buscar aproximação e triangulações até encontrar uma superioridade numérica. Além disso, o fator diferencial: o drible, nesse caso, com Lionel Messi como responsável.

O clássico time do Barcelona de 2011, considerado por muitos um dos melhores da história, tinha laterais que encostavam na linha de fundo para abrir a marcação, Pedro e David Villa que se movimentavam pelas pontas e ainda Messi e Xavi ou Iniesta como referências para a triangulação. Um exemplo: Iniesta, Messi e Villa tabelavam contra dois marcadores, provocando uma superioridade numérica.

A Espanha da Copa do Mundo de 2018 podia não ter Messi, mas o problema é que também não tinha Pedro, Villa ou Xavi, nem Iniesta em sua melhor forma... Foram 78% de posse de bola que não agrediram o adversário. Diego Costa, pouco móvel, ficou preso a marcação. Asensio não tinha com quem tabelar. Iniesta e Koke tentavam armar o jogo para um time estático. Isco, o responsável pelo drible, fazia-o longe da grande área, sendo pouco efetivo. O 'tiki-taka' espanhol da seleção na Copa da Rússia pode ser considerado tudo, menos o real estilo 'tiki-taka' que há anos encantou o mundo.

Guardiola já declarou que essa forma vitoriosa de jogo do Barcelona não surpreende mais, pois começou a ser analisado e treinado para ser evitado. O próprio declarou que precisou mudar seu estilo para ser eficiente no Bayern de Munique e no Manchester City. O Barcelona que conquistou a Liga dos Campeões em 2015 também tinha outros conceitos de ataque e defesa além da posse de bola.

A Rússia trocou apenas 290 passes, com 191 certos. A Espanha quebrou o recorde de passes certos e não conseguiu a classificação. Sergio Ramos foi o líder, com 184, Koke teve 155, Jordi Alba veio na sequência, com 148, e Isco teve 147. Diego Costa, que deveria ser a referência da equipe, sequer aparecer no top 10. Em resumo, a seleção espanhola foi pouco criativa, ficou presa na marcação russa e não teve criatividade para tentar algo diferente.

A Espanha mostrou para o mundo que ter a posse de bola não significa que a vitória está garantida. É preciso saber o que fazer com ela se quiser sair de campo com um triunfo na conta. Para 2022, a seleção espanhola precisa se reinventar, assim como Guardiola, Barcelona e tantos outros fizeram. Talento não falta, resta saber como colocá-lo em prática de maneira eficiente.

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