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Surpresa, decepção, erro e o ouro: veja a trajetória de Ana Marcela Cunha até a conquista em Tóquio

Brasileira conquistou a segunda medalha do país na maratona aquática, sendo a primeira de ouro, depois de viver distintas emoções em ciclos e Jogos Olímpicos na carreira

4 ago 2021 13h04
| atualizado às 13h58
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Ouro de Ana Marcela Cunha foi o quarto do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio (Foto: Satiro Sodré / CBDA)
Ouro de Ana Marcela Cunha foi o quarto do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio (Foto: Satiro Sodré / CBDA)
Foto: Lance!

O hino nacional brasileiro tocou mais uma vez no Japão. Ana Marcela Cunha garantiu a primeira medalha de ouro para o país na maratona aquática na manhã de quarta-feira do horário local (terça-feira à noite no Brasil) depois de viver um turbilhão de emoções entre ciclos e Jogos Olímpicos.

Baiana de Salvador, a nadadora de 29 anos é um dos grandes nomes do esporte, com 11 medalhas em Copas do Mundo, incluindo cinco títulos. Mas ainda faltava o sonho da conquista olímpica. Agora não falta mais.

Ana Marcela chegou como uma das grandes favoritas para prova e venceu a maratona de 10km com o tempo de 1h59min30s08. Para viver a glória dourada, porém, a soteropolitana precisou vencer frustrações e traumas de outros anos.

Holandesa Sharon van Rouwendaal e australiana Kareena Lee completaram o pódio (Foto: Satiro Sodré / CBDA)
Holandesa Sharon van Rouwendaal e australiana Kareena Lee completaram o pódio (Foto: Satiro Sodré / CBDA)
Foto: Lance!

Considerada como promessa desde jovem, Cunha disputou sua primeira Olimpíada em 2008, em Pequim, quando tinha apenas 16 anos. Apesar da pouca idade, foi uma das surpresas do torneio ao chegar em quinto lugar, enchendo o país de esperança para os Jogos de Londres, em 2012.

Quatro anos mais tarde, no entanto, a brasileira não conseguiu a classificação para o Reino Unido. A decepção virou motivação para buscar a vaga para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. E ela conseguiu, junto com a compatriota Poliana Okimoto - que foi bronze.

Apesar do favoritismo, vindo de um título mundial em 2015, Ana Marcela terminou a maratona em décimo. Após a prova, ela lamentou, disse que sua posição "não era digna" e afirmou que não fez a alimentação necessária para reposição líquida durante a etapa.

O ciclo olímpico para Tóquio começou com um susto. Após descobrir uma doença autoimune, precisou passar por uma cirurgia. Com a necessidade da retirada do baço, para evitar possíveis complicações no futuro, ela deu a volta por cima.

- Finalmente! Por mais nova que eu fui em 2008, esse é meu quarto ciclo olímpico. Vindo de uma frustração muito grande com uma não classificação, uma frustração no Rio. Acreditem nos seus sonhos - disse Ana Marcela à "Rede Globo" após a prova.

- Quero agradecer ao meu clube, meus pais, minha namorada... Sonhava muito com uma medalha olímpica, mas representa muito ser campeã. Todos os brasileiros medalhistas me incentivaram muito, principalmente o Scheffer e o Bruno. É uma raia, uma chance, como eles dizem - completou.

Abraço de Ana Marcela no treinador Fernando Possenti (Foto: OLI SCARFF / AFP)
Abraço de Ana Marcela no treinador Fernando Possenti (Foto: OLI SCARFF / AFP)
Foto: Lance!

NEM PEIXE FICOU NO CAMINHO

Durante a prova, Ana Marcela chegou a ocupar a quinta posição, mas não desistiu. Na terceira volta, a brasileira dispensou a alimentação, algo que a prejudicou na Rio-2016, mas desta vez o resultado valeu a pena.

A baiana deixou todo mundo para trás para conseguir a medalha. Até mesmo quem estava em seu habitat natural saiu do caminho. Em determinado momento da prova, foi possível observar, através das lentes do fotógrafo Jonne Roriz, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), um peixe saltando para fora da água. A imagem viralizou e rodou o mundo.

Ana Marcela deixou todo mundo para trás (Foto: Jonne Roriz / COB)
Ana Marcela deixou todo mundo para trás (Foto: Jonne Roriz / COB)
Foto: Lance!

Se nem quem tinha o direito de ficar na água durante a prova conseguiu, não seria outra adversária que impediria a brasileira de conquistar a tão sonhada medalha dourada.

* Estagiário, sob supervisão de Aigor Ojêda.

VEJA O QUADRO DE MEDALHAS DOS JOGOS OLÍMPICOS DE TÓQUIO

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