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'Falta planejamento e diálogo na atual gestão do COB', diz Rafael Westrupp

Presidente da Confederação Brasileira de Tênis é candidato de oposição à presidência da entidade

16 set 2020
08h10
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Um dos três candidatos à presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Rafael Westrupp criticou a atual gestão da entidade, principalmente quanto a planejamento e diálogo. Na avaliação do catarinense, que foi membro do Conselho de Administração do COB, falta comunicação para a gestão liderada por Paulo Wanderley, candidato à reeleição.

Em entrevista ao Estadão, ele também apresentou as ideias que pretende implantar no COB, caso seja eleito no pleito marcado para 7 de outubro. E adiantou que, se eleito, pretende descentralizar o poder da entidade e mudar a sede para reduzir gastos com aluguel e transferi-la para o Parque Olímpico, também no Rio de Janeiro. Como presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), ele fez o mesmo quando assumiu a função, em 2017, mudando a sede para Florianópolis.

Formando em administração e ex-tenista, o dirigente de 40 anos forma chapa com Emanuel Rego, campeão olímpico no vôlei de praia. Na disputa com Paulo Wanderley e a chapa formada por Helio Meirelles Cardoso e Robson Caetano - Alberto Murray desistiu de concorrer -, Westrupp já tem apoio de confederações de peso, como a CBF, a CBV (vôlei), a CBB (Basquete), a Confederação Brasileira de Gelo (CBDG), e de Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Parsons é um dos dois brasileiros que fazem parte do Comitê Olímpico Internacional (COI) e tem direito a voto, assim como Bernard Rajzman. O colégio eleitoral também é formado por 12 integrantes da Comissão de Atletas do COB e por 35 representantes das confederações olímpicas.

Qual é sua principal plataforma de campanha?

Diálogo, interlocução política e uma área de negócios mais agressiva. Buscamos criar um ecossistema esportivo que tenha a participação ativa das Confederações e dos Atletas nas principais decisões do COB. Criar comitês utilizando a expertise dos presidentes de Confederações e a experiência prática dos atletas para contribuírem no planejamento nas mais distintas áreas. Apurar o diálogo com todas as instituições que fazem parte do sistema esportivo nacional, como CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), CBC (Comitê Brasileiro de Clubes), CBDE (Confederação Brasileira do Desporto Escolar). Precisamos também de uma interlocução pró-ativa junto ao Congresso Nacional. E buscar receitas privadas por meio de um departamento comercial que busque patrocínios junto ao mercado.

Quais mudanças pretende fazer no COB, se eleito?

Para começar, no endereço do COB. Atualmente há um desembolso de milhões de reais por ano com o aluguel da sede. Buscaremos uma parceria com a Secretaria Especial do Esporte para viabilizar que o COB tenha a sua sede dentro do Parque Olímpico da Barra, ao passo que iremos oferecer a todas as 35 Confederações Olímpicas e à Comissão de Atletas uma estrutura mínima a custo zero, no mesmo local. O Parque Olímpico será a grande casa do esporte olímpico brasileiro. Além disso, buscamos descentralizar o poder, tirando das mãos do presidente do COB a presidência do Conselho de Administração. E descentralizar também os conhecimentos, disseminando capacitação elevada aos trabalhos de massificação por todo o Brasil, geralmente através de secretarias municipais e estaduais.

Na sua avaliação, o que falta na gestão atual do COB?

Emanuel e eu temos percorrido o Brasil conversando com muitos presidentes, atletas e entidades. Há um senso comum de que falta planejamento. Vemos uma carência enorme na comunicação, impactando no alijamento das Confederações e Atletas na participação da construção de um plano amplo. Um plano que mire 10, 12 anos à frente. Temos um vácuo enorme no diálogo, que gera efeitos colaterais profundos em todos os agentes envolvidos.

Por que decidiu se candidatar agora, quando ainda tinha um mandato inteiro pela frente na CBT?

Porque a hora de mudar é agora. O momento é de responsabilidade para os que anseiam as mudanças necessárias ao COB. Estamos convictos de que temos muitos atletas e presidentes de confederações preparados e que poderiam estar candidatando-se aos cargos de Presidente e Vice-Presidente. Recebi um convite do Emanuel e entendemos que, neste momento, não poderíamos nos abster de participar do pleito eleitoral. O nosso movimento cresceu organicamente, pautado em propostas francas e factíveis a curto e médio prazos.

Você teme que a chapa encabeçada por Hélio Cardoso e Robson Caetano venha a dividir os votos dos atletas e das confederações?

Entendemos que estamos nos deparando com um processo democrático único no COB. Teremos três chapas candidatas, de forma inédita! Respeitamos todos os candidatos, mas estamos seguros de que os atletas e confederações terão consciência e responsabilidade para escolher o melhor projeto para todos termos um COB mais forte.

Qual é sua avaliação da atual gestão do governo federal quanto ao Esporte?

Acredito que é um dever nosso buscar um constante diálogo com todas as entidades, inclusive com as esferas de governo. Já estamos fazendo isso de forma pró-ativa. Tanto o atual secretário como os executivos responsáveis chegaram há pouco tempo, mas já mostraram grande disposição em ajudar no desenvolvimento do esporte nacional. Tenho a certeza de que esse nosso diálogo poderá contribuir muito.

A perda de torneios importantes no Brasil recentemente, como o WTA de Florianópolis e o Brasil Open (rebaixado para nível inferior), e a redução de torneios de nível Challenger em solo brasileiro nos últimos anos podem prejudicar sua candidatura?

Não. A Confederação faz um grande e intenso trabalho no fomento do tênis brasileiro, especialmente na base, chegando a ter oito atletas ao mesmo tempo entre os cem melhores juvenis do mundo. Os tenistas apoiados pela entidade tiveram grandes resultados no cenário internacional, como Marcelo Melo campeão em Wimbledon e João Menezes campeão pan-americano, por exemplo. Fechamos parcerias inéditas com federações europeias. Investimos na arbitragem e capacitação, implantamos a governança corporativa na entidade e recebemos o selo "Great Place to Work". Hoje temos sede própria, patrocínios e gestão de ponta, garantindo portas abertas para importantes parcerias. Tenho a certeza que o tênis está no caminho certo.

Você foi reeleito na CBT num processo rápido, resolvido em cerca de dez dias, com mudança no estatuto. Acredita que pode haver críticas quanto à falta de transparência?

De maneira nenhuma. Minha reeleição seguiu todo o rito normal e todos os parâmetros estatutários, com uma decisão unânime. Foram 26 federações e 13 atletas, que, inclusive, participaram pela primeira vez de uma eleição. Ou seja, do total de 39 membros da Assembleia Eletiva, todos assinaram apoio à nossa chapa. A nossa modalidade está unida e o apoio de 100% dos membros da assembleia é um bom parâmetro.

A sua proximidade e o apoio recebido de Jorge Lacerda, ex-presidente da CBT envolvido em denúncias de corrupção, podem atrapalhar sua candidatura no COB?

Não existe proximidade. Há muitos anos que o sr. Jorge não tem qualquer contato com o Tênis e com a gestão da CBT. Realizei o meu mandato sem qualquer problema de ordem jurídica, e com indicadores administrativos e financeiros bastante animadores, além dos resultados em quadra e a conquista de cinco novos patrocinadores: BRB, Peugeot, Wilson, W.A. Sport e Maniacs Roupas Esportivas.

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Resumão do Mercado - #2
Estadão
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