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Jogos de Paris

Confirmado nos Jogos Olímpicos de Paris-24, breaking precisa se estruturar no Brasil

País conta com campeonato e atletas qualificados, mas ainda precisa organizar melhor a modalidade

8 dez 2020 - 17h10
(atualizado em 10/12/2020 às 16h35)
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O Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou nesta segunda-feira a inclusão do breaking no programa dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. A decisão favorável à adesão da nova modalidade já era esperada pelos atletas ao redor do mundo. O breaking está alinhado às propostas do Cômite Olímpico Internacional (COI) de tornar a Olimpíada um evento mais plural, urbano e conectado com os jovens.

"Me sinto muito feliz. Não existe outra palavra que descreva melhor o meu sentimento nesse momento. Estamos lutando por essa inclusão há alguns anos", revela Leony Pinheiro, um dos principais atletas do Brasil na modalidade. "Já era esperado que isso acontecesse após o sucesso do breaking nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2018", acrescenta.

Realizado em Buenos Aires, na Argentina, o evento citado por Leony marcou a estreia do breaking em grandes competições esportivas e serviu de teste. Embora seja uma novidade no âmbito olímpico, há mais de dez anos a modalidade possui eventos internacionais, como o The Notorious IBE, o Outbreak Europe e o Red Bull BC One, e nacionais, como o Master Crews, em São Paulo, Quando as Ruas Chamam, em Brasília, Battle in the Cypher, em Bento Gonçalves, e o FCH2, em Fortaleza.

As competições de breaking normalmente consistem em "batalhas" um contra um, com três rounds cada. Os oponentes apresentam uma combinação de movimentos alternados. Enquanto um competidor dança, o outro aguarda por cerca de 30 a 45 segundos para dar sua "resposta". A avaliação final é feita por um grupo de juízes especializados.

Para os Jogos Olímpicos de Paris, esses critérios ainda não foram definidos. O júri, contudo, deve seguir o método de avaliação de outras modalidades olímpicas que possuem um lado mais artístico, como nado sincronizado, ginástica artística e patinação no gelo. Atualmente, somam pontos nesses esportes dinâmica, limpeza, musicalidade e originalidade, por exemplo.

"Acredito que esse modelo será mantido para a Olimpíada. Existe uma comissão de B-Boys e B-Girls que está dialogando com o COI. É um mundo novo para os organizadores dos Jogos, por isso estamos tentando dar um direcionamento para eles. Acho muito difícil que o modelo de batalhas seja alterado. No máximo, devem acrescentar uma regra ou outra para adequar a modalidade aos Jogos", avalia Leony.

COMUNIDADE DIVIDIDA

Apesar de grande parte da comunidade do breaking ter abraçado sua inclusão nos Jogos de Paris, a B-Girl Fabiana Balduína, mais conhecida como "FabGirl", alertou que parte dos atletas expressou preocupação. Eles temem que a cultura do breaking seja distorcida e que suas raízes, pertencentes à cultura hip-hop, que surgiu em Nova York, na década de 70, sejam cortadas.

"A comunidade ainda está dividida. Acredito que não por questões de conservadorismo, mas, sim, por um certo cuidado, pois muitas pessoas, assim como eu, fizeram de suas vidas essa arte. O desconhecido provoca medo, rejeição e conflitos diversos. Penso que é um momento de dar tempo para que as pessoas assimilem esse momento histórico e daqui a pouco todes já terão internalizado. Independentemente de Olimpíadas, o breaking não deixará de ser o que sempre foi e sempre será: arte", afirma.

PRÓXIMOS PASSOS

O Brasil não possui um time oficial de breaking. Há uma Confederação Brasileira de Breaking (CBRB) sem estruturada como a de outras modalidades olímpicas, e não reconhecida como tal pelo COB. Há ainda uma federação paulista. Atualmente, o Conselho Nacional de Dança Desportiva e de Salão (CNDDS), única entidade reconhecida pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) e pela WDSF (World DanceSport Fedderation), é responsável pelas questões relacionadas à modalidade. Tanto FabGirl quanto Leony concordam que o próximo passo a ser tomado é em direção à organização esportiva dentro de uma federações que se aproxime do COB. Em nota recente, após a publicação da reportagem, membro da CBRB contesta o Conselho de Dança como representante da nova modalidade olímpica.

O B-Boy afirma que as condições de treino no País também não são boas. Segundo ele, estruturas adequadas deveriam ser implementadas para o melhor rendimento nas competições. "Em geral, os atletas de breaking, no Brasil, treinam em lugares inapropriados, como praças e rodoviárias. Em São Paulo, por outro lado, existem as 'fábricas de cultura', que possui sala de dança espelhada, com bons pisos, ar-condicionado e equipemanetos adequados. A federação paulista é a mais bem estruturada do País. Mas na maior parte do Brsil, não é assim. Espero que isso mude com a inclusão da modalidade aos esportes olímpicos", opina.

Em 2003, FabGirl fundou um grupo de breaking formado exclusivamente por mulheres, o BSBGIRLS. Hoje, ela lidera a escola de dança Drop Education com o objetivo de preparar profissionais para atingir alta performance e também para aqueles que querem aprender do zero. "Vamos nos preparar! Sempre disse isso quando ficávamos sabendo de competições pelo Brasil a fora e até competições internacionais que gostariam que participássemos", pontua.

Estadão
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