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Baía Formosa celebra conquista de Italo Ferreira, ouro no surfe em Tóquio

Festa que começou na casa da mãe do surfista, Katiana Batista, toma ruas da cidade no Rio Grande do Norte

27 jul 2021 15h26
| atualizado às 16h00
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Foi difícil pegar no sono na pequena cidade de Baía Formosa, localizada a 90 km de Natal, Rio Grande do Norte, na madrugada desta terça-feira. Antes mesmo de o cronômetro na final do surfe masculino zerar, a felicidade e os gritos de "é campeão" já tomavam conta da casa de Katiana Batista, de 52, mãe do medalhista de ouro Italo Ferreira, que se tornou o primeiro surfista campeão da história dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Depois do término da prova, a euforia e o choro tomaram conta dos presentes que vestiam camisa amarela com o nome do atleta na casa de Katiana. A turma já demonstrava confiança na medalha de ouro desde o início da competição. Com a confirmação do ouro, rapidamente motos, carros e pedestres se juntaram pelas ruas da cidade para celebrar a conquista do conterrâneo. Mesmo com o relógio marcando 4h30, nada impediu a festa em Baía Formosa.

O apoio da cidade para o surfista campeão mundial e agora olímpico não é por acaso. Italo Ferreira virou esportista do mundo, mas tem uma forte ligação com Baía Formosa, lugar onde mora até hoje, e faz questão de treinar nas ondas da praia, além de ser uma inspiração para os mais jovens e atencioso com os fãs e conterrâneos. Prova disso é que ele pretende instalar um projeto social em "BF", como a cidade é conhecida, com o intuito de atender crianças da cidade e propiciar oportunidade por meio do esporte no município. O Instituto Italo Ferreira.

Emoção como essa já havia sido vista em 2019, quando Italo desbancou Gabriel Medina na final da World Surf League (WSL) e conquistou o título inédito do Mundial de Surfe. "Conheci Italo desde menino, surfando em tampa de isopor, porque o pai dele vendia peixe na Pipa e não tinha condições. Hoje é uma honra para Baía Formosa Ítalo ser campeão olímpico, mundial. Vai trazer muita gente para cá, incentivar o turismo da região", comenta o guia turístico Geuk Duarte Ribeiro, de 52 anos, que é amigo da família do campeão.

A concentração e a união de energias para o filho de Baía Formosa, distante fisicamente a 16 mil quilômetros do Rio Grande do Norte, começou cedo, por volta das 19h. Com refrigerantes, salgadinhos, petiscos, cerveja e muito café, a família e os amigos de cerca de 20 pessoas se reuniram em frente da TV para acompanhar Italo Ferreira, que disputou a primeira bateria das quartas de final por volta das 20h10, eliminando o japonês Hiroto Ohhara.

"Isso tudo aqui é para dar energias positivas e torcer por ele. Essa energia aqui o levou à final", comentou a mãe, Katiana, que ao lado de Luiz Ferreira, o pai, eram mais atentos à transmissão.

Nas semifinais, outro aperto no coração. Entre torcer pelo filho e "secar" o australiano Owen Wright, a família foi da ansiedade ao alívio com a ida de Italo Ferreira para a final. A prova foi difícil, tomada pelos momentos de angústia ao ver o potiguar não acertar suas características manobras aéreas. No fim, o potiguar garantiu sua ida à decisão contra o japonês Kanoa Igarashi, que havia eliminado Gabriel Medina.

O período entre o término da semifinal e a grande decisão foi um verdadeiro teste de resistência para amigos e familiares. Com o término da semifinal por volta das 1h30 (horário de Brasília) e a final marcada apenas para as 3h40, muitos em Baía Formosa se mantiveram atentos à TV, enquanto outros resolveram cochilar para guardar as energias para a decisão.

Final tem susto com prancha quebrada

Logo que entrou na água e partiu para a primeira manobra, Italo teve um susto: sua prancha sofreu forte impacto com a água e partiu no meio. Rapidamente a troca foi feita e o surfista não se deixou abalar com o pequeno acidente. Disputando onda a onda com o japonês Kanoa Igarashi, Italo Ferreira não tomou conhecimento e dominou várias ondas, atingindo boas notas e deixando o anfitrião que nadava em casa para trás. Em sua casa, todos acompanhavam as monobras atentamente.

"Eu estou muito feliz, emocionada, qual é a mãe que não se sentirá orgulhosa de ter um filho que vai levar o nome de Baía Formosa para o mundo? É até complicado de falar. É só alegria", disse a mãe.

Com a conquista, Italo se consagra como o primeiro surfista da história dos Jogos Olímpicos a vencer a competição. De quebra, também se tornou o primeiro atleta do Rio Grande do Norte a subir no lugar mais alto do pódio. Antes, Virna Dias (vôlei/1996 e 2000) e Vicente Lenilson (revezamento 4x100/2000 e 2008) haviam conquistado medalhas de prata e bronze, respectivamente.

Estadão
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