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Técnico vê Daiane "bem chateada" e torce por contribuição para 2016

31 ago 2012
17h19
Rafael Bragança
Direto de São Paulo

Pouco mais de um mês após encerrar sua participação na Olimpíada de Londres, com a eliminação na primeira fase das disputas da ginástica artística, Daiane dos Santos se viu forçada a antecipar a aposentadoria, que deveria acontecer ao final do ano, e confirmou que não competirá mais depois de realizar uma cirurgia no joelho esquerdo. Segundo seu técnico no clube Pinheiros, o argentino Raimundo Blanco, a experiente ginasta, de 29 anos, ficou "bem chateada" por ter que tomar a decisão antes do esperado.

Daiane deveria competir neste final de semana em Goiânia, no Campeonato Brasileiro da modalidade. No entanto, teve que desistir do torneio por causa de um problema no menisco, que já vinha a incomodando desde o retorno de Londres. "Ela é uma ginasta de ponta, não tem porque se expor (em continuar competindo, mesmo lesionada)", disse nesta sexta-feira Blanco, que acompanha a equipe do Pinheiros na capital goiana. "Ficou bem chateada, mas acontece", resumiu o treinador de 55 anos, há dez no clube paulistano.

"Queria que ela competisse, mas sempre é muito importante preservar a saúde da pessoa. Estou seguindo orientação médica, é uma decisão conjunta. Se ela não está 100% por cento para mim também não serve", explicou o supervisor técnico de ginástica artística do Pinheiros. Mesmo com a aposentadoria antecipada, Daiane tem contrato até o final do ano com o clube da capital, onde vem treinando desde o retorno da Olimpíada de Pequim, em 2008.

Agora oficialmente aposentada como atleta, Daiane analisa como dará continuidade à sua vida profissional. Ainda em Londres, a ginasta descartou a possibilidade de se tornar treinadora, mas a chance de ajudar o Brasil em sua preparação para os Jogos do Rio, em 2016, pode ser um caminho natural, como torce Blanco. "Ela está vendo o que vai fazer, acredito que vá colaborar com todo o processo de 2016. Ela hoje é uma celebridade, uma pessoa muito conhecida. Acredito que possa ajudar no desenvolvimento da ginástica brasileira", afirmou.

"Torço para que o pessoal aproveite ela. O pessoal precisa começar a ter memória para melhorar o resultado esportivo", indicou o argentino, rasgando elogios a Daiane, primeira brasileira medalhista de ouro no Mundial da modalidade, com a conquista em 2003, no solo. "Extraordinária, ela foi uma das melhores do Brasil, se não foi a melhor. A Daiane é um exemplo de esforço. Eu sei porque comecei a treinar ela de muletas (em 2009), e ela chegou numa Olimpíada. Então para mim como treinador me sinto muito feliz", completou Blanco.

O técnico viveu ao lado de Daiane o momento mais complicado da carreira da ginasta, quando ela havia passado por duas cirurgias após a Olimpíada de Pequim e ainda teve que encarar uma suspensão por doping, que a deixou afastada da Seleção Brasileira de ginástica por quase três anos. Por isso, mesmo com o resultado modesto da equipe feminina do Brasil na modalidade em Londres, Blanco acredita que o desempenho de Daiane foi satisfatório.

"O resultado foi muito bom, tem que levar em conta que só o fato de ela ter participado já foi um sucesso", comentou o argentino, aproveitando também para criticar a renovação no time brasileiro. "Era uma equipe veterana, envelhecida, que já tinha dado tudo que tinha para dar. Foram lá e deram de novo, não tinha mais para dar", disse. "Não houve o tempo necessário para a renovação. Há renovação, mas veio de forma tardia", concluiu Blanco, citando o ouro de Arthur Zanetti nas argolas como um exemplo de trabalho a longo prazo.

Daiane fez sua última apresentação da carreira com a equipe brasileira em Londres
Daiane fez sua última apresentação da carreira com a equipe brasileira em Londres
Foto: Bruno Santos / Terra
Fonte: Terra

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