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Volta da torcida aos estádios aumenta pontuação dos times no Brasileirão

Dos 20 clubes, 14 igualaram ou pontuaram mais agora do que com estádios vazios; público foi determinante para o Atlético-MG na reta final do campeonato

1 dez 2021 03h07
| atualizado às 03h07
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Depois de 20 meses de restrições impostas pela pandemia, a torcida voltou aos estádios e conseguiu empurrar, de fato, a maioria dos times no Campeonato Brasileiro. Dos 20 clubes da Série A, 14 igualaram ou somaram mais pontos como mandantes em relação aos jogos que fizeram com as arenas vazias. Apenas seis tiveram pontuação inferior.

O Estadão comparou os resultados dos clubes no período imediatamente anterior à retomada, das rodadas 11 à 22, com o período que se seguiu, das rodadas 23 à 34. A intenção foi analisar o impacto do retorno do público após as medidas para conter o avanço da pandemia no País.

Os 14 clubes que aproveitaram melhor a força da torcida foram: Atlético-MG, Corinthians, Red Bull Bragantino, Inter, Fluminense, América-MG, Ceará, Santos, Cuiabá, Atlético Goianiense, Juventude, Bahia, Sport e Chapecoense. Os times que fizeram campanhas piores diante da torcida foram: Palmeiras, Flamengo, Fortaleza, Athletico-PR, São Paulo e Grêmio.

Só atleticanos e corintianos venceram todas as partidas como mandantes. O que existe em comum entre os dois é a presença maciça do público, em torno de 40 mil pessoas. "Os times que jogam com casa cheia estão conseguindo grandes resultados", avalia Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá, estreante na Série A e que perdeu apenas uma das sete partidas depois que a torcida voltou à Arena Pantanal.

Virtual campeão brasileiro, o Atlético Mineiro venceu com e sem torcida, antes e depois, fazendo exatamente a mesma pontuação nos dois recortes. Embalado por quase 60 mil pessoas diante do Fluminense, o Atlético conseguiu a 15ª vitória seguida em casa. O time perdeu para o Fortaleza na estreia, empatou com a Chape na sequência e depois só venceu.

O Corinthians mudou de patamar com a volta da Fiel. Após começar o torneio flertando com a zona de rebaixamento, o time de Sylvinho só venceu desde a volta dos torcedores à Neo Química Arena e agora está no G-4. São sete vitórias em sete partidas, sequência que resgata a expressão "caiu em Itaquera, já era". A diferença em relação à campanha como visitante é assustadora. Dos oito jogos, a equipe perdeu cinco e empatou três. "Pegamos o Corinthians com o estádio lotado. Eles fizeram o gol aos 42 do segundo tempo. Se estivesse vazio, talvez eles não tivessem o mesmo ânimo", conta Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

É essa energia que motiva o Juventude na luta contra o rebaixamento. O time ainda não perdeu desde o retorno do público, diante do Ceará. Antes dos jogos, o público faz o chamado "corredor jaconero" para recepcionar o ônibus. "A presença da torcida não foi importante só durante os 90 minutos. Já são quatro jogos em casa e estamos invictos desde o retorno do público", relata Walter Dal Zotto, presidente do Juventude.

Marcelo Paz lembra que o retorno da torcida foi gradativo. O estádio não ficou cheio de um jogo para o outro. Em casa, o Fortaleza alternou triunfos sobre Palmeiras e Atlético Goianiense, por exemplo, mas perdeu para Flamengo e Ceará. "Como ainda temos restrições de acesso por conta da vacinação, nós ainda não conseguimos ter o mesmo público de antes da pandemia. O crescimento tem impacto positivo no rendimento da equipe". Essa é a mesma opinião de Alessandro Barcellos, presidente do Internacional. "Com a torcida no estádio, o desempenho do time tende a melhorar. Ela é um diferencial no Beira-Rio".

Embora tenha influência direta no fator anímico, como explica o professor Marcelo Paciello, pesquisador sobre o comportamento do consumidor esportivo, o torcedor na arena não é certeza de vitória. Também influenciam a formação da equipe, desgaste físico, lesões e a qualidade do adversário.

Outro fator importante é a disputa de outras competições. Antes de ser tricampeão da Libertadores, por exemplo, o Palmeiras usou o time reserva no clássico com o São Paulo e acabou perdendo por 2 a 0. O Athletico Paranaense, campeão da Copa Sul-Americana, sofre risco de rebaixamento por causa de um elenco enxuto. O time teve dificuldades para se dividir em duas competições.

Alguns clubes não conseguiram melhorar sua posição com o estádio cheio. Foi o caso do São Paulo, que faz uma das suas piores campanhas de sua história nos pontos corridos. Nas últimas rodadas, o time de Ceni empatou com o Athletico-PR e perdeu para o Flamengo diante de quase 40 mil pessoas. O time só se recuperou contra o Sport, novamente com estádio cheio.

Estadão
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