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Seleção poderá jogar mais duas vezes no criticado gramado do Engenhão na Copa América

Confrontos das quartas e da semifinal da competição estão programados para acontecer no Rio de Janeiro

24 jun 2021 07h25
| atualizado às 10h05
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Apesar das críticas de Neymar e Tite, a seleção brasileira poderá jogar mais duas vezes no Engenhão nesta Copa América, para desespero dos jogadores e técnicos. Ao garantir a primeira colocação do Grupo B, derrotando a Colômbia na noite de quarta-feira, a equipe nacional voltará a se apresentar no gramado se avançar para a semifinal da competição.

O Brasil já está classificado para as quartas de final, mas ainda vai cumprir tabela na fase de grupos. Sua participação nesta etapa será encerrada domingo, quando enfrentará o Equador no Estádio Olímpico de Goiânia. Depois desta partida, todos os jogos que a seleção fizer nesta Copa América será no Rio. Quando aceitou trazer a Copa América para o Brasil, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que seria apenas mais uma competição em meio a tantas outras no País. Sem preparação e ainda sem saber onde os jogos seriam disputados, sobrou aos jogadores encarar o gramado do Engenhão, um estádio cujo campo não oferece condição para boas apresentações.

A quantidade excessiva de jogos em um gramado que não teve praticamente nenhuma preparação prévia para a Copa América está cobrando sua conta depois de quatro rodadas: mal chega ao segundo tempo, e o que deveria ser um tapete verde no Engenhão passa a exibir uma coloração amarronzada. É notório que o campo precisa de melhor atenção, ainda que a Conmebol não admita isso publicamente.

Craques como Messi e Neymar reclamaram da qualidade do gramado depois de seus primeiros jogos no estádio da zona norte do Rio. "(O campo) não ajudou muito" foi a fala do camisa 10 argentino após o empate com o Chile. "Belo", assim, numa ironia entre aspas, foi o comentário do camisa 10 do Brasil sobre o estado do campo. Neymar não aliviou. Mas coube aos técnicos das duas seleções os comentários mais contundentes. Depois de Lionel Scaloni, da Argentina, classificar como em "estado lamentável", o brasileiro Tite chamou a situação de "inadmissível". A flecha atinge o peito daqueles que deram sinal verde para a realização do toeneio no Brasil, que não se preparou para isso, após a recusa de Colômbia e Argentina em sediar a Copa América em função da pandemia.

A organização da Copa América de última hora no Brasil foi citada como uma das razões pela condição do estado do campo no Rio. "Foi muito rápido o tempo de fazer isso, e não dá. É inadmissível atletas de duas equipes de alto nível, que jogam na Europa com tamanha qualidade de gramado e espetáculo melhor, maior, virem jogar num campo nessas condições", ponderou o treinador brasileiro.

Horas antes do duelo entre Brasil e Colômbia, o Estadão entrou em contato com a Conmebol pedindo um posicionamento sobre as reclamações dos jogadores em relação ao gramado. A resposta foi que "todos os dias se trabalha (cuidando) no campo de jogo" e que "sempre há opiniões divididas sobre os campos", ainda que ninguém até o momento tenha elogiado a situação do Engenhão.

O Brasil foi definido como sede da Copa América apenas duas semanas antes de seu início, e o estádio carioca recebeu, de última hora, a incumbência de ser palco de nada menos do que sete partidas - incluindo um jogo de quartas-de-final e outro de semifinal. Nesse período, a Conmebol mantém o controle provisório do estádio administrado pelo Botafogo e até chegou a fazer "melhorias" no gramado, o que, aparentemente, não funcionou a contento. O clube carioca não se manifestou.

Oficialmente chamado de Estádio Nilton Santos - craque do Botafogo, bicampeão com a seleção nas Copas de 1958 e 1962 e eleito pela Fifa o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos -, o belo Engenhão, de fato, merece um gramado mais condizente com sua história.

Tite perdeu a paciência. "Um campo que não vou chamar de horrível, mas muito ruim para se jogar futebol, prejudica todo o espetáculo. Quem quer criar, não consegue. Ele já tinha falado mal do gramado em outras ocasiões. Mesmo assim, o treinador terá de reencontrar o surrado gramado na sexta-feira da próxima semana, dia 2 de julho, pelas quartas de final. O adversário ainda não foi definido. Mas será o quarto colocado do Grupo A. Uruguai e Paraguai são os mais cotados. E será jogo decisivo.

Se confirmar a boa fase e alcançar a semifinal, a embalada seleção brasileira jogará mais uma vez no Engenhão, no dia 5 de julho. Um triunfo levará o time à decisão e também ao Maracanã, palco da final da competição, no dia 10 de julho. Se perder, jogará no Mané Garrincha, em Brasília, na disputa do terceiro lugar, como aconteceu na Copa do Mudo de 2014, quando o Brasil perdeu para a Holanda.

As reclamações do Brasil quanto ao Engenhão começaram após o primeiro jogo no estádio, a goleada sobre o Peru por 4 a 0, na segunda rodada. "Comemorando o gol de ontem no 'belo' gramado do Engenhão #porfavorarrumaocampo", ironizou Neymar em suas redes sociais um dia depois da vitória. O técnico Ricardo Gareca, do Peru, engrossou o coro contra o campo depois da derrota para o Brasil.

Portanto, dois dos principais jogadores do futebol mundial, Neymar e Messi, detonaram o gramado do Engenhão nesta Copa América trazida às pressas para dentro do Brasil, sem consulta prévia e que até gerou revolta entre os jogadores da própria seleção. Quando CBF, Conmebol e Bolsonaro acertaram fazer a competição, eles não sabiam sequer em quais Estados brasileiros os jogos seriam realizados. Os melhores estádios do Brasil não são usados. Há ainda o temor da covid-19. Já são 166 casos envolvendo a Copa América, entre jogadores, membros da comissão técnica e colaboradores para atender as seleções em hoteis, CTs e estádios.

Estadão
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