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Santos x Palmeiras: clássico traz modelos distintos de utilização da base no profissional

Peixe tem usado os jovens como necessidade diante da falta de recursos e vem colhendo frutos. Já o Verdão complementa o elenco com suas joias que tem ganhado protagonismo

28 mai 2022 06h42
| atualizado às 11h20
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Neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, Santos e Palmeiras se enfrentam pela oitava rodada do Brasileirão-2022. O clássico estadual coloca frente a frente rivais que utilizam bastante as suas bases, que estão entre as melhores do Brasil. No entanto, cada um tem seus métodos e motivos para promover essas joias no time principal. O Peixe usa como necessidade, já o Verdão o faz como complemento.

Kaiky e Wesley são exemplos do uso da base em cada um dos clubes (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Kaiky e Wesley são exemplos do uso da base em cada um dos clubes (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Foto: Lance!

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Santos, onde os raios caem várias vezes para "salvar" o clube

No Santos, há uma espécie de mantra repetido entre os torcedores que diz que "a base salva". Normal para um clube que historicamente tem a fama de revelar estrelas, entre elas o maior de todos os tempos, Vossa Majestade, o Rei Pelé.

Mas os raios seguem caindo pelas bandas da Vila Belmiro, com o Alvinegro Praiano tendo exportado grandes jogadores nos últimos anos, entre eles Neymar e Rodrygo. E as revelações seguem, mesmo em grau de habilidade inferior, mas é justamente a base que tem salvado o Peixe em anos de vacas magras financeiramente.

Dos 33 atletas do atual elenco, 14 são oriundos da base, o que correspondência 42% do plantel, quase metade. E a grande maioria desses jogadores ascenderam aos profissionais nas últimas temporadas, casos do zagueiro Kayke, dos meias Sandry e Gabriel Pirani, do atacante Marcos Leonardo, nomes que, mesmo com pouca idade, já possuem certa rodagem no time principal.

No mês de janeiro deste ano, o Santos, mesmo em reestruturação do seu departamento de base, com trocas na gerência e até no comando técnico do time sub-20, chegou à decisão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, perdendo justamente do Palmeiras na final.

Entre a base do time titular que decidiu o principal campeonato para a garotada no Brasil, o goleiro Diógenes, o lateral-esquerdo Lucas Pires, o meia Lucas Barbosa e o atacante Rwan Secco estão integrados ao elenco principal do Peixe.

Pires, inclusive, é titular absoluto da ala esquerda santista, suprindo um problema do clubes há anos, que era um segundo jogador pra posição. Mas o Menino da Vila foi além, superando Felipe Jonatan, que está no Alvinegro desde 2019, e assumindo a titularidade.

Hoje, Lucas Pires é uma unanimidade no Santos e desperta interesse do futebol europeu. Recentemente, o Benfica, de Portugal, sondou o jogador, mas já está ciente que o Peixe não liberará o atleta.

Lucas Barbosa e Rwan Secco não são titulares absolutos, mas vira e mexe aparecem no 11 inicial santista, principalmente na Sul-Americana, em que o técnico Fabián Bustos costuma poupar atletas. Aliás, na competição continental, a dupla de crias foi fundamental, marcando gols nos últimos minutos de jogos contra a Universidad Católica, do Equador, e Union La Calera, do Chile, que colocaram o Peixe nas oitavas de final do torneio.

Até mesmo no gol, o Santos tem revelado raios. Em 2020, após perder Vanderlei e Everson, o Peixe, que na época não podia contratar, por conta de uma punição da Fifa, recorreu à dupla João Paulo e John.

Inicialmente, os dois arqueiros alternaram os momentos, mas desde o ano passado, com a lesão de menisco sofrida por John, JP assumiu de vez a meta santista, se tornou o grande nome do clube, teve contrato renovado, com aumento salarial, e hoje é o capitão do time.

Crias do Palmeiras são frutos de um processo e agregam nas glórias

Por muitos e muitos anos, o Palmeiras ficou com a fama de um clube que não revelava jogadores, que se baseava em comprar dos outros times quando essas peças já estavam prontas. Mas isso tem mudado nos últimos anos e agora é talvez a melhor base do país, com resultados e desenvolvimento de jovens de alto nível. Alguns deles já no elenco profissional, empilhando títulos e mais títulos na estante.

Foi preciso muito investimento, paciência e trabalho sério para que um clube gigantesco como o Verdão pudesse chegar em 2022 com um modelo de excelência no trabalho com jovens. Mas o momento dos profissionais também ajudou e muito no surgimento das joias.

Com saúde financeira para montar e sustentar elencos fortes, em momento algum de 2015 para cá os investimentos na base foram cobrados por retornos esportivos. Pelo contrário. O sucesso do time de cima fazia com que esse trabalho nas "canteras" palmeirenses fosse feito de forma natural, sem atropelar etapas e sem tratar como "salvação", como Santos tem precisado fazer nos últimos anos.

As adições de jovens promessas ao profissional foram feitas de forma pontual e gradativa, como foi o caso de Gabriel Jesus, em 2015, que depois se tornou protagonista até ser vendido ao Manchester City. Outros nomes como Artur não foram utilizados como esperado, porém acabaram rodando para ganhar "casca" e renderam financeiramente. Nesse caso, na venda ao Red Bull Bragantino.

Até que em 2020, numa reformulação do elenco e numa política de contenção de despesas com reforços, o Palmeiras passou a olhar para a base como uma fonte de recursos e não como necessidade. Todo aquele trabalho de anos e anos estava dando frutos e oferecia uma geração de qualidade, com nomes como Gabriel Menino, Patrick de Paula, Gabriel Veron, Danilo, Renan, Wesley, entre outros garotos.

Todos esses jovens estiveram presentes no bicampeão da Libertadores com Abel Ferreira e nenhum teve status de "salvador da pátria" ou como solução para os problemas. Nada disso. Eles agregaram a um bom elenco e ganharam espaço a ponto de protagonizarem momentos dessas conquistas. A juventude, inclusive, causou oscilações em alguns dos nomes citados anteriormente, o que é natural.

Atualmente, essa garotada tem tido menos espaço. Danilo, que é um "fora da caixa", como diz Abel, é titular absoluto, enquanto Veron e Wesley vêm tentando ter uma sequência. Já Menino caiu de produção e vem buscando recuperação. Patrick e Renan deixaram o clube.

O que tem acontecido é a torcida palmeirense cobrar o treinador português a colocar em campo mais promessas, visto que Verdão venceu a Copinha de forma inédita, justamente em cima do Santos, com vários destaques, que vêm treinando com o elenco principal como grupo de apoio. Aos poucos, com os desfalques e a maratona de jogos, eles estão ganhando espaço, mas sem uma cobrança.

Isso tudo sem falar de Endrick, que talvez seja a maior promessa brasileira da atualidade. Antes mesmo de completar 16 anos, os torcedores já aguardam ansiosamente para quando a joia puder entrar em campo. Estruturado em todos os aspectos, hoje, o Palmeiras não precisa que Endrick estreie e resolva, o que vai ajudar no desenvolvimento do garoto em etapa por etapa, para agregar.

Lance!
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