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Peres promete revolucionar o Santos: "Vamos passar uma vassoura"

6 dez 2017
08h16
atualizado às 14h40
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Segundo colocado nas eleições de 2014, com 1.139 votos, José Carlos Peres decidiu voltar a concorrer ao posto de maior honra do Santos Futebol Clube no pleito que acontece neste sábado, a partir das 10h (de Brasília). Três anos após a derrota, o empresário se vê mais experiente e pronto para fazer uma reformulação completa no Peixe.

Além disso, Peres também ganhou aliados de peso. Afinal, Orlando Rollo, que ficou em quarto na última eleição, com 855 votos, está como vice na chapa 'Somos Todos Santos'. O jornalista e escritor Odir Cunha, que já apareceu como possível candidato no passado, também está com o grupo de oposição.

Sem 'prometer loucuras', Peres, que foi o segundo entrevistado da série exclusiva da Gazeta Esportiva , planeja atrair 100 mil sócios em três anos, pretende mandar 50% dos jogos do Peixe em São Paulo e não descarta demolir a Vila Belmiro para construir uma arena no mesmo local, desde que consiga investidores.

No pleito do próximo sábado, Peres irá concorrer com o atual presidente Modesto Roma Júnior, da 'Santos Gigante', Andres Rueda, da chapa 'Santástica União', e Nabil Khaznadar, do grupo 'O Santos Que Queremos'.

Gazeta Esportiva: Por que o senhor deseja ser presidente do Santos?

José Carlos Peres: "Eu quero ser presidente porque estou preparado. Me preparei por 20 anos para isso. Sou o único candidato que conhece o clube por dentro e por fora. Tenho conhecimento internacional e conheço a torcida do Santos da Baixada, de São Paulo, do interior, etc. Acima de ter a pretensão de dirigir o maior clube do mundo, tenho o desejo de fazer as grandes mudanças que nós precisamos. Temos os 11 pilares do nosso plano de governo que serão vitais para que o Santos assume o lugar de destaque que está afastado há anos".

Gazeta Esportiva: Quais são esses 11 principais pontos da sua proposta de governo?

Peres: "Primeiro: Transparência e Reputação. Segundo: reaproximação com o sócio. Temos um projeto para atrair 100 mil sócios em três anos. Terceiro: Gestão e Controle das dívidas. Quarto: Projeto Capital, onde vamos fazer 50% dos jogos em São Paulo e 50% na Vila. Quinto: Santos Cidade do Futebol, projeto do Odir Cunha que é atrair mais turistas e explorar as ricas histórias da cidade. Sexto: Hospitalidade. Precisamos dar lanchonete boa, banheiros e cadeiras limpas, reformando e melhorando a Vila. Sétimo: Internacionalização da marca. Já mapeamos isso e vamos expor a marca do Santos em países como Estados Unidos, China, Japão, etc. Oitavo: Vila Belmiro a nossa casa. Vamos dar uma baita arrumada na Vila e vou explicar nas suas próximas perguntas. Nono: Patrimônio. Nós vamos ter uma pessoa dedicada apenas em melhorar essa questão. Estamos para perder o CT Rei Pelé e isso não pode acontecer. Décimo: Respeito ao Estatuto. Essa gestão foi a que mais desrespeitou o estatuto do clube e isso não acontecerá na nossa gestão. Décimo e primeiro: Futebol. Começando da base até o profissional, nós vamos fazer uma integração entre todas categorias. Teremos futebol feminino e futsal fortes, desde que tivermos parceiros para fazer isso. No profissional vamos ter um diretor executivo com perfil e história para tocar o clube, que saiba das nossas necessidades. Vamos fazer uma reformulação completa na base e no profissional do Santos, com direito a vassourinha e tudo".

Gazeta Esportiva: O senhor é a favor do Comitê Gestor nos moldes de hoje? Se não, qual é o modelo ideal na sua opinião?

Peres: "O Comitê de Gestão é estatutário. Não dá pra acabar com ele facilmente. Precisa entrar em votação no Conselho. Nós propomos uma coisa diferente, criar um Conselho de Administração, com cinco anos de duração, que tenha eleição justamente nos intervalos das eleições presidenciais, para que nenhum candidato desse conselho faça parte de alguma chapa. Ele servirá para fiscalizar orçamentos, balanços, contratações de jogadores. Isso passará por lá e vai ser discutido. Não somos contra o Comitê de Gestão, mas achamos que será melhor se ele virar esse Conselho de Administração. Mas enquanto o Comitê existir, nós vamos cumpri-lo. Todas reuniões serão gravadas, irão para o Portal da Transparência. Vamos passar o Santos a limpo.

Gazeta Esportiva: Após as eleições de 2014 o senhor aceitou um convite do presidente Modesto Roma Júnior para trabalhar como gerente de marketing internacional do clube. Qual foi exatamente o trabalho de que o senhor exerceu? Se arrepende de ter trabalhado para o atual mandatário do Santos?

Peres: "Eu jamais me arrependeria de prestar um serviço para o clube do meu coração. Nunca trabalhei para o Modesto, mas sim para o Santos. Trabalhei por sete meses. Fiz um trabalho junto a escolinhas na China. Nunca fui gerente de marketing. Não tinha nem sala para trabalhar. O Marcelo Teixeira me indicou para o Modesto e aceitei esse convite para cuidar das escolinhas da China desde que se houvesse um pacto de não falarem de eleições. Também disse que ficaria só até junho pois tinha meu desejo de participar do pleito. Fechamos o acordo. Fui trabalhar e gastei do meu bolso com várias despesas. Isso ninguém fala. Só falam do salário que ganhei, mas não das despesas que tive. Não era minha função e eu trouxe a Miami Cup e a Florida Cup, pois conheço o mercado internacional. Estava tudo fechado e no amistoso contra o Benfica o presidente disse que não iria mais. Os americanos são sérios e me ligaram soltando os cachorros. Disse para conversarem com o Modesto porque ele que declinou. Até tentaram acertar só para um jogo, mas o Roma fez um contrato após o tempo limite que os americanos estipularam. Por conta disso, eles ficaram bravos e não aceitaram mais nada. Depois de tudo isso, o organizador da Miami Cup me ligou e disse: "Estou torcendo para você ganhar, porque o Santos não merece isso que está acontecendo". Até o futebol feminino iria para os Estados Unidos. Mas não quiseram. Enfim, eu trabalhei. Suei a camisa. Tenho honra do que fiz. Tentei trazer o patrocínio de uma empresa aérea e não consegui poque me disseram que haviam renovado com a Air Maroc, e no final das contas não tinham feito nada. Mas vamos mudar tudo isso em janeiro".

Gazeta Esportiva: Muito se fala hoje sobre a rixa dos santistas que moram na Baixada com os que residem na Grande São Paulo. Como resolver isso?

Peres: "Para começar, assumir o Pacaembu é uma falácia. Vamos jogar lá e alugar enquanto a licitação da Prefeitura de São Paulo não terminar. O Santos não participa da licitação. Perdeu o bonde. Hoje tem esse processo e quatro empresas disputam. Nenhuma delas recebeu uma aproximação do clube. Então, é leviano falar que você vai alugar o estádio por três anos. É uma brincadeira de mau gosto. A empresa que for a vencedora da licitação vai procurar uma bandeira, que não é necessariamente a do Santos. Temos que estar preparados para jogar no Pacaembu enquanto der. Quando o Pacaembu tiver um dono, nós jogaremos no Morumbi ou até em uma outra praça, como o Canindé. Também pretendemos conversar com a empresa que ganhar a licitação do Pacaembu. A ideia será essa: 'Nós oferecemos a bandeira do Santos pro estádio. A gente joga de graça, vocês fazem seus sonhos e respeitam a nossa marca'. Se aceitarem, ótimo. Se não, vamos arrumar um outro jeito".

Gazeta Esportiva: O senhor entende como necessário a construção de uma nova Arena?

Peres: "Vamos falar a verdade aqui, pois não dá para enrolar e prometer loucuras. Tanto Santos como São Paulo só receberão uma nova arena se tiverem investidores disponíveis. E se for pra fazer uma arena em Santos, pequena, para 25 mil, tem que ter uma empresa investidora. Além disso, não queremos de forma alguma esse modelo que a atual gestão quer implantar, onde o estádio vai ser erguido a 700 metros de distância da Vila e nunca seria do Santos. Não vamos fazer isso com o santista".

Gazeta Esportiva: Mas a construção de uma arena em Santos não está descartada? Já que não vai ser nesse modelo que a atual administração quer, como vocês fariam?

Peres: "Queremos um modelo onde cederíamos o espaço da Vila para um investidor, que iria demolir o estádio e construiríamos uma nova arena, moderna, estruturada e com uma hospitalidade decente, o que não vemos na Vila atual. Nós não temos dinheiro para fazer uma obra desse tamanho atualmente.

Mas se for para fazer uma arena temos que derrubar a Vila. Não tem outra maneira, afinal, porque eu faria uma arena com cerca de 700 metros de distância da nossa casa? E a Vila não seria mais usada? O Wembley foi derrubado, alguns criticaram na época e hoje ele é maravilhoso. Eu amo a Vila Belmiro, que é a nossa casa histórica. Mas se for hoje na casa onde eu nasci, ela está caindo aos pedaços. Eu vou chegar para todos e falar 'não dá pra derrubar, é minha casa'? Não existe isso. Desde que se faça uma casa boa no lugar. No momento, porém, nós queremos apenas dar uma arrumada na Vila atual. Vamos tirar aqueles camarotes de baixo que ficaram uma vergonha, tirou a pressão da torcida. Do outro tem a parte onde tinha o antigo setor Visa, que tiraram. Na minha gestão farei o possível para a Visa vir comigo e fazermos não só aquele como outros setores para que tenhamos um 'estádio Visa', desde que eles coloquem dinheiro e ajudem a reformar".

Gazeta Esportiva: Vários estudos para construir uma arena no mesmo espaço da Vila já foram feitos e não saíram do papel, por que com vocês seria diferente? Teria espaço isso?

Peres: "Tem espaço sim. Já fizemos um projeto. Ficou provado que se você ganhar as calçadas, dá para demolir e construir um novo estádio, moderno. Mas não dá para mentir. Não posso só ficar falando de arena agora, pois o Santos tem muita dívida. Tem que vir um parceiro que construa uma nova Vila, pinte ela com as cores e fale 'é do Santos', depois ela que se vire com os shows, como acontece com o Palmeiras. Temos essa pretensão, mas não dá para enganar o sócio".

Gazeta Esportiva: Como vai ser o relacionamento de José Carlos Peres com as torcidas organizadas do Santos? Elas precisam de apoio do clube?

Peres: "Tudo na vida evolui. E acho que a torcida organizada também pode evoluir. Ela tem o seu valor sim. Dou até graças a Deus que essas brigas entre torcidas diminuíram. O Santos é o time que tem menos rejeição no futebol brasileiro. Temos que aproveitar isso. Temos que ser hospitaleiros, pois quando jogarmos fora, eles também serão com a gente. Os adversários são dentro do campo, não fora. Quando essa cultura do time rival ser inimigo acabar, tudo vai caminhar bem. E a torcida organizada terá um papel importante, desde que ela siga cumprindo seu papel e seja participativa. Se isso acontecer, ela será tratada da melhor forma possível".

Gazeta Esportiva: Como você avalia a situação das categorias de base do Santos? Pretende manter o time B? E recentemente as promessas Rodrygo e Yuri Alberto foram promovidas ao time profissional. Ainda é pouco?

Peres: "É nada! Subir os garotos não significa que vai subir jogadores de futuro. Essa própria gestão subiu vários atletas. A do Odílio então foi uma coisa absurda. Porém, você conta nos dedos os que deram certo. A base do Santos precisa de uma reformulação completa. Precisa parar de ter emprego por indicação. Vamos passar com uma vassoura para arrumar isso tudo. Vamos ter um gerente de base que tenha amor pela profissão, não só pelo Santos. A base precisa de treinadores que sejam comprometidos, não esses quem dão um treino de manhã e vão embora. Precisa de técnicos que entrem às 9h da manhã e saíam às 17h30, pois o salário dele é para isso. Queremos disciplina e vamos cobrar isso. A partir daí, vocês verão quantos atletas bons nós vamos revelar. Ao contrário do que pode pensar algum outro candidato, nós não pretendemos acabar com o Santos B. Extinguir a equipe é o mesmo que você chegar em uma fazenda, ver uma vaca doente e ao invés de tratar o problema, matar a vaca. Não é por aí. Temos que pegar o sub-23 e torná-lo um sub-23 de verdade, e não um ninho para empresários como vemos atualmente. Para isso precisamos de olheiros pelo Brasil que possam fazer uma captação de jogadores jovens. Faremos uma análise sobre a situação do time atualmente, ver o que está errado e arrumar o Santos B".

Gazeta Esportiva: De que forma você vê a relação do Santos com seus associados? Algo de diferente precisa ser feito? Como fazer para atrair o torcedor e aumentar o número de sócios?

Peres: "Primeiro vamos falar sobre o sócio inadimplente. Para resolver esse problema, nós pretendemos criar uma espécie de Refis, onde ele pode pagar o que deve em uma longa parcela. Digamos que divida em 100 vezes. Mesmo assim não terá problema, porque pelo menos ele está pagando. O importante é trazer o sócio de volta. Agora falando de forma geral, vamos cobrar da empresa contratada um maior profissionalismo, porque atualmente e sócio não recebe nem boleto. Eu, que sou candidato, não recebi. Se não fosse na secretaria social para pagar, eu não poderia votar no clube. Então para mim essa empresa não serve. Ela foi criada em dezembro e entrou no clube em janeiro, o que já é imoral, eu quero saber se ela cumpre contrato. Se não cumprir, nós vamos quebrá-lo judicialmente. Não queremos empresa e funcionário incompetente. O Santos tem que funcionar como um relógio, não pode atrasar nem um segundo. E o voto à distância será nossa bandeira. O Rollo até já foi contra isso, mas porque não tinha segurança alguma, o cadastro está batizado. Vamos fazer um recadastramento sócio a sócio, com uso de biometria. E o voto à distância não será somente na eleição. Vamos fazer para referendo, contratações, consultas diversas, etc. Com o voto à distância a gente abre um leque para o sócio. Isso vai acabar com essa gente que vive orbitando o Santos, jogando terrorismo, não fazendo nada pelo clube e dividindo a nossa torcida".

Gazeta Esportiva: Como você vê a relação do Santos com seus ídolos, principalmente Pelé e Neymar. Acredita que existe um distanciamento do clube com eles? Se sim, como consertar isso?

Peres: "A distância é imensa, um vácuo. Não tem nem ponte para atravessar. Uma promessa minha é o Pelé ter uma cadeira no Conselho de Administração e irá quando quiser. Também será nosso presidente de honra. Faço questão de passar minha nomenclatura de presidente para ele. Terá uma cadeira cativa eterna também na Vila. E terá um tapete vermelho sempre que vir pra cá. O Neymar teve essa transação estranha com o Barcelona. Ok. Mas ele é um ídolo do clube. Ele não dar uma entrevista e dizer que vai jogar no Flamengo, no Palmeiras, etc. Ele não fala isso para te atingir, torcedor. Diz isso para atingir a atual gestão, que moveu um processo contra ele, quando deveria mover um processo somente contra o Barcelona, que o aliciou. Agora o Neymar tem que se sentir a vontade para vir até a Vila e o CT. É a casa dele. Não podemos tirar isso dele, ou do Diego, do Robinho, etc. Queremos aproximar todo mundo".

Gazeta Esportiva: Hoje o Santos tem Elano como treinador. Se eleito, o senhor pretende efetivar o Elano ou buscar um novo técnico? Se for buscar, já tem alguns nomes em mente?

Peres: "Temos algumas negociações em andamento. Queremos treinadores com o perfil do clube, que entenda a importância da base. Não vamos fazer loucuras. O Elano é um cara de um caráter muito bom, ao contrário do que disseram que ele até derrubou treinador. Vai ser aproveitado sim, mas não necessariamente como técnico. Para ser treinador ele precisa aprender um pouco mais. Ele tem humildade e sabe que precisa estudar um pouco mais. No momento certo ele será o treinador".

Gazeta Esportiva: Com relação a reforços, o que o senhor tem de ideia? Com o Santos garantido na Libertadores de 2018, é fundamental trazer reforços 'tops' ou é melhor investir no bom e barato para não comprometer as finanças?

Peres: "Estamos estudando um diretor executivo e vamos discutir com ele as contratações. Tem que acabar esse negócio de presidente falar com a paixão. Qualquer negócio tem que ser analisado por profissionais competentes. Chega de contratar vários jogadores e só um dar certo, como aconteceu neste ano. É um absurdo. Já estamos analisando o mercado. Algumas posições sabemos que precisaremos mexer. A partir do momento que acabar a eleição, se eleito for, vamos começar essa revolução".

Gazeta Esportiva: O que o torcedor santista pode esperar da chapa 'Somos Todos Santos'?

Peres: "O torcedor do Santos pode esperar sinceridade e honestidade. Estão me batendo bastante nessas eleições pois estou bem colocado, mas quero prometer que serei o presidente do Santos e de todos os santistas. Não haverá separação por classe, cidade, etc. O torcedor será respeitado e valorizado. Essa divisão de 50% dos jogos entre São Paulo e Santos irá provar que não existe divisão. O Santos é de Santos, de São Paulo, do Brasil e do mundo. Vamos provar que isso é possível. Temos um bom projeto. E sou o único candidato que pode unir todos os santistas. Menos ódio e mais união".

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