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Nabil quer assumir o Pacaembu, construir novo CT e acabar com time B do Santos

5 dez 2017
08h05
atualizado às 08h05
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"Sou a única e verdadeira oposição", assim define-se Nabil Khaznadar, candidato à presidência do Santos. Tentando pela segunda vez assumir o posto, o empresário de 57 anos foi o primeiro entrevistado da série que se inicia nesta terça-feira, onde a Gazeta Esportiva vai ouvir todos os quatro pleiteantes ao cargo mais nobre no Peixe sobre diversos temas relacionados ao clube, com questões semelhantes para ambos.

Representando a chapa 'O Santos Que Queremos', o gestor ligado a grandes marcas de roupas é sócio há 33 anos e foi conselheiro em cinco ocasiões. Acreditando ser o único opositor real do atual presidente Modesto Roma Júnior, Nabil tem como uma de suas principais propostas assumir o Pacaembu pelos próximos três anos.

Além disso, o empresário também pretende construir um novo Centro de Treinamento para o time profissional, quer extinguir o 'Santos B' e faz questão de negar veementemente qualquer contato com o ex-mandatário Odílio Rodrigues, que o apoiou na última eleição, em 2014, quando terminou na última colocação, com 735 votos.

No pleito do próximo sábado, Nabil, que tem Fábio Pierry como vice, irá concorrer com o atual presidente Modesto Roma Júnior, da 'Santos Gigante', Andres Rueda, da chapa 'Santástica União', e José Carlos Peres, do grupo 'Somos Todos Santos'.

Gazeta Esportiva: Por que o senhor deseja ser presidente do Santos?

Nabil Khaznadar: "Porque tenho certeza que sou o melhor dos quatro candidatos. Temos uma equipe melhor, um vice melhor. Sou a única e verdadeira oposição. Estamos aí para fazer um Santos diferente, com uma gestão transparente e profissional. Tenho certeza que o torcedor quer isso. O santista não aguenta mais ser enganado".

Gazeta Esportiva: Quais os principais pontos da sua proposta de governo?

Nabil: "Primeiro vamos fazer uma gestão completamente transparente, com um portal de transparência profissional. Com verdadeiros profissionais do ramo, como Amir Somoggi, Walter Schalka, Celso Loduca, Celso Jatene, etc. Trazer um gerente de futebol profissional que apareça, dê as caras e não se esconda como o atual faz. Vamos assumir o Pacaembu por três anos também. Temos uma proposta para preencher as cadeiras cativas 48 horas antes dos jogos. O dono da cativa que não for ao jogo precisará liberá-la para quem quiser ir. O valor desse ingresso será revertido parte para o clube e parte para o dono da cadeira, pois é um direito dele. Vamos também construir um novo CT. Temos um acordo bem adiantado com uma multinacional para assumir o CT Meninos da Vila, obviamente com a liberação da Prefeitura e da Câmara de Santos. O CT Rei Pelé vai virar o CT Meninos da Vila. E essa empresa multinacional também está fazendo um estudo para construir um novo CT para o time profissional do Santos em uma área mais afastada da cidade. Todo grande centro de treinamento dos grandes clubes europeus fica longe de suas cidades, e no Santos não pode ser diferente. Em torno de um ano e meio todo esse projeto estará pronto. Esses são meus principais pontos".

Gazeta Esportiva: O senhor é a favor do Comitê Gestor nos moldes de hoje? Se não, qual é o modelo ideal na sua opinião?

Nabil: "O Comitê hoje é muito mal trabalhado. Eles não entenderam como ele funciona. O Comitê é um conselho de qualquer grande empresa. As escolhas precisam ser discutidas entre os membros. Eu não mudaria nada, só arrumaria o jeito como ele é trabalhado, porque atualmente não está sendo correto. O CG precisa ser feito como um espelho, quem entende de patrimônio cuidará do patrimônio, assim como o futebol, etc".

Gazeta Esportiva: Na última eleição o senhor foi apoiado pelo então presidente Odílio Rodrigues. Se arrepende desse apoio? Hoje ele participa de algo da campanha?

Nabil: "Eu não me arrependo de nada na minha vida. Ele decidiu dar o apoio há três anos e eu aceitei, como poderia aceitar de qualquer outro. Faz três anos que eu não vejo o Odílio Rodrigues. Até comentei com um outro repórter no debate que teve na Santa Cecília TV: 'Se vocês que moram em Santos não veem o Odílio, imagina eu que sou de São Paulo!' Nunca mais falei com ele, não sei do seu paradeiro. Acho que se ele errou, o clube está julgando. Mas ele não participa da nossa chapa. Aliás, a nossa chapa, formada por 250 conselheiros, não está prometendo cargo remunerado para nenhum deles".

Gazeta Esportiva: Muito se fala hoje sobre a rixa dos santistas que moram na Baixada com os que residem na Grande São Paulo. Como resolver isso?

Nabil: "O Santos está adormecido. Precisamos voltar a ter a torcida em São Paulo. Quando entrei na Torcida Jovem em 74 nós dividíamos o estádio com o Corinthians, tínhamos mais torcida que Palmeiras e São Paulo. O Santos é de Santos, mas precisamos ter mais jogos em São Paulo e até no interior do estado. Santista é santista seja de onde for. Nós queremos acabar com essa separação de locais, até por isso vamos assumir o Pacaembu. Queremos criar uma ponte. Fazer São Paulo e Santos serem uma coisa só. Nossa luta vai ser pra acabar com esse separatismo. Estamos muito distantes do nosso torcedor. Com relação a quantidade de jogos, vamos fazer o que for melhor para o clube. Se for pra jogar 60% no Pacaembu e 40% na Vila, nós vamos fazer. Antes de começar algum campeonato, nós já vamos definir quais jogos serão em qual estádio, inclusive mandar partidas no interior de São Paulo e até em outros estados. Isso é bem simples de ser resolvido.

Gazeta Esportiva: Mesmo com a sua intenção de assumir o Pacaembu, a Prefeitura de São Paulo está com um processo licitatório no estádio. Isso atrapalharia?

Nabil: "São coisas completamente paralelas. E esse processo irá demorar bastante, levará anos, até porque os moradores do bairro também estão sendo contra a licitação. Sendo pessimista, digamos que daqui dois anos essa licitação seja definida, nós teremos uma cláusula que irá encerrar os últimos meses desse contrato. Como sabemos que irá demorar, nós vamos ficar com o Pacaembu neste período. Mas a atual diretoria paga muito caro para jogar lá pagando por jogos avulsos. Dois grandes clássicos lá dariam uma renda de R$ 4,5 milhões, que já pagaria o valor que vamos gastar assumindo o estádio. Nós combinamos com o secretário que vamos fazer melhorias no Pacaembu para ter descontos no aluguel. Construir banheiros, que praticamente não existem lá, fazer novas lanchonetes, melhorar as arquibancadas, cadeiras, e construir uma loja do Santos dentro do estádio. Já conversei com uma empresa até para construir um placar eletrônico também. Isso tudo seria abatido no aluguel".

Gazeta Esportiva: O senhor entende como necessária a construção de uma nova Arena?

Nabil: "Isso será totalmente descartado por nós. Vemos essa proposta como eleitoreira. Não tem a menor possibilidade desse estádio sair do papel com a forma como está a economia do país no momento. As empresas não estão investindo nesse modelo de arena. Não vamos fazer isso com o Santos Futebol Clube".

Gazeta Esportiva: É viável uma reforma ou ampliação da Vila?

Nabil: "A gente precisa reformar a Vila sim. Ela é nosso mágico estádio, onde eu já vi centenas de jogos. Mas ela foi feita da forma mais brasileira possível, com um puxadinho aqui, outro ali, etc. Nos últimos anos ela foi muito elitizada, com a criação de vários camarotes. Vamos acabar com isso, fazendo a torcida se sentir mais próxima ao gramado. Mas não vamos fazer reformas com puxadinho aqui e outro ali. Queremos algo concreto, bem pensado, tirando os pontos cegos da vila também. Vamos fazer a Vila voltar a ser um caldeirão".

Gazeta Esportiva: Como vai ser o relacionamento do Nabil Khaznadar com as torcidas organizadas do Santos? Elas precisam de apoio do clube?

Nabil: "Confesso que não pensei nisso ainda. Mas só sinto que elas não se falam muito em prol do time. Cada uma canta uma música diferente. Temos que sentar com eles e pedir uma união em prol do Santos. Eu sou oriundo da torcida jovem, né. Não tenho nada contra e nem a favor. A questão é sentar e conversar para todas pensarem no bem do Santos".

Gazeta Esportiva: Como você avalia a situação das categorias de base do Santos? Pretende manter o time B? E recentemente as promessas Rodrygo e Yuri Alberto foram promovidas ao time profissional. Ainda é pouco?

Nabil: "O Santos B a gente vai acabar. São R$ 600 mil por mês gastos com pouco retorno, e ainda tem um goleiro de quase 40 anos que está tomando o lugar de algum jovem. Na base o resultado dos últimos anos é o pior possível. Vinha de um bi da Copinha e sucateou tudo para empresários. Estamos perdendo a identidade do time que os meninos querem jogar aqui. Vamos fazer o CT Meninos da Vila para o local do CT Rei Pelé pois queremos dar uma atenção ao nosso jovens".

Gazeta Esportiva: De que forma você vê a relação do Santos com seus associados? Algo de diferente precisa ser feito? Como fazer para atrair o torcedor e aumentar o número de sócios?

Nabil: "Nosso sócio precisa de benefícios. O nosso associado não tem um clube social. O nosso associado também não pode assistir os principais jogos do time na Capital. Pra que ter 100 mil sócios se as principais partidas são só para 12 mil? O que fazer com os outros 78 mil? Joga no lixo? É o que está acontecendo! Queremos fazer um plano de benefícios. quando tiver jogo em sp, o sócio de santos terá um benefício maior, e vice-versa. Além disso, vamos fazer com que os sócios ganhem visitas ao CT, assistam aos treinos, ganhem camisas, brindes, etc. Afinal, quem não gosta de um regalo e um brinde? O Amir Somoggi tocará esse lado, porque ele craque nisso".

Gazeta Esportiva: Como você vê a relação do Santos com seus ídolos, principalmente Pelé e Neymar. Acredita que existe um distanciamento do clube com eles? Se sim, como consertar isso?

Nabil: "O Pelé é muito maltratado. Já ouvi que ele foi impedido de entrar na Vila uma vez por conta de uma dívida. Ele tem que ter todas as portas abertas para ele aqui. O Neymar é um caso diferente. É um ídolo sim. Deu uma Libertadores para nós. Teve um caso muito mal resolvido e administrado. Precisamos trazer o menino de volta, porque ele é da cidade. Precisamos fazer ele voltar a entrar na Vila como se fosse sua casa. O Diego, por exemplo, veio jogar aqui e foi destratado pela torcida. Acho isso um erro e começa com a diretoria. Pois ele podia ter recebido uma placa antes de entrar em campo. O exemplo tem que vir de dentro. Não damos exemplo e o torcedor acaba criticando seus ídolos".

Gazeta Esportiva: Hoje o Santos tem Elano como treinador. Se eleito, o senhor pretende efetivas Elano ou buscar um novo técnico? Quem são seus preferidos?

Nabil: "O Elano é um ídolo. Aparentemente ainda tem muito pra crescer na profissão. Mas ele mesmo já disse que pretende fazer cursos e se aprimorar. O Santos é muito grande. Não podemos correr riscos ao arriscar. Temos que ir e acertar o técnico certo. Já temos alguns nomes em mente. Mas só vamos definir isso quando ganharmos a eleição e contratarmos um gerente de futebol. A partir daí nós vamos definir o treinador"

Gazeta Esportiva: Com relação a reforços, o que o senhor tem de ideia? Com o Santos garantido na Libertadores de 2018, é fundamental trazer reforços 'tops' ou é melhor investir no bom e barato para não comprometer as finanças?

Nabil: "O que esqueceram nos últimos anos nessa gestão foi o scouter (olheiro). Não dá pra contratar por indicação de garçom, taxistas, etc. Vamos fazer um grupo de scouters para buscarmos atletas que possam vir e resolver. Acredito que precisamos de um elenco com 25 jogadores que resolvam! Se for pra contratar jogador barato que 'quebre o galho', eu prefiro apostar na base".

Gazeta Esportiva: O que o sócio e torcedor santista podem esperar da chapa 'O Santos Que Queremos'?

Nabil: "Podem esperar uma gestão profissional. Um time identificado com a camisa que veste. E vamos buscar títulos. Não podemos passar três anos apenas conquistando o Paulista. Vamos nos preparar para conquistar o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Libertadores. Vamos usar o Paulistão para arrumar o time e fazer testes. Os santistas podem esperar uma gestão transparente. Vamos mexer em muitas coisas e faremos acontecer".

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