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Na Rússia, garotos colocam a seleção francesa no topo do mundo

Com 'calma, confiança e determinação', França teve o segundo elenco mais jovem da Copa, com média de apenas 25,6 anos

15 jul 2018
22h26
atualizado às 22h38
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"Calma, confiança e determinação." A receita dada pelo técnico Didier Deschamps na véspera da finalíssima da Copa do Mundo de 2018 foi seguida à risca pelos jogadores da França. Com consistência do início ao fim do torneio, e ainda em uma noite inspirada de seu tridente de craques Griezmann, Mbappé e Pogba, a seleção francesa conquistou com justiça o título ao bater a Croácia por 4 a 2 no estádio Luzhniki, em Moscou.

Na Copa que colocou o futebol definitivamente na era da tecnologia, ergueu a taça o país que melhor se preparou, que mesclou na medida certa talento individual com jogo coletivo, que suportou a pressão e que acreditou em seus jogadores. Foi também um prêmio à aposta na juventude. A França tinha o segundo elenco mais jovem do Mundial, com média de apenas 25,6 anos.

Justiça é algo um tanto peculiar no futebol. Na primeira edição de uma Copa com o uso do VAR (árbitro assistente de vídeo, na sigla em inglês), a competição se permeou na ajuda computadorizada ao juiz de campo. Foi mesmo falta no lance que originou o gol contra de Mandzukici? E a bola que bate na mão de Perisic justificaria o pênalti? Para o argentino Néstor Pitana, que apitou a decisão, as respostas foram sim. O vídeo ajuda, mas não termina com a subjetividade, com a discussão.

O fato de o VAR ter minado a seleção da Croácia não significa que o título de campeão não tenha ficado com quem mereceu. Dentro de campo, os franceses deram o que falar, jogaram o fino da bola, foram mais precisos dos que os croatas, fizeram uma campanha sem correções e ainda mostram ao mundo alguns jogadores que vão dar o que falar, como o garoto Mbappé. A França teve comunhão perfeita para quem queria ser campeã.

A campanha terminou com seis vitórias e um empate, quando jogou com time reserva contra a Dinamarca. Dos 630 minutos, o time ficou atrás no marcador apenas em nove, nas oitavas diante da Argentina. Os titulares tiveram atuações impecáveis. O goleiro Lloris, por exemplo, foi determinante contra Uruguai e Bélgica nas fases anteriores, mas falhou feio no segundo gol da Croácia - goleiros falham. Mas o contestado arqueiro francês contou com a sorte de errar quando podia.

Pavard e Lucas Hernández, os laterais, devem estar entre os melhores da Copa: equilibrados na missão de defender e atacar. Os zagueiros Varane e Umtiti formaram uma defesa de confiança - Varane terminou o Mundial com duas faltas, lembrando Blanc, o principal defensor da campanha do primeiro título, no Mundial de 1998.

Entre os meias defensivos, o volante N'Golo Kanté foi um gigante. Sua pior atuação, por incrível que pareça, foi na final; Pogba foi um monstro na marcação, preciso nos desarmes e consciente ao pegar a bola e procurar seus companheiros; Matuidi passou a Copa despercebido, marcando sem desistir, sempre em silêncio. Na finalíssima, prevaleceu o conjunto francês e seu espírito de equipe. Um por todos e todos por um. Seus meias-atacantes foram um caso à parte na competição. Griezmann levou para a Rússia a garra do seu Atlético de Madrid, comandado por Simeone. Corre o campo inteiro, marca, fala com o juiz, chuta para o gol e faz o jogo girar. Um belo jogador. Mbappé roubou a cena. É daquelas joias raras - aos 19 anos, se tornou o segundo "garoto" a marcar gol em final de Copa. O outro foi Pelé, aos 17, em 1958, quando o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2 e conquistou seu primeiro título.

Entre os titulares, um desconto ao camisa 9 Giroud. "Mas um atacante que não faz gol tem valor?". Para esse time da França, sim, porque ele puxou a marcação inúmeras vezes para os lados. Assim, Mbappé e Griezmann ficavam com ais espaço e menos rivais. Velocistas, passavam com facilidade pelos seus marcadores mais lentos. Quando se ganha, tudo é valorizado.

Por fim, há aquele que foi atirado ao ar pelos atletas, ainda em campo: Didier Deschamps. Ele soube passar sua experiência de campeão a um grupo jovem, talentoso e inquieto, como ele há 20 anos. Até na hora de dar os seus puxões de orelha, o fez como um francês. Venceu, convenceu e foi carinhosamente festejado pelos seus jogadores. Bicampeã ao lado de Uruguai e Argentina, a França tem time para, desde já, ser apontada como favorita no Catar 2022. Ou alguém duvida de Griezmann, Mbappé e companhia?

Estadão
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