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Mercado da bola: clubes paulistas colocam o pé no freio neste início de ano

Palmeiras, São Paulo e Santos ainda não gastaram em contratações para a nova temporada; Corinthians é a exceção

9 jan 2020
17h34
atualizado às 17h34
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A janela de transferências dos clubes brasileiros completou um mês ontem e o número de contratações ainda é pequeno para os quatro grandes do futebol paulista. Desde o dia seguinte ao fim do Campeonato Brasileiro até agora, foram somente cinco novos jogadores, o menor número dos últimos cinco anos. De anúncios oficiais de reforços, o Corinthians acertou com Luan, Sidney e Cantillo.O Santos, trouxe Raniel e Madson. Palmeiras e São Paulo não trouxeram ninguém.

Em janelas anteriores, o número chegou a ser até três ou quatro vezes acima. No ano passado, por exemplo, os clubes haviam feito 16 contratações neste primeiro mês sem calendário de jogos. Só o Palmeiras tinha contratado cinco jogadores: Carlos Eduardo, Matheus Fernandes, Zé Rafael, Arthur Cabral, Felipe Pires. Somadas as contratações, o time alviverde gastou R$ 58 milhões.

Cantillo foi o terceiro reforço anunciado pelo Corinthians.
Cantillo foi o terceiro reforço anunciado pelo Corinthians.
Foto: Divulgação/ Corinthians / Estadão

O dinheiro investido, no entanto, não trouxe o retorno esperado e por isso neste ano a diretoria palmeirense colocou o pé no freio. O responsável pelas contratações até o ano passado, Alexandre Matos, foi demitido. Anderson Barros chegou para substituí-lo com a missão de trazer acertos pontuais. A intenção da diretoria é ainda cortar 14% dos gastos referentes ao futebol. O clube já liberou vários jogadores e está em negociações abertas para a saída de mais outros nomes, como o atacante Deyverson.

Após ser ousado na última janela, o São Paulo mudou de postura. No ano passado, o clube tricolor já havia gastado R$ 42 milhões com as contratações de Pablo, Hernanes, Léo Pelé, Pato, Biro Biro, Willian Farias e Igor Vinícius. Em 2020, Fernando Diniz comemorou o fato de não ter perdido jogadores.

O empresário Eduardo Uram acredita que a diminuição no número de contratações dos principais clubes de São Paulo está ligada a uma conjunção de fatores. "Há uma maior responsabilidade fiscal dos clubes. Há uma responsabilidade orçamentária, equivalente ao fair play financeiro da Europa, que é imposto pela Uefa. Aqui, por enquanto, está sendo estabeleci por órgãos internos dos clubes e isso é positivo", disse.

O dado negativo é a dificuldade de os clubes encontrarem atletas que cheguem para resolver. "Existe também uma baixa disponibilidade de jogadores que agreguem valor aos clubes e isso complica", opinou Uram.

A alta das moedas estrangeiras também contribui para os clubes investirem menos. O Corinthians, clube que mais contratou entre os paulistas, desistiu do atacante Michael, do Goiás. Depois de oferecer 5 milhões de euros (R$ 22,6 milhões), em nota oficial a diretoria informou que chegou ao limite e que "não fará nenhuma extravagância financeira que possa prejudicar a administração do clube".

Neste ano, o Corinthians tenta cortar em R$ 60 milhões a folha salarial. Para começar, está tentando negociar os veteranos Ralf e Jadson. O técnico Tiago Nunes já disse que não vai contar com a dupla para a nova temporada.

E as contratações do Corinthians até agora só vieram por causa de uma nova parceria com o já patrocinador master, o BMG. Além de pagar para expor a marca na camisa, o banco está fazendo empréstimos ao clube. Somente o atacante Luan custou R$ 20 milhões.

No Santos, as duas contratações realizadas até agora foram viabilizadas por trocas. Raniel veio como moeda por Vitor Bueno, do São Paulo. O lateral Victor Ferraz foi para o Grêmio e no lugar dele veio Madson.

Estadão
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