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Liga Europa

Sevilla deve os anos de ouro no futebol europeu a Monchi

Ex-goleiro do time se tornou dirigente e foi o responsável por montar equipes de alto nível, que ganharam vários títulos

11 abr 2019
04h41
atualizado em 15/4/2019 às 09h02
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Durou menos de dois anos a separação entre Sevilla e o diretor esportivo Ramón Rodríguez Verdejo, o Monchi, que está de volta ao clube depois de uma despedida que levou muitos torcedores às lágrimas em 2017. Conhecido como "Mago das Contratações", ele foi responsável por montar e remontar times fortes com transferências baratas e pontuais, como quando apostou nos brasileiros, então desconhecidos na Europa, como Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano.

Foi com esta metodologia que, em um intervalo de menos de 20 anos, o Sevilla saiu da segunda divisão espanhola para ganhar a Liga Europa (que então se chamava Copa da Uefa) em cinco oportunidades e se tornar o maior campeão do torneio.

No tempo em que estiveram distantes, clube e cartola não conseguiram sucesso. Desde 2017, sem seu principal negociador, o Sevilla fez sete das dez contratações mais caras de sua história. A tentativa de mudar o sistema que vinha dando certo não alcançou os resultados desejados e o clube está em seu 'quinto' treinador diferente neste curto intervalo - Eduardo Berizzo, Vincenzo Montella, Joaquín Caparrós, Pablo Machín e o atual, novamente Joaquín Caparrós.

Já Monchi acabou sendo dispensado pela Roma exatamente por sua característica de não ter medo de se desfazer de jogadores em nome de um bom negócio. Seu trabalho até rendeu bons frutos com as compras de jovens promissores como Ünder, Schick, Zaniolo e Justin Kluivert. Só que vendas de ícones como Alisson, Nainggolan, Kevin Strootman e Mohamed Salah não foram bem aceitas por torcedores e pela diretoria da equipe italiana.

Fundado em 1890, o Sevilla ganhou o campeonato espanhol uma única vez, em 1945-1946. Já a taça da segundona, divisão na qual esteve por 13 temporadas, foi erguida três vezes. O último rebaixamento, no entanto, entrou para a história do clube por marcar a chegada do ex-goleiro do próprio clube, Ramón Rodríguez Verdejo, ou seja, o Monchi, para o cargo de diretor. Em 17 anos no comando do futebol, foram 151 reforços contratados e um lucro de 200 milhões de euros (R$ 865 milhões).

Nesse período, vários jogadores participaram de grandes conquistas. Contudo, foram as vendas de três atletas, que não estão eternizados em nenhum pôster de campeão, que permitiram a montagem do primeiro elenco vitorioso.

Em 2004, Reyes foi para o Arsenal por 20 milhões de euros (R$ 86 milhões). Um ano depois, o galáctico Real Madrid gastou 52 milhões de euros (R$ 225 milhões) para tirar Sergio Ramos e Júlio Baptista do time andaluz. O zagueiro ainda era uma aposta na época e jogava mais como lateral-direito. O brasileiro vinha de duas temporadas como artilheiro da equipe: 25 gols em cada uma.

Com os cofres cheios, Monchi pode ser mais agressivo e fazer sua mágica. Entre 2004 e 2006 foram contratados: o goleiro Palop, Adriano, Renato, Escudé, Dragutinovic, Maresca, Kanouté e Luis Fabiano, o mais caro da lista, custando 9 milhões de euros (R$ 38 milhões).

Eles, ao lado de Daniel Alves, Jesus Navas, Navarro, Poulsen, Martí e Saviola, formaram a base do time comandado por Juande Ramos, bicampeão da Europa (2006 e 2007), da Copa do Rei (2007), da Supercopa da Europa (2006, 3 a 0 sobre o Barcelona) e da Supercopa da Espanha (2007, 5 a 3 no Real Madrid).

NEGÓCIOS

Sempre fiel à sua filosofia, o Sevilla não se desesperou quando viu seus principais jogadores partirem ao longo dos anos. Apenas o Barcelona tirou seis deles, em negócios que totalizam mais de R$ 500 milhões: Daniel Alves, Adriano, Keita, Aleix Vidal, Rakitic e Clément Lenglet.

Daniel Alves, aliás, é apontado como o modelo ideal de negócio. "Essa contratação cumpriu todos os passos que você pode querer. Jogador desconhecido, que teve que se adaptar, foi crescendo, nos deu títulos e logo foi vendido. Compramos por 800 mil euros e o vendemos por 35 milhões mais Fernando Navarro", avaliou Monchi.

Na contramão da paciência que tinha para montar seus elencos, o cartola não pensava duas vezes para trocar treinadores. Foram nove em sua passagem.

Em 2013, um dos mais vitoriosos chegou à Andaluzia e consolidou os Rojiblancos no cenário Europeu. Unai Emery foi responsável por um raro tricampeonato continental em 2014, 2015 e 2016. O treinador soube manter um estilo de jogo e continuar forte mesmo perdendo jogadores fundamentais. Entre 2013 e 2015, o Sevilla ganhou mais de R$ 900 milhões com a venda de jogadores, dentre eles Negredo, Alberto Moreno, Jesus Navas, Geoffrey Kondogbia, Ivan Rakitic e Carlos Bacca.

Após os triunfos contra Benfica, Dnipro e Liverpool, o treinador optou por deixar o clube para treinar o milionário Paris Saint-Germain.

Um ano depois, foi a vez de Monchi deixar o Sevilla. Alegando razões pessoais, o ex-jogador e diretor esportivo encerrou aquela que seria sua primeira passagem pelo clube ao qual dedicou 29 anos de sua vida, em campo ou em funções administrativas. Em sua despedida, emocionado, ele fez questão de dizer que um retorno não estaria descartado: "Se o Sevilla precisar de mim e eu já estiver recuperado, volto, seja para aquilo que for... Se me fizerem uma proposta para vir pintar o campo, eu venho pintar o campo!"

No adeus preparado para o público, no estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Monchi entrou em campo com a camisa 16. O número era usado pelo lateral Antonio Puerta, morto depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória na partida contra o Getafe, dia 28 de agosto de 2007, pelo Campeonato Espanhol. A tragédia sempre é lembrada no clube como uma forma de inspiração nos momentos de dificuldade. Foi ele quem marcou o gol na prorrogação da partida contra o Schalke, nas semifinais da então Copa da Uefa, em 2006, e colocou o Sevilla da decisão que abriria a era de ouro da equipe.

Estadão
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