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Foto: Terra

Liga dos Campeões

Presidente da França critica mudanças na Liga dos Campeões e irrita Uefa

Emmanuel Macron aproveita evento da Fifa em Paris para atacar a possibilidade de a entidade europeia ter torneio mais restrito e elitizado

4 jun 2019
20h40
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O presidente da França, Emmanuel Macron, irritou bastante o atual líder máximo da Uefa, Aleksander Ceferin, ao aproveitar o seu discurso em uma recepção organizada pela Fifa, em Paris, para criticar a possibilidade de a entidade europeia transformar a Liga dos Campeões em um torneio mais restrito e elitizado.

As declarações de Macron ocorreram em uma cerimônia prévia ao Mundial Feminino de Futebol, cuja próxima edição está marcada para começar na próxima sexta-feira, na França. E o dirigente esloveno afirmou, em entrevista à agência de notícias The Associated Press (AP), que a atitude do líder francês foi uma "clara interferência da política no esporte".

Segundo Ceferin, as críticas de Macron fizeram ecoar um outro pronunciamento público do mandatário francês ocorrido também nesta terça, em que pediu para a Uefa que abandone a proposta apresentada por grandes clubes da Europa que querem passar a ter vagas garantidas de forma permanente no principal interclubes da Europa a partir de 2024.

A imprensa não foi convidada para esta recepção organizada pela Fifa e para acompanhar de perto este discurso de Macron, realizado no Grand Palais, tradicional local da capital francesa. "Durante o seu discurso ele mencionou a Uefa e disse que devemos ser cuidadosos com as mudanças na Liga dos Campeões e que a solidariedade é importante", afirmou Ceferin à AP. "O discurso do presidente foi uma clara inferência da política no esporte, a qual nos surpreendeu muito", reforçou.

De acordo com uma proposta que a Uefa apresentou aos representantes das ligas europeias no mês passado, 24 dos 32 times da fase de grupos da Liga dos Campeões seguiriam no torneio na edição seguinte da competição, independentemente dos seus desempenhos. E a entidade pretende introduzir o acesso e o rebaixamento nos principais torneios de clubes do continente.

"Não é tão importante que as mudanças possam se tornar realidade ou não, e ainda não há nada decidido", destacou Ceferin, para em seguida voltar a criticar o fato de Mácron usar a sua influência como presidente francês para interferir em uma questão estritamente esportiva.

"O importante é que não vamos permitir que a política nos dite como organizar o esporte. E como o presidente mencionou a solidariedade, a Uefa é a única entidade do futebol na Europa que reparte fundos solidários em toda a Europa. Sabemos o que a solidariedade significa", avisou o dirigente.

A proposta para remodelar a competição foi rechaçada por várias ligas da Europa, que defendem que as vagas no principal interclubes do continente continuem sendo determinadas de acordo com o desempenho dos times nos torneios domésticos. E o próprio presidente da Federação Francesa de Futebol, Noel Le Graet, defende a manutenção deste sistema.

Uma nova Liga dos Campeões mais elitizada, dando vagas cativas aos chamados gigantes do futebol europeu, faria as competições nacionais perderem o seu nível de importância e tornaria mais difícil a missão de clubes de ligas mais modestas que tentam conquistar lugares na fase de grupos da Liga dos Campeões.

E Macron fez questão de marcar sua posição nesta disputa por espaço no torneio de clubes mais desejado do continente. "Nós devemos defender nosso modelo, nossos clubes, e eu acho que não é uma boa ideia sacrificar a viabilidade do nosso modelo para benefício de alguns na Europa", afirmou. "Estou do lado do presidente Le Graet em defesa do modelo francês e evitar reformas que nos levem ao pior", ressaltou.

A primeira manifestação de Macron em relação ao futuro da Liga dos Campeões ocorreu em uma visita que ele fez a Clairefontaine, na sede de um CT da seleção francesa que fica próximo a Paris. Ele comentou sobre este assunto após se reunir com jogadoras e com a comissão técnica da seleção que competirá no Mundial que começará nesta sexta. Pouco depois, no evento que não contou com a presença da imprensa, o presidente francês acabou irritando Ceferin ao voltar a se posicionar sobre esta questão na recepção organizada pela Fifa.

Estadão
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