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Há exatos 50 anos, Pelé queria sair do Santos e "correr o mundo"

30 mar 2019
08h42
atualizado às 08h42
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Torcedor santista, você já imaginou Pelé, em seu auge, defendendo outro time? Pois bem: isso chegou perto de acontecer — e era um desejo do próprio atleta.

No dia 30 de março de 1969, o já então Rei do Futebol revelou, em entrevista exclusiva ao jornal A Gazeta Esportiva, seu desejo de rodar o mundo e jogar por outras equipes além do Santos. O meia-atacante, então com 28 anos, chamou de "sonho" o pensamento de atuar nos principais clubes do planeta.

"Antes de encerrar minha carreira, gostaria de fazer o seguinte: jogar em cada grande clube europeu. Hoje, jogaria no Milan, amanhã no Estrela Vermelha, depois no Benfica, no Real Madrid… seria uma homenagem a todas as equipes do mundo. Gostaria muito de exibir-me em vários países. Isso, na verdade, é um sonho que tenho. Se eu for convidado…", disparou o Rei.

À época, o Milan era o atual campeão italiano e venceria a Liga dos Campeões na temporada seguinte; o Estrela Vermelha tinha acabado de conquistar três títulos na temporada; o Benfica era o detentor da taça do Campeonato Português; e, por fim, o Real Madrid havia vencido a disputa nacional.

No entanto, os planos de Pelé não foram cumpridos. Como todo torcedor do Santos bem sabe, o Rei só foi se despedir da equipe no final de 1974 - a única outra camisa que o meia-atacante vestiu foi a do New York Cosmos, dos Estados Unidos.

À época gravando suas participações na novela Os Estranhos, Pelé aparentou, por sua entrevista, ter aflorado sua veia artística. Na conversa com a Gazeta Esportiva, o Rei falou sobre seu desejo de engatar uma carreira na área e também abordou o racismo presente no Brasil.

"No começo das filmagens, senti alguma inibição. Mas logo perdi, porque penso no público, e com ele tenho muito costume. Agora estou à vontade. Acho que vou ser artista, no futuro, quando deixar o futebol. Me realizo também nesse tipo de atividade", afirmou.

"Racismo no Brasil existe sim, infelizmente. Para um Pelé, não. Para Wilson Simonal, Jair Rodrigues e outros negros famosos, tudo é muito fácil. Nós podemos entrar em qualquer lugar. Mas os meus irmãos de cor, que não são famosos ou não têm as facilidades que eu, Simonal e Jair temos?", indagou Pelé.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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