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Colunista de jornal, professor e atacante 'bode': como a Finlândia virou sensação na Europa

País que há mais tempo tenta vaga em um competição internacional pode encerrar espera de mais de 80 anos e se garantir na Eurocopa

12 nov 2019
10h40
atualizado às 10h58
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Uma espera de mais de 80 anos e marcada por 32 tentativas fracassadas está perto chegar ao fim para a seleção da Finlândia. O país do mundo que há mais tempo tenta se classificar para um torneio internacional tem a grande chance de ser premiado pela persistência na próxima sexta-feira. Se vencer em Helsinque o frágil Liechtenstein, a nação conhecida pela tradição nos esportes de inverno e pelas bandas de heavy metal vai garantir presença na Eurocopa de 2020, que será disputada em 12 sedes diferentes.

Chamar a Finlândia de uma seleção tradicional e fracassada não é exagero. A Federação Finlandesa de Futebol foi fundada em 1908, seis anos antes da CBF, e tem como feito mais marcante a regularidade de se frustrar. Nenhum país busca há tanto tempo se classificar para uma Copa. São 19 tentativas seguidas frustradas desde o Mundial de 1938. Em Eurocopas, a situação é parecida. São 13 quedas consecutivas em Eliminatórias. A primeira delas foi em 1968.

"Jogar um torneio é um sonho para todos os finlandeses há muito tempo. Conseguir a classificação seria para nós como conquistar o mundo", resumiu ao Estado o volante e capitão finlandês Tim Sparv. No grupo J das Eliminatórias, a Itália já está com a vaga garantida, enquanto a Finlândia precisa só de uma vitória nas duas rodadas finais: ou diante de Liechtenstein ou fora de casa contra a Grécia. Armênia e Bósnia têm de vencer os dois jogos restantes e torcer por duas derrotas finlandesas para avançar. Pouco provável.

A Finlândia está prestes a fazer história graças à combinação de defesa forte, entrosamento e aos gols do artilheiro Teemu Pukki, destaque do Norwich, da Inglaterra, e autor de sete gols nas Eliminatórias. "Quando se trata de um país pequeno, é preciso marcar bem os adversários. E temos conseguido. Nosso elenco pensa coletivamente, toma decisões junto com o treinador e tem jogadores competitivos", disse Sparv.

O capitão concilia a carreira de jogador com estudos e a participação como colunista do jornal finlandês Pohjalainen. Sparv fala finlandês, inglês, alemão, sueco e holandês e gosta de ler sobre liderança e gestão de grupo. O volante fez categorias de base na Inglaterra e é um exemplo de como a atual geração se formou no futebol. A maioria deixou o país logo cedo e adquiriu experiência em outras ligas.

O treinador é Markku Kanerva, um ex-zagueiro e ex-professor de ensino básico. Como foi anteriormente técnico das seleções de base, conhece boa parte do elenco e conseguiu formar uma equipe entrosada. A fase positiva da Finlândia mexe com o país. A procura por ingressos aumentou. Um dos torcedores mais famosos é o Primeiro-Ministro finlandês, Antti Rinne, que tem presenteado outros chefes de Estado com a camisa da seleção, como foi o caso em encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron.

Os gols de Pukki fazem a Finlândia sonhar alto e brincar com trocadilhos. Pukki em finlandês quer dizer bode. O país até ganhou recentemente um fã clube do Norwich, criado na cidade de Tampere para acompanhar os jogos do Campeonato Inglês. Nesta temporada ele tem 11 partidas e seis gols marcados na competição.

FINLÂNDIA INTERNACIONAL

Quem atua no futebol finlandês aposta que a boa campanha nas Eliminatórias da Eurocopa e a grande chance de vaga será o primeiro de muitos sucessos da seleção do país. O atacante brasileiro Lucas Rangel jogou as duas últimas temporadas do campeonato local e acaba de ser campeão e destaque do KuPS, onde acompanha de perto a reação da torcida e a evolução da equipe.

"O futebol daqui deu uma crescida legal. Os jovens saem cedo para a Dinamarca, Noruega e Suíça, para depois voltar com experiência. Os treinadores locais fazem muitos cursos na Inglaterra e aplicam o aprendizado. Os times finlandeses melhoraram, têm movimentação e bom toque de bola", explicou. Rangel contou que vários clubes têm nas comissões técnicas profissionais portugueses e espanhóis, presenças que também agregam conhecimento.

Segundo o atacante, a Finlândia se inspira inclusive no estilo do futebol brasileiro para marcar de vez o nome da história. "Vários jogadores daqui vão de férias para o Brasil e acompanham demais o Brasileirão. Até chamam o Flamengo de 'Máquina Vermelha'", comentou.

Se confirmar a vaga na Eurocopa, a Finlândia certamente não vai brigar pelo título ou aparecer em fase decisivas, mas certamente merecia um prêmio pela persistência.

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Estadão
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