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Após décadas de frustrações, Inglaterra vive empolgação com sonho de título da Eurocopa

De volta à uma final de torneio depois de 55 anos, ingleses enfrentam a Itália, neste domingo

11 jul 2021 10h10
| atualizado às 10h10
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Durante 55 anos, os torcedores ingleses viram apenas um título da sua seleção, a Copa do Mundo de 1966, disputada em casa. Por cinco décadas e meia, gerações diferentes acompanharam eliminações e campanhas decepcionantes da Inglaterra. Agora, com os ingleses na final da Eurocopa, o clima local é de empolgação, um sentimento que poucas vezes com a seleção se viu por lá.

"Eu e todos que conheço esperamos a vida inteira por este momento. O sentimento antes do torneio não era de esperança, mas crescemos ao longo da competição e agora todo o país está apoiando. Vencer a Alemanha teve sabor especial e foi a vitória que nos deu impulso. Eu disse ao meu amigo que, se vencermos a Itália, vamos lembrar desse dia para sempre", conta Joe Bursst, que trabalha no setor imobiliário.

Embora seus clubes estejam no topo do futebol mundial há muito tempo — o Chelsea é o atual campeão europeu —, a seleção está desacostumada com sucesso. Mesmo em momentos que contavam com muitos jogadores de destaque, os ingleses poucas vezes fizeram grandes campanhas. Essa é a primeira vez na história que a Inglaterra chega a uma final de Eurocopa.

Em Londres, o clima de animação foi crescendo ao longo da competição. O estádio de Wembley recebeu cinco jogos dos comandados do técnico Gareth Southgate, incluindo a vitória sobre seu maior algoz, a Alemanha. Empurrada por quase 42 mil torcedores, o triunfo foi celebrado como um título, enterrando o fantasma de perder para o rival em jogos decisivos. Na Eurocopa de 1996, disputada na Inglaterra, por exemplo, uma dolorosa eliminação para os alemães em que o atual técnico inglês perdeu um pênalti decisivo.

O ator Barney White, morador de Londres, é um dos milhões de ingleses empolgados com sua seleção. Após contrair covid-19, depois de assistir à semifinal contra a Dinamarca, vai ter que acompanhar a final de casa. Nada que o desanime. "Tendo crescido vendo a Inglaterra fracassar vez após vez em grandes torneios, esta foi uma mudança muito bem-vinda. Você não pode ir a lugar nenhum sem ouvir "Três Leões" (nosso hino nacional não oficial do futebol)".

A ótima campanha da Inglaterra na Eurocopa não é uma novidade. Desde que Gareth Southgate assumiu o comando da seleção em 2016, os ingleses acumularam um quarto lugar na Copa do Mundo 2018 e ficaram em terceiro na Liga das Nações, em 2019. "Os jogadores o amam. Ele trouxe para os atletas uma verdadeira alegria em jogar pela Inglaterra. Você pode ver em seus rostos. Eles querem estar lá e têm orgulho de estar lá", elogia White.

Caso conquistem a Eurocopa, os jogadores ingleses irão doar o prêmio em dinheiro para o sistema público de saúde do país. Sonya Clare Burke, consultora de arrecadação de fundos para instituições de caridade, destaca que essa é uma nova geração de atletas que são queridos pelos torcedores e que não gostam de aparecer.

"Todo mundo aqui está muito animado, mas acho que isso também está relacionado com a alta taxa de vacinação da população contra a covid-19. Pessoas como eu, que não apoiam os conservadores, ficamos preocupados que um possível título possa ser positivo para Boris Johnson (primeiro ministro) e acho que o relaxamento das restrições da pandemia agora é estúpido. Mas o futebol une todos, apesar da política".

Desde que assumiu, Southgate promoveu uma reformulação grande, apostando em jovens promessas. Há quatro anos, a Inglaterra foi campeã mundial sub-17, do Europeu sub-19, além do Mundial sub-20. O sucesso na base vem rendendo frutos, e o técnico apostou na juventude. São tantas promessas no atual elenco que tornam a seleção o terceiro mais jovem da Eurocopa.

"Faltando pouco mais de um ano para a Copa do Mundo, há a sensação de que o elenco para 2022 será ainda melhor do que este ano. A diferença da Inglaterra em relação ao passado é a nossa força em peças de reposição, principalmente no ataque", comenta Bursst.

A atual geração também representa uma Inglaterra mais multicultural. A presença de muitos jogadores descendentes de imigrantes é significativa. Na semifinal contra a Dinamarca, sete dos 11 titulares nasceram fora do Reino Unido, como apontou o Museu da Imigração, de Londres.

Se a liga inglesa foi a principal expoente das manifestações em favor do Black Lives Matter na última temporada, com os atletas se ajoelhando antes do apito inicial, os ingleses replicaram o ato em todas as partidas da Eurocopa até aqui, diferentemente da maioria dos outros países participantes.

Para conquistar o tão sonhado título, a Inglaterra terá pela frente a Itália, invicta há 33 jogos e vivendo grande momento com o técnico Roberto Mancini. Sua última derrota foi para Portugal em setembro de 2018. Ingleses e italianos se enfrentam na final da Eurocopa neste domingo, 11, às 16h (de Brasília), em Wembley.

Estadão
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