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Rodrygo: "Futebol espanhol é mais intenso que brasileiro"

Brasileiro chegou sem muita expectativa ao Real Madrid e, em pouco tempo, acumulou uma série de atuações relevantes

7 dez 2019
09h11
atualizado às 09h44
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Rodrygo chegou ao Real Madrid em junho deste ano com expectativas baixas da torcida merengue e da imprensa espanhola. Ninguém levava muito a sério a possibilidade de aquele garoto de 18 anos, recém-chegado do Santos, jogar no time principal, cheio de craques badalados - seu destino, diziam, era a equipe B.

Menos de seis meses depois, no entanto, as coisas mudaram. E muito. Zinedine Zidane, o misto de técnico e ídolo do Real Madrid, gostou de Rodrygo assim que o viu e decidiu que ele já poderia ser atirado às feras.

Rodrygo chegou ao Real Madrid em junho deste ano
25/09/2019
REUTERS/Juan Medina
Rodrygo chegou ao Real Madrid em junho deste ano 25/09/2019 REUTERS/Juan Medina
Foto: Reuters

O menino de Osasco não se intimidou e mostrou que o francês estava com a razão. Com maturidade incomum para a sua idade, o atacante não tremeu diante da responsabilidade e passou a acumular uma série de atuações relevantes.

A melhor delas foi contra o Galatasaray, em 6 de novembro, pela Liga dos Campeões da Europa. Rodrygo marcou três gols na goleada por 6 a 0, tornando-se o brasileiro mais jovem a anotar um tento no maior torneio de clubes do mundo. Foi o bastante para a torcida e a imprensa se apaixonarem por ele. Rodrygo foi capa de alguns jornais importantes da Espanha.

De quase desconhecido, o brasileiro foi elevado à condição de estrela ascendente. No caminho, deixou para trás Vinicius Junior, outro prodígio brasileiro que o Real comprou a peso de ouro e que tem encontrado dificuldades para se firmar. É verdade que o ex-santista não desfruta do status de titular do time de Zidane, mas ele se tornou uma peça importante para o treinador e ninguém na Espanha cogita mais a possibilidade de ele jogar no time B.

Em entrevista ao Estado, Rodrygo fala com orgulho de suas primeiras conquistas na Europa, mas reconhece que está apenas começando no futebol e que ainda precisa fazer muito mais no clube espanhol e na seleção brasileira, para a qual foi convocado recentemente pela primeira vez por Tite.

Você ficou surpreso por ter recebido tão rapidamente a oportunidade de jogar na equipe principal do Real Madrid?

Eu costumo dizer que tenho de estar preparado para as oportunidades. Me preparei para chegar aonde estou e fico feliz pelas oportunidades. Mas ainda é muito cedo, tenho muito para evoluir e vamos seguir trabalhando em prol do clube.

Ser treinado por uma lenda do futebol mundial como Zidane é uma emoção especial? Como é seu relacionamento com o francês?

No início você tem aquela coisa de fã, de admiração, mas depois temos de ter uma relação profissional, de treinador e atleta. E é isso o que tem acontecido. O Zidane é um cara que tem uma história linda no futebol, como atleta e como treinador, e nos ensina muito a cada dia. Fico feliz de trabalhar com ele e de poder aprender. O relacionamento é ótimo, é uma excelente pessoa e que trata a todos muito bem.

Qual é a sensação de, com apenas 18 anos, fazer parte de um elenco cheio de grandes estrelas, como Hazard, Modric e Benzema?

Todos no clube me trataram muito bem, desde a minha chegada, e me deixaram muito à vontade. Isso me deixou bem tranquilo para trabalhar e para ter uma ótima relação com todos no dia a dia.

Quais são as diferenças mais importantes que você observou entre o futebol jogado no Brasil e o jogado na Espanha?

Ainda é cedo para fazer comparações e tirar conclusões, mas o que dá para tirar de diferente é a intensidade. Na Europa, o futebol é mais intenso do que no Brasil. Com (Jorge) Sampaoli, pela experiência dele fora do Brasil, já tínhamos muito disso nos treinos, algo que tem me ajudado muito na Espanha. Aqui é algo diário e nos jogos também.

Como é viver na Espanha? É mais fácil ou mais difícil do que você esperava?

Está sendo muito bom, bem tranquilo. Estou com a minha família, o que me dá tranquilidade para pensar apenas em jogar futebol. É um povo muito acolhedor e apaixonado por futebol.

O que você aprendeu de mais importante até o momento no futebol europeu?

Aqui eles procuram os pequenos detalhes, para que tudo dê certo. Há uma organização impressionante e um nível de exigência muito alto. Sempre me cobrei e sempre procurei fazer o meu melhor todos os dias no Santos, então é uma filosofia de trabalho com a qual me identifico e que tenho procurado aproveitar ao máximo.

A convocação para a seleção principal chegou antes do que você imaginava?

Era um objetivo de carreira, mas é difícil dizer se veio antes do que imaginava. É algo que a gente não pode ficar esperando. Tenho de trabalhar, fazer o meu melhor no clube e as convocações vão ser consequência. Sei que ainda sou muito novo, mas o Tite tem chamado atletas jovens para observar e para já dar experiência. Foi muito bom estar lá (esteve no grupo que enfrentou Argentina e Coreia do Sul, em novembro) e vou continuar trabalhando para fazer o meu melhor no Real Madrid e, consequentemente, poder ter novas oportunidades.

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Estadão
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