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Ida de Pulisic para o Chelsea é avanço histórico para os EUA

Time inglês faz grande investimento para tirar o americano de 20 anos do Borussia Dortmund

4 jan 2019
04h41
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O futebol dos EUA aguardava há muito tempo por isso - um jovem atacante com a incrível capacidade de entrar para um clube europeu de elite por quantia absurda de dinheiro e, posteriormente, conquistar manchetes globais. Durante cerca de 25 anos, os jogadores dos EUA têm marcado uma presença modesta no exterior. Muitos foram goleiros e defensores. Alguns chegaram com portfólios de pontuação vindos da MLS (Major League Soccer, liga americana de futebol). Vários tinham dupla nacionalidade, nascidos e treinados no exterior.

Transferências entre times europeus envolvendo imensas somas em dinheiro e ofertas irrecusáveis foram reservadas para os jogadores do nível de David Beckham, Cristiano Ronaldo e Neymar; ao Manchester United, Real Madrid e Barcelona; a brasileiros e argentinos e espanhóis. Certamente não para americanos.

Christian Pulisic, de 20 anos, quebrou esse molde na quarta-feira, quando o titã da Premier League, o Chelsea, o comprou do líder alemão Borussia Dortmund por US$ 73 milhões. (Isso não inclui a multimilionária quantia que o Chelsea lhe dará em salário.)

A taxa de transferência foi mais de três vezes o recorde anterior para um jogador americano - em maio de 2017, John Brooks, um defensor, saltou de um clube alemão para outro sem alarde - e em torno da 25.ª maior da história do esporte.

Pulisic ficará no Dortmund até o final da temporada e, em agosto, se tornará o primeiro americano muito conhecido, sem incluir goleiros, a se apresentar a um peso pesado inglês.

Brian McBride e Clint Dempsey marcaram gols para o Fulham, mas os Cottagers operam nas sombras dos irmãos londrinos. Claudio Reyna e DaMarcus Beasley gostaram da bola aos seus pés. John Harkes jogou por troféus em Wembley. Tim Howard, Kasey Keller e Brad Friedel eram goleiros de categoria internacional.

Pulisic sempre foi diferente. Seu elétrico conjunto de habilidades - iniciado em Hershey, Pensilvânia, por pais que jogaram na George Mason University e o levaram ao exterior no início de 2015 - desmente a reputação de os americanos serem esforçados trabalhadores, dando apoio aos astros e pouco mais que isso.

Em meio a ganhos no esporte desde o final da década de 1980, os Estados Unidos desenvolveram poucas perspectivas masculinas criativas, adequadas aos estágios mais brilhantes do mundo. (Para onde foi você, Freddy Adu?)

Em termos de atacantes dinâmicos, a comparação mais próxima com Pulisic foi Landon Donovan. Sua aceleração e a confiança no trato com a bola são estranhamente semelhantes. Donovan, no entanto, passou a maior parte de sua carreira em San José e Los Angeles antes de se aposentar no ano passado, nunca fazendo um grande avanço europeu, apesar da oportunidade na Alemanha e na Inglaterra.

Na adolescência, Pulisic começou regularmente na Bundesliga, liga que ocupa o primeiro lugar dos circuitos europeus, com a Premier League, La Liga, a Série A da Itália e a Ligue 1. Além da competição nacional, o Dortmund normalmente se classifica para a Liga dos Campeões da UEFA , que reúne clubes de todo o continente.

Dada a sua experiência de alto nível, sendo tão jovem, Pulisic foi um dos cinco principais alvos de transferência neste inverno, independentemente da nacionalidade. O Liverpool - conduzido por seu ex-mentor no Dortmund, Jurgen Klopp - também teria interesse.

O apelo da capacidade e da idade de Pulisic ofuscaram seu papel menos importante no primeiro lugar do Dortmund nesta temporada. Batido pelo adolescente inglês Jadon Sancho, Pulisic apareceu em 11 dos 17 jogos do campeonato, começando cinco e marcando uma vez.

Dado o perfil e o custo de Pulisic, o Chelsea está quase certo de lançá-lo no próximo verão. Os Blues venceram a Premier League em 2014-15 e 2016-17, mas terminaram em quinto no ano passado e são o quarto nesta temporada, 11 pontos atrás do Liverpool, que está na liderança da competição.

Além das contribuições de Pulisic no campo, o Chelsea está, sem dúvida, contando com um aumento de marketing nos Estados Unidos. Por meio de torneios e exposição na TV, os clubes europeus fizeram grandes avanços nos últimos anos, atraindo o público dos EUA.

O Chelsea, no entanto, não é tão popular como Manchester United, Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique. Graças a Pulisic, o Dortmund também pode ter maior quantidade de torcedores.

/ TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Estadão

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