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Flamengo defende contêineres em CT: 'Era um alojamento confortável'

Reinaldo Belotti, CEO rubro-negro, faz pronunciamento defendendo clube na tragédia que vitimou dez garotos de 14 a 16 anos

9 fev 2019
18h09
atualizado às 18h18
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Quase um dia e meio após um incêndio em um contêiner que servia como alojamento matar dez jogadores da base entre 14 e 16 anos e ferir outros três no CT do Flamengo, o clube carioca fez sua primeira manifestação pública para se defender da tragédia. Por cerca de 15 minutos, o CEO rubro-negro, Reinaldo Belotti, discursou sobre as instalações do Ninho do Urubu que pegou fogo, as quais classificou como "alojamento confortável". Segundo ele, o Flamengo "não poupa esforços para dar o melhor" para os seus jogadores. No fim do seu pronunciamento, assim como fizera o presidente flamenguista, Rodolfo Landim, na manhã do dia do incêndio, na sexta-feira, o CEO do clube não quis responder perguntas dos jornalistas.

Sem citar nomes, Belotti rebateu a afirmação do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Roberto Robadey, que na sexta-feira havia chamado o alojamento de "puxadinho". "Aquilo não era um puxadinho que a gente escondia )os jogadores da base), ao contrário. Era um alojamento confortável, adequado ao que se propunha e que nós mostrávamos com orgulho", afirmou o executivo rubro-negro. O incêndio em um dos contêineres matou dez garotos e deixou outros três feridos, um deles ainda em estado grave, correndo risco de morto, de acordo com os médicos que o atenderam.

Belotti defendeu o uso dos contêineres em pelo menos três oportunidades de seu discurso, lembrando que eles são usados desde 2011, quando o CT foi inaugurado. Nada comentou sobre as 31 multas da prefeitura por falta de documentos necessários para a utilização do local, tampouco sobre o fato de o Flamengo ter informado à prefeitura do Rio que havia um estacionamento onde o clube, na verdade, montou o alojamento para os garotos da base. "Por esse alojamento passaram vários times titulares do Flamengo, jogadores consagrados, como Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love, e também a seleção olímpica do Brasil", enumerou o dirigente.

"Aconteceu um acidente trágico. Não foi por falta de investimento do Flamengo, não foi por falta de cuidado do Flamengo. Afinal de contas, esse é nosso maior ativo. Aquela turma que estava dormindo lá é o nosso futuro. Nós prezamos muito por essa turma", discursou o CEO.

O executivo também ressaltou que as instalações tinham aprovação de diversos órgãos. "Ele (alojamento) foi certificado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que nos emitiu certificado de regularidade, e pela Ferj e CBF, que emitiram certificado de clube formador."

O representante do clube carioca também comentou sobre as ausência de documentação dos Bombeiros e da Prefeitura do Rio. "O CT, suas licenças, seus alvarás, suas multas... Na realidade, isso não tem nada a ver com o acidente que ocorreu. Temos algumas providências a serem tomadas para tornar o CT plenamente legalizado e estamos trabalhando arduamente nisso com o Corpo de Bombeiros", afirmou Belotti, que disse ainda que o Flamengo possui oito certificados de nove exigidos para se ter o alvará.

CAUSAS

De acordo com Reinaldo Belotti, a perícia dos Bombeiros apontou preliminarmente que o incêndio começou no aparelho de ar condicionado do alojamento. Ele reiterou que os equipamentos estavam com a manutenção em dia, e levantou a hipótese de que o temporal que atingiu o Rio de Janeiro na quarta-feira à noite tenha ajudado a provocar um curto-circuito.

"O problema começou no ar-condicionado, mas ninguém pode garantir por quê. Eles estavam em perfeita ordem. A suposição existente agora é que os picos de energia podem ter influenciado no funcionamento regular do ar-condicionado e originado o princípio de incêndio", considerou. "Nós tivemos todo o cuidado, nós não poupamos esforços para dar o melhor para o nosso pessoal, mas infelizmente, uma sucessão de eventos após um dia catastrófico no Rio de Janeiro nos trouxe essa catástrofe ainda maior."

Estadão
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