PUBLICIDADE

Xodó, Taison cresceu com trabalhos específicos

29 mar 2009 - 11h54
(atualizado às 12h03)
Publicidade

Reserva entre os juvenis e coadjuvante nos juniores, Taison não passou por seleções de base e não dava pintas de que poderia se tornar titular do Internacional. Tampouco o artilheiro do clube na temporada 2009, com 14 gols em 17 jogos. No tempo em que os jogadores ditos diferenciados chegam aos profissionais com 17 anos, o camisa 7 só estreou no time principal com 20 e explodiu aos 21 anos. Fernando Carvalho, ex-presidente e atual vice de futebol do Inter, tem a explicação para isso.

» Veja fotos de Taison
» Taison sucede Alex e vira artilheiro dos estaduais
» Taison sempre me prometeu vida melhor, diz mãe

"A gente detectava muitas condições nele, mas foi preciso que trabalhasse durante um ano só com a parte física. Por isso, ele demorou mais para estourar. Sabíamos que ele tinha habilidade e já era muito ágil, mas era preciso força entre as características principais. Então ele ficou um ano parado trabalhando com o professor Élio Carravetta (coordenador de preparação física)", explica o dirigente, que tem uma relação bastante especial com Taison.

Em sua caminhada para chegar à presidência do Inter em 2001, Fernando passou pelas categorias de base do clube, entre 97 e 98, e chegou a vencer uma Copa São Paulo. Com o cordão umbilical muito mais preso ao futebol que à política, ele sempre se notabilizou como um dirigente ativo no vestiário e querido pelos jogadores. E no Beira-Rio, o carinho de Fernando Carvalho por Taison é uma constante de alguns anos.

"Tenho essa identificação com jovens e isso acontece com ele. O Taison é um menino maravilhoso, com um temperamento muito bom. Temos uma relação de vestiário, onde há cobrança e incentivos. Várias vezes, o chamo e sugiro alguma coisa, algum procedimento, mesmo dentro de campo", explica Carvalho, que vê evolução no futebol de Taison - em 2008, foram dois gols em 36 jogos.

"Ele era muito afoito e intranqüilo. Mas com a velocidade que tem, cobro treinamento de finalização. Cobro aperfeiçoamento em enfrentar o goleiro no um contra um", explica Fernando Carvalho, que está prestes a perder uma aposta que havia feito com Taison. No início do ano, o dirigente desafiou o garoto a fazer 20 gols no ano, o que seria um índice dez vezes maior que 2008. Com 14 já marcados pelo xodó ainda em março, o dirigente já dá a vitória ao jogador. "Ele vai ganhar tranqüilo", se diverte, após presentear o jovem com a camisa 7 que era do ídolo Alex, vendido para a Rússia.

O fato de o lado goleador de Taison estar vindo à tona não é uma questão de sorte. O atacante, que agora cobra até faltas, evoluiu depois de um extenso trabalho específico de finalização pelo qual passou desde novembro de 2008. Por pedido de Tite, o departamento de tecnologia e a comissão técnica desenvolveram um plano para que o jogador habilidoso e veloz se tornasse um matador à frente dos goleiros adversários.

Foram preparados DVDs com imagens suas em ação nas partidas do Inter. Taison recebeu, então, lições de casa: deveria assistir aos vídeos e observar, em casa e na concentração, o que precisava fazer para evoluir sua finalização. Com os incentivos de D'Alessandro, passou a cobrar faltas, escanteios e aperfeiçoar o chute, saindo da teoria para a prática.

No processo, houve até uma dose de apoio psicológico, em que Taison tomou conhecimento dos trabalhos de evolução em treinamentos, feitos por René Simões no Coritiba, pelos quais passou Keirrison para se tornar um goleador.

Curiosamente, até este momento da temporada, Keirrison e Taison são os principais artilheiros do Brasil entre os clubes da Série A - o palmeirense com 16 e o colorado com 14. Sinal de que os treinamentos deram resultados indiscutíveis.

Taison era reserva entre os juvenis e coadjuvante nos juniores do Inter
Taison era reserva entre os juvenis e coadjuvante nos juniores do Inter
Foto: Lucas Uebel/VIPCOMM / Divulgação
Fonte: Especial para Terra
Publicidade