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Esquema de segurança para final da Libertadores tem torcidas divididas e 4 mil policiais

Autoridades trabalham para evitar confusões na capital uruguaia, desacostumada com a violência

28 nov 2021 00h02
| atualizado às 00h02
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Montevidéu, uma cidade pacata e desacostumada com violência, está preparada para receber a final da Libertadores e montou um plano para evitar possíveis brigas entre flamenguistas e palmeirenses. As autoridades uruguaias intensificaram os controles policiais e deram detalhes sobre a operação vigente na cidade a partir de sexta-feira para a decisão do maior torneio do continente, marcada para este sábado, às 17h, no Estádio Centenário.

Foram destacados cerca de 4 mil policiais para trabalhar na operação. A maioria deles estará nos arredores do Centenário e outros farão a segurança em diferentes pontos da cidade, incluindo o espaço onde fica a "Embajada del Hincha" (Embaixada do Torcedor), evento organizado pela Conmebol com baixa adesão antes da final da Sul-Americana. A entidade espera que esse cenário se altere para a decisão da Libertadores, com mais apelo e maior número de torcedores espalhados pela capital do Uruguai. A estrutura fica próxima ao Farol de Punta Carretas.

A ideia é que a operação seja capaz de evitar brigas entre flamenguistas, palmeirenses e até entre torcedores de Peñarol ou Nacional. Os agentes de segurança estão preparados para conter possíveis confrontos, garantem as autoridades, que estimam receber 60 mil visitantes, 90% deles brasileiros.

"Estamos trabalhando muito na prevenção e em qualquer situação que implique confronto entre torcedores. A polícia vai agir porque não vai permitir situações tão indesejadas em uma partida dessas características", deixou claro o chefe da polícia do Uruguai, Ricardo Cabral.

Montevidéu apresenta o maior índice de qualidade de vida da América do Sul, segundo a última avaliação da consultoria Mercedes, e os seus habitantes se orgulham da tranquilidade que impera por aqui, com raros casos. No entanto, a infraestrutura da plácida cidade pode não dar conta de um evento de tamanha magnitude como a final da Libertadores. No Aeroporto Internacional de Carrasco, por exemplo, havia filas de visitantes à espera de táxis, que são a única opção de deslocamento em alguns momentos, já que carros de aplicativos não podem operar na região do aeroporto e às vezes não há vans disponíveis.

Até quinta-feira, dois dias antes do jogo decisivo, os arredores do estádio estavam tranquilos, ainda sem a presença dos integrantes das organizadas. Foi possível observar alguns torcedores caminhando pelas ruas e outros atrás de informações sobre a retirada de ingressos. Os palmeirenses devem retirar seus bilhetes no Punta Carretas Shopping e os rubro-negros, no Nuevocentro Shopping.

Rodovias monitoras

As rodovias também estão sendo monitoradas, já que há um grande grupo de torcedores que vêm pela via terrestre. Ao menos 50 ônibus, entre flamenguistas e palmeirenses, partiram de Rio, São Paulo e Porto Alegre para Montevidéu. Os policiais uruguaios trabalham em cooperação com a migração e a Polícia Civil do Rio e de São Paulo para coordenar as entradas pelas rodovias.

O governo brasileiro enviou ao uruguaio uma lista com os nomes de torcedores com histórico de episódios de violência, sendo condenados ou investigados por esses delitos. "Vamos apertar os controles para que as pessoas que estejam nas listas não possam entrar em nosso país para fazer desta partida uma batalha campal que não estamos dispostos a tolerar", afirmou Luís Alberto Heber, ministro do Interior do país vizinho.

"Conseguimos uma boa experiência com os jogos que foram disputados neste fim de semana, mas é claro com um público diminuído em relação ao que se espera para o próximo, mas tudo serviu para fazer um teste e acertar para a final da Copa Libertadores, que é um jogo de outra magnitude", acrescentou Heber. Espera-se 60 mil pessoas no Centenário.

O plano é de que flamenguistas e palmeirenses não se encontrem. Para isso, há uma divisão dos espaços que podem ser ocupados por apenas uma das torcidas. Elas não vão se misturar. Os ônibus de torcedores do Flamengo ficam estacionados na Avenida Centenário e os do Palmeiras, na Avenida Ricaldoni. "Há pontos estratégicos onde haverá desvios parciais para um ou outro lado para evitar confrontos ou travessias", disse Cabral.

No Centenário, os flamenguistas ficarão na Tribuna Colombes, lugar ocupado tradicionalmente pelos torcedores do Nacional, e os palmeirenses, na Tribuna Amsterdam, onde historicamente se acomodam os fãs do Peñarol. Os dois espaços ficam atrás dos gols do estádio. Haverá a partir da manhã do sábado um cordão de isolamento do Parque Battle até todo o entorno do Centenário. A presença de vendedores ambulantes não será permitida nessa região. Há desvios no trânsito desde sexta-feira. Os portões do estádio serão abertos às 13h de sábado.

NORMAS PARA ENTRAR NO ESTÁDIO

O torcedor que for assistir à decisão no Centenário poderá levar bandeiras, mas apenas as que estão enquadradas nas normas permitidas pela Conmebol, isto é, com hastes de papelão, de porte manual e limitadas a 2 metros de largura e 1,5m de comprimento. Instrumentos musicais e faixas também estão liberados.

Estão proibidos fogos de artifício, armas de fogo, objetos cortantes e pontiagudos, apitos, guarda-chuvas e sombrinhas, rolos de papel ou substâncias psicotrópicas, além de narcóticos, estimulantes ou substâncias semelhantes, mochilas, bebidas e alimentos em vidro, lata, plástico e/ou papelão.

Estadão
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